Blogroll

Mostrar mensagens com a etiqueta Patromónio Mundial da Humanidade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Patromónio Mundial da Humanidade. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O Relógio Astronómico de Praga


Depois de ter visitado as igrejas daquela magnifica praça, tinha deixado o melhor para o fim, apesar de a maior atracção de Praga ser enorme e estar a uns meros metros de distância ainda não me tinha atrevido a chegar perto daquele estranho relógio naquela ainda mais estranha torre, e quando me decidi em explora-lo já um amontoado de gente se apinhava em frente ao relógio. Creio que aquele recanto da praça é dos mais acolhedores em qualquer cidade, cheio de vitalidade e coisas por explorar mesmo tendo de furar entre a multidão.

Câmara da Cidade Velha

Janela da  Câmara com o brazão da cidade
Para aqueles que como eu adoram partir por este mundo fora e viajar não implica só estar em pessoa num determinado local mas também partir rumo ao destino ainda em nossa casa, já deve ter reparado que Praga impressionou-me imenso, em especial o seu tão famoso e arrojado relógio. Antes sequer de falar dele tenho mesmo de falar de onde ele está, ou seja falar da Câmara Municipal da Cidade Velha. No inicio do meu relato sobre esta cidade já vos havia falado do edifício novo Câmara Municipal, do qual havia gostado mesmo muito de visitar, até ter realmente ter dado de caras com este ex-libris. Ocupando uma série de edifícios coloridos de estilo gótico, que desde 1338 formam este enorme monumento que é a Câmara Municipal da Cidade Velha. Não deixa de ser interessante esta amalgama de cores e formas num só monumento, sem qualquer dúvida o mais vistoso e antigo daquela praça mas sem qualquer esforço sobressaem a sua enorme torre de 70 metros de altura com uma vista explendida sobre a cidade e o seu elaborado relógio astronómico. No interior pode-se ainda visitar a capela e outras exposições que por falta de tempo não nos foi possível.



O Relógio Astronómico

 




















 
 
Finalmente dava-se o meu primeiro encontro com a imagem de marca mais famosa de Praga. Este enorme e estranho relógio ergue-se ao alto pela torre da Câmara Municipal e desde que a cidade se abriu ao Mundo é o monumento mais fotografado de toda aquela cidade.
Grupos enormes de turistas juntam-se para apreciar o estranho badalar das suas horas, todos como eu de máquina em punho numa espera ansiosa mesmo que as horas deste relógio não correspondam com as do meu fiel amigo de pulso. Desde o século XV que esta gigantesca máquina vai dando horas aos Checos e diz-se por lá que após a sua reconstrução em 1490 mandaram cegar o seu mentor a fim de evitar repetições. esta geringonça com bonecos, sinos, galos dourados etc, fora reparada inúmeras vezes até ao aperfeiçoamento do seu mecanismo já no século XVI, nem quero imaginar o mecanismo que se deve esconder por detrás daquelas paredes. Faltavam 5 minutos para as 12h (pelo menos no meu relógio) passados os mesmos não havia meio dever esta magnifica invenção a trabalhar, comecei a pensar ora na foto do guia estavam 8 bonecos e eu na realidade só via quatro, depois já passava das 12h e aquilo não funcionava, enfim estava definitivamente estragado ou para restauro, jamais me recorrera a ideia de ler o guia e perceber que basicamente este relógio dá tudo menos as horas. Ou seja, as horas como as conhecemos também as dá mas acima de tudo este relógio dá-nos a hora solar, a órbita da Lua, mede três tipos de tempos o da Boémia, o temo conforme usamos hoje e ainda a posição da Terra face ao universo, tem ainda a capacidade de dar os movimentos do Sol e da Lua pelos signos entre uma série de possibilidades. Decididamente um relógio com o qual não podemos contar para acertar o nosso.
 Depois da estranha explicação de tal funcionamento e ficando sem perceber absolutamente nada (confesso que precisei de alguém que me explicasse aquilo) aliando ao facto que já me encontrava ali havia vários minutos e nenhum ponteiro se mexeu, decidi esquecer o pormenor das horas nestes relógio e admira-lo simplesmente como mais uma das grandes obras que esta cidade tem para nos oferecer.

