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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Pelos Jardins de Generalife

O encanto do complexo de Alhambra dificilmente se esgota, e quando pensamos que os Palácios Nazaries nos surpreenderam, encontramo-nos novamenti envoltos na fascinante mística deste complexo. O final da visita faz-se pelo Generalife, considerada uma vila de jardins e de descanço para o Sultanato do Al Andaluz, somente as fotografias podem deixar um gostinho das surpresas finais que todo este mundo das mil e uma noite nos tem para oferecer. Certamente um destino a repetir.










  

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Palácios Nazaries, as fotos!

Como prometido deixo-vos algumas das fotos dos Palácios Nazaries, parte do enorme complexo do Alhambra que foram construidos entre os séculos XII e XV, albergando os espetaculares Mexuar, Palácio de Comares e o Palácio dos Leões. São realmente fenomenais toda a mestria dos árabes que conseguem esconder estes palácios da vista do público e só quando entramos é que revelam toda a sua opulência. Uma visita obrigatória por quem andar por terras da Andaluzia.





Entrada do Mexuar, que funcionava como sala de recepção e de despacho da documentação do Império, tendo sido o primeiro palácio a ser construído


Pátio do Quarto Dourado, que antecede às dependências privadas dos sultões





Saída do Mexuar



Pormenor das paredes do Quarto Dourado


Palácio de Comares

pormenor do tecto do Palácio de Comares

Palácio dos Leões












Pormenores do interior do Palácio dos Leões








quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Odaliscas em fatos de neve! Alhambra e os Palácios Nazaries






A noite havia sido de farra até altas horas, mais uma vez as pistas estavam encerradas e de desportos de neve ainda não tinha tido contacto além do tipicamente SKU! Dormiu-se até tarde na tentativa de enganar o tédio que o mau tempo tinha preparado para as nossas mini-férias em pleno Janeiro, e sem grandes planos para o resto do dia a ideia brilhante acabava por surgir, e de novo nos carros descemos a montanha em direcção a Granada, mais precisamente ao Alhambra, e com GPS a funcionar sem nos levar por caminhos obscuros.
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Pouco sabia desse tão famoso monumento, pouco mais além de ser um complexo militar e palaciano dos tempos arábicos da Península Ibérica. de ingresso em punhos e contentes com os 6 euros de desconto para grupos grandes era tempo de explorar o tão famoso Alhambra.

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Meio perdido deixei-me guiar pelos trilhos daquelas árvores enormes e centenárias, num jardim que de tanto andar julguei não ter fim, as muralhas do complexo deixavam-se avistar aqui e ali mas não acreditava que a fama se resumisse a umas muralhas com jardins no meio de ruínas dos antigos mercados (souks). A remoer-me por não ter comprado o mapa na bilheteira os jardins foram escasseando dando lugar a um fosso e mais um sistema de muralhas e um portal, que escondia toda a grande riqueza que o legado árabe deixou à cultura lusitana.

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Começaram a formar-se ruas, alguns edifícios antecipavam aquilo que para um leigo se viria a mostrar um magnifico tesouro. As palavras facilmente podem trair aquilo que este maravilhoso complexo nos tem para oferecer. Espalhado por todo o recinto encontram-se as fortificações ainda intactas do complexo e da genialidade militar do povo muçulmano mas que rapidamente o olhar se perde para os magníficos Palácios Nazaries, Comores e Leões, dos seus intrincados trabalhos de estuque nas paredes e nos tectos, da complexidade e fascinante arquitectura muçulmana.
Não há palavras que descrevam tudo o que aquelas muralhas escondem, menos palavras existem para a admiração com que nos arrebata cada divisão que vamos passando, e ao longo das várias horas que o passeio merece nada nos deixa de surpreender. Não me estendo em mais palavras porque as imagens podem falar por si, e ainda hoje me ponho a pensar de como o mundo é uma ervilha, que após um passeio pelo Magreb, o seu deserto e a sua cultura mística, um dos maiores contributos da cultura muçulmana clássica para o mundo se encontre tão pertinho de nós.



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Anoitecia lentamente e o fim da visita forçosamente se aproximava, e de fatos de neve vestidos sob o intenso frio que a neve fazia sentir deixamos a promessa de um dia voltar.