Finalmente chega a hora certa e a multidão prepara-se para filmar o momento, os bonequinhos começam a mexer-se, cada um representando um pecado, os sinos tocam, lá no alto abrem-se umas janelas e desfilam uma procissão de santinhos até que um homem vestido à época se abeira lá no alto da torre e toca uma musiquinha numa corneta enquanto o povo cá em baixo aplaude com entusiasmo. Dito assim até pode parecer algo piroso e sem graça esta forma de dar horas mas acreditem que é bem viciante, sempre que passei por aquele relógio enquanto dava as suas badaladas não me ia embora sem ver o final do espectáculo, até chegar ao ponto de saber a musica da corneta e trautear durante o dia.

Subida à Torre da Câmara Municipal

A neve que de repente começou a cair foi o mote perfeito para começar a abordar o tema de subir à torre bem alta. A coisa poderia ficar assim, mas neste caso implicava um grande poder de persuasão pois a minha companhia morria de vertigens. Lá se conseguiu convencer quando viu que aquilo até tinha elevador e nele entrou sem nunca mais me largar. Saímos de um elevador redondo em vidro numa salinha no alto da torre, em seu redor circula uma varanda estreita com as melhores vistas da cidade, e quando digo as melhores acreditem que vale mesmo a pena o ingresso para subir lá em cima. Demos a voltas e mais voltas na varanda tentando encontrar o melhor ângulo para as fotos que vos deixo algumas para se deliciarem.
 


























O frio e o vento lá no alto da torre já se fazia sentir e obrigou-nos a descer apesar de termos ficado com vontade de estar ali por uns mais largos momentos. Demos por concluída a nossa visita à Praça da Cidade Velha, claro que acabámos por passar por ela inúmeras vezes de dia e de noite, sempre deslumbrados com todo aquele cenário. Estava na hora de rumar a outras bandas e descobrir novos segredos daquele cidade mas em antes descobrir um bom local para almoçar, e tão perto que ele estava, mas do comer falo depois...


sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Praça da Cidade Velha - À Descoberta de Praga


Não estava em Roma mas invariavelmente todos os caminhos, desde a Porta da Pólvora, iam dar ao coração medieval da cidade, a famosa Praça da Cidade Velha. O arruamento ligeiramente estreito ao longo da cidade velha contrastava com a imponência barroca da cidade de Viena, a cidade envolve no seu cenário medieval e as suas centenas de torres, cúpulas, torreões etc etc deslumbram tanto as vistas do ar como as próprias rua, e eis que ao virar da esquina lá surge a praça.

A Praça da Cidade Velha


Não fossem os restaurantes modernos e a quantidade de turistas de máquina em punho e diria que de repente tinha entrado na máquina do tempo e viajado uns quantos séculos atrás para uma outra era. A Praça é um verdadeiro oásis na quase labiríntica cidade, um verdadeiro regalo para os olhos, uma mistura de estilos arquitectónicos perfeitamente preservados e basta mudar a direcção do olhar para passar do gótico ao delicado rococó, como disse na altura "esta praça tem algo de Disney"!! Além de ser um dos cartões de visita da cidade é nela que se concentram uma grande quantidade de monumentos de interesse, e claro, é onde começa a dor de cabeça para quem vai com os dias e tostões contados e não sabe por onde começar.
A praça não é propriamente a maior que já visitei (não quer dizer que seja pequena) mas começo a acreditar que é uma das mais bonitas em que já estive. Tem sensivelmente a forma de um L, ladeada por igrejas com as suas altas torres, os seus palácios de cor pastel em vários estilos, fervilha de vida com turistas em todos os sentidos, perto do relógio chega a ser multidão. Dei uma volta pela praça, tirei as minhas milhares e já habituais fotografias até me decidir por onde começar.

Casa Storch
Passagem Melantrichova





















 
Ministerstvo pro místiní rozvoj (19898)
















Palácio Kinsky actual Galeria Nacional (1768) www.ngprague.cz
   
Igreja de Nossa Senhora diante de Týn



Como no jogo do monopólio, dei a volta à praça e cheguei de novo à casa da partida e dessa forma resolvia o enigma de por onde começar a descobrir os segredos da praça. Esta igreja de uma arquitectura esplendorosa ergue-se nos seus deslumbrantes campanários desde 1365 onde em tempos residiu no alto um cálice de ouro que foi derretido no séc XVII para criar a actual imagem da santa. Apesar da imponente fachada com 80 metros de altura a igreja tornava-se um quebra cabeças, onde estava a entrada? Dei a volta no seu perímetro e nada, de novo para a sua fachada e não encontrava o raio da entrada, onde deveria estar como em qualquer igreja residia uma loja e um restaurante. Salvou-me um grupo escolar e tentando passar por um adolescente italiano juntei-me ao grupo e à sua professora, e sim, encontrei a entrada. Bem diante da fachada onde estão dois edifícios entrava-se pelas arcadas do mais à esquerda que segue por uma muito estreita rua e lá estava a porta.