O Alhambra mostrou-se mais do que um sonho da mil e uma noites e não é dificil de deixar fluir a imaginação para uma dessas noites encantadas.






PS: Fica a promessa de no próximo post publicar as fotos do interior dos palácios. Se quiserem ver estas fotografias maiores é só clicar por cima delas.


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terça-feira, 8 de setembro de 2009

Em Azul e Branco!

















O deserto havia ficado para trás, e por acordo mútuo havíamos escolhido um hotel tipo fantástic para nos acolher nas últimas 3 noites pelo Magrebe. Como numa esfera perfeita, 360º dados e voltámos ao ponto de partida, de novo na Tunísia, bem instalados, longe dos cous-cous e numa de ficar de papinho para o ar nos últimos 3 dias, não tivesse sido uma olhadela rápida por um panfleto que anunciava arábicamente as suas viagens! Contados os últimos tostões uns telefonemas e pronto, lá voltaríamos a acordar às 5 da manhã para não lhe perder o ritmo.
Como que abandonados, o conforto do nosso Jeep moldado aos nossos traseiros havia sido trocado por um autocarro cheio de turistas, tão cheio que para quem andou estes dias no deserto parecia uma multidão. De rumo à capital não tardou muito para que os olhos só vislumbrassem uma magnifica paisagem interior, algum guia tagarelava qualquer coisa em espanhol, os espanhóis riam e nós .... dormíamos.
Primeira paragem no Museu do Bardo, deveras interessante mas apinhado de objectos num harém de à muitos séculos atrás, coroado com cúpulas magnificas. Rapidamente o olhar se desprendeu das explicações e com a cabeça a fervilhar de cansaço e aventura, decidimos explorar o museu de uma maneira bem mais peculiar. E da cultura à loucura, é só um saltinho quando demos conta não havia palanquim onde não houvesse imitação de uma estátua eroticamente destruída.
A visita foi terminando à proporção do aumento dos vendedores de colares e bujigangas pendurados na porta do autocarro, e quanto mais este acelerava, mais o preço baixava, sempre se trouxe uma serie de colares que tirei da mão da mão do homem e lhe espetei uma nota das mais pequenas. Não muito longe, o autocarro deu ordem de soltura, as ruínas de Cartago estavam à distancia de um portão. Nunca me atraíram muito ruínas,  mas Cartago brindou-nos com um sol radioso a contrastar com o azul cobalto do Mediterrâneo, onde outrora nascera uma cidade, cujas termas após mais de 2 mil anos ainda teimam em se erguer do alto das suas colunas jónicas, deixando bem cá dentro a pergunta a flutuar de como haviam conseguido? Foi irresistível não tirar o dedo do botão da máquina, de pousar e pousarem em cima das colunas e dos arcos tais modelos duma marca qualquer, e ao mesmo tempo conseguir admirar todo o esplendor de uma civilização que da qual também fizemos parte.
O sol ia bastante alto, e nada melhor que acabar a manhã em Sidi bou Saïd. a vila fervilhava de turistas e de lojas de recuerdos, e imunes aos pregões dos vendedores fomos absorvidos pelo esplendor da cidade azul e branca (houve quem fosse realmente absorvido dentro das lojas). O branco intenso fazia sobressair o azul profundo de estranhos emaranhados de ferro e madeira que cobriam portas e janelas, numa atmosfera quente e atraente, onde apetece permanecer e ficar olhar para o infinito, deixar fugir um sorriso e encerrar um capitulo em estilo de La dolce vita! 
Mas a doce vida tinha hora marcada, um belo prato de cous-cous esperava-nos em Tunes, assim como um passeio pelas suas avenidas. Tunes mostrou.se uma cidade moderna, elegante e sedutora, fruto da mescla francesa e magrebina. Polvilhada de lojas e longas avenidas que terminavam no seu fantástico e labiríntico souk, de cafés apinhados de homens na lentidão dos seus cachimbos de água sob o contraste do fervilhante mercado, onde ninguem resistiu a comprar umas vestes das 1001 noites que têm feito enorme furor nos carnavais!! Bem regateadas e metidas no saco de plástico, um presentinho do senhor da loja e o dia marcava o seu fim numa viagem de regresso que os surpreendeu em beleza e diversão, encheu um pouco mais as páginas vazia da cultura geral e nos trouxe de volta à civilização, após o sonho do magnifico deserto,
A noite caiu rapidamente e ninguém se fez rogado a deixar-se embalar nos braços de um sono profundo.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Um Chá no Deserto (entre o El Jem e o Fim do Mundo)










O primeiro dia da nossa longa jornada, começou brindado por repreenções do nosso gigantesco atraso de 15 minutos. Nem tempo para apresentações houve, foi chegar enfiar as mochilas no tejadilho do Jeep e pôr-nos ao caminho. Só com os animos menos carregados começamos a descortinar que aquela mulher toda tapada dos pés à cabeça, de luvas brancas e um véu seria a nossa intérprete, e que além do Crew Habibi os 2 Jeeps estavam já com outros ocupantes, Espanhois ??!!!
O grupo ficou dividido pela metade e durante umas 2 horas ninguem abriu boca dentro daquela viatura, meti os auriculares do MP3 nos ouvidos e fiquei a apreciar a paisagem que entrava pela janela com um cortinado vermelho escuro. Afinal isto não é muito diferente do Alentejo, pensei para mim mesmo, planicie sem fim pontilhada por algumas oliveiras e umas casinhas toscas que aos poucos se começaram a adensar. Disseram-nos então que estavamos em El Jem, um povoado no interior da Tunisia que em tempos muito longicuos era a Roma Africana, e que para além das ruinas do Coliseu (praticamente intacto) pouco mais haveria para ver. O Jeep parou sob a sombra daquela imponente construção, enorme, distinta quase aterradora, diziam os aldeões que aquele Coliseu era o segundo maior do mundo e melhor preservado que o romano (faltam 4 meses para tirar a limpo as verdades). Era impressionante, toda aquela majestosidade num só edificio com quase 3 mil anos, impossivel de conceber, ainda se encontrava quase intacto, o chão da arena todo preservado, as bancadas cheias de turistas sentados possivelmente à espera que os duelos tivessem inicio, não com feras como na antiguidade mas possivelmente de disparos de maquinas fotograficas (e se o jogo foi esse, certamente ganhei).
Partimos mais animados e decidimos fazer as primeiras compras, água, e descobrir a arte do regateio e de comprar mesmo aquilo que não queremos. Drigia-mo-nos para sul, ao encontro do tão ansiado Sahara, mas por ora iríamos parar nalguns pontos estratégicos "paradas técnicas", o que não tardou a acontecer numa cidade mais a sul, o nome varreu-se-me da memória mas a imagem de uma cultura diferente ia-se começando a montar, as cores dos mercados de especiarias com aquelas piramides de pó de todas as cores por milhares de barraquinhas começava a confirmar que sim, estava nas arábias!
O sol ia subindo nos céus e a temperatura nos Jeeps iam no seu expoente máximo, 7 pessoas em cada um, 14 no total rumo ao deserto ainda desconhecido e aterrador para todos como no primeiro dia em que soube, que era o maior deserto do mundo e vi as fotos num Atlas lá de casa. Parámos novamente no meio da estrada, íamos visitar as cavernas do povo Troglodita que eram escavadas na rocha para os protejer tanto dos rigores daquele clima como dos ataques inimigos. Entrou-se por um série de corredores que desenbocam num pátio central ao ar livre, uma senhora estava sentada num banco de barro enquanto lhe descobriamos os cantos à casa e teimámos em tirar uma foto com ela (como da para ver ficou magnifica). Fomos embora deixando algun dinares à senhora e sem antes dar umas festas ao camelo que tinha á porta, era hora do ALMOÇO. Entrou-se novamente numas cavernas para chegar a uma sala de refeições, serviram uns pasteis até que chegou o famoso COUS-COUS. A fome era negra e marchou tudo numa alegria mesmo a pesar do picante intenso. Rematados com um chá de menta e pinhões uns fadinhos à mistura e a falar com os espanhois como se de amigos de há muitos anos se tratasse, chegoua hora de ir pá cela e continuar a tour. Afinal não era assim tao mal, ainda tinham alcatrão.