A porta escondida


Vista da entrada



















A sumptuosidade do seu exterior infelizmente não se transpõe  para o seu interior, somos quase esmagados pela altura da sua nave e pelo seu comprimento, quase na penumbra vai revelando algumas peças de arte de várias épocas. O silencio é regra mais do que ouro e desta vez não deu para tirar fotografias (nem usando o meu método que achava infalível) e quando tentei levei uma repreenda tão grande em checo que sem perceber nada até fiquei com medo. Bem perto da saída, naquela rua muito estreita, tem uma loja de musica clássica com CD's por 4 €, trouxe um do Mozart.


Imagem da Nossa Senhora em ouro na fachada da igreja
Coordenadas
Onde: Praça da Cidade Velha   Horário: 10h-13h, 15h-17h   Ingresso: Grátis


Igreja de S. Nicolau


Não deixando passar a onda religiosa começada na igreja anterior, e antes que se dissipasse tanta fé lá rumei à vizinha igreja de S. Nicolau, no lado oposto da praça é também o oposto da outra, se uma é preta outra é branca, se uma é gótica outra é barroca o que as une é a beleza que emprestam ao cenário de toda aquela praça. Esta igreja branca, nem sempre teve este aspecto, diz-se que já existia uma igreja no século XII que foi destruída numa batalha sendo que a fachada actual foi terminada em 1735 e como pelos vistos esta igreja tem mais queda para as guerras do que para as coisas da alma na 2º Guerra Mundial serviu de guarnição às tropas. Por sorte chegou aos dias hoje, o seu interior é dominado por uma cúpula pintada com frescos sobre avida do santo e um enorme lustre que faz recordar as mesquitas de Istambul. Valeu a pena a visita pelo contraste com a igreja anterior e o delicado trabalho da cúpula, mas não nos demoramos muito no seu interior pois também não é muito grande.


















Coordemadas
Onde:  Praça da Cidade Velha    Horário: 10h-16h
Ingresso: Grátis  Link: www.svmikulas.cz


O resto da manhã até à hora de almoçar passou-se a visitar os outros monumentos da praça, mas esse post fica para depois antes que alguém adormeça ao ler já este grande testemunho. Até lá boas viagens ....

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

À descoberta de Praga - Primeira parte


Igreja de Nossa Senhora de Tyn - Praga

Após a nossa atribulada chegada à cidade de Praga naquele comboio, e já com um amigo novo para partilhar momentos, a noite passou tranquila no hotelzinho familiar que escolhemos. Com direito a um quarto enorme para duas pessoa com todas as comodidades, um pequeno-almoço reforçado era dia de nos metermos novamente à estrada em descoberta de uma nova cidade. O hotel ainda ficava cerca de 20 minutos a pé do centro a cidade, mas passam transportes frequentes, apesar de decidirmos ir a pé para reconhecer melhor o trajecto e já um pouco da cidade.

 O nosso quarto no Hotel Columbo
 
Mais um pouco do nosso quarto gigantesco

Efectivamente o  hotel foi uma escolha muito acertada, com preços muito económicos e localização aceitável, recomendo-o a todos e deixo o link AQUI.
Nenhum de nós estava muito seguro daquilo que poderia encontrar ou esperar de Praga, a recepção na estação no dia da partida para Viena não fora absolutamente nada acolhedora, deixando-nos uma impressão um pouco negativa dos Checos, depois estávamos completamente deslumbrados com a Áustria e considerando mesmo que Praga poderia até mesmo desiludir-nos, mas nada mais longe da verdade! Pelo caminho até ao centro da cidade, esta foi começando a desvendar alguns dos seus segredos que foram sendo descobertos nos dias que se seguiram.

Praga e um pouco da sua História


Praga ou Praha na sua língua nativa, é a maior cidade e capital da República Checa, considerada uma das mais belas cidades da Europa  é também conhecida pela "cidade das mil cúpulas" (não as contei mas