Horas interminaveis sentados, dormiu-se com direito a roncos, dissemos disparates tipicos de quem está impaciente e nunca o caminho tinha fim. As casas iam rareando ate que desapareceram, as estradas ladeadas por calhaus não regalavam a vista nem dissipavam o cansaço. A interprete de nome Sophie discutia horas a fio com o motorista sem que ninguem entendesse uma palavrinha de árabe, foi então que parámos num planalto com uma vista soberba para um pequeno "pueblo" lá em baixo, a última imagem da palavra civilização que ficou nas nossas mentes. Daí em diante começava a aventura, o alcatrão acabava dando direito a uma estradinha de terra batida empoierada, coroada com distintas crateras, alguém atreveu-se a fazer a pergunta evitada: Quanto falta?, e a resposta temida saiu num espanhol perfeito, muito, umas 8 horas!!!
Horas interminaveis com paisagem monotona de montes de pedra, a cassete de musica arabe ja tinha rodado cerca de 10 vezes, já sabiamos as letras de cor. Nova parada técnica, desta feita para ver as Ghorfas, uns celeiros quase pré-históricos no meio de nenhures que haviam servido como cenário para A Guerra das Estrelas. Ainda hoje me pergunto como foi possivel montar um estudio de cinema ali, e quão mal haviam passado todos os figurrinos do filme dentro daqueles fatos debaixo de um calor de certamente passaria dos 40 graus.
- A próxima paragem é onde passaremos a noite! Disse a Sophie com a sensatez de querer animar um grupo menos energico que uma excursão de reformados. Saltamos pó Jeep, ouvimos novamente as mesmas cassetes e mais horas, horas, horas de caminho, agora nem estradinha existia, era o NADA. Soubemos então que já estavamos no deserto, o de pedra efectivamente, pois o de areia onde tanto ansiava chegar ainda era um pouco longe. O Sol começou a pôr-se, numa imagem tão intensa como reconfortante, que fotografia alguma conseguira reproduzir e o caminho continuava, sem marcas, sem estradas ou sinalização, íamos aos caprichos de quem nos conduzia.
Escureceu, num bréu quase aterrador e ao fim de 2 horas o Jeep parou. A Sophie e 2 espanholas sairam e dizendo que iriam acampar ali e o nosso acampamento era cerca de uma hora de distancia, no dia seguinte iriamos nos encontrar para seguir esta louca tour.
Finalmente livres e completamente loucos para desatinar, musica aos berros, todos os farois do Jeep acesos, ninguem a conduzir deixando o veiculo decidir o caminho que tomar. Paramos o motorista saiu a correr e voltou com 1 pano preto e largou aquilo em cima de nós. Que cena é esta?! Olha é um ouriço gigante e esta M*** pica. largamos o bixo dentro do Jeep saltamos para cima dos bancos para nao picar as pernas, alguem gritava que o animal já estava no motor ou nos pedais, e nesta balburdia dentro do Jeep chegamos ao nosso acampamento. Saltamos para fora do carro e devolveu-se o animal à natureza. Mas e o outro Jeep?????? Perdemos os espanhois. toca a entrar de novo no carro para os salvar e ao fim de algum tempo foram encontrados a mudar um pneu que se havia furado.
Grupo completo, hora de acampar e comer, ali mesmo no meio do deserto do Sahara. Azar dos azares, correndo o risco de não experimentar a maravilhosa cozinha do Magreb fomos brindados com um maravilhoso prato de COUS-COUS (abençoadas as sandes roubadas no hotel logo de manha cedo). Houve djumbés e chá ao relento, do calor infernal do dia deu lugar a um frio quase glaciar, as tendas eram uns cobertores pousados por cima de umas canas disposta num circulo quase quadrado. A Lua estava cheia, reflectia no chão fazendo sombras estranhas, as fogueiras haviam sido apagadas e de repente tinham desaparecido 2 membros do grupo. Instalou-se o medo, percorremos a área envolvente duas e tres vezes, perguntamos a uns homens se haviam visto passar 2 raparigas. NADA, com o coração aos pulos fomos para a tenda esperar, deitados a tremer de frio sem conseguir dormir esperamos horas (2 no total) até que as ovelhas tresmalhadas apareceram, tinham ido só ver a Lua ao Deserto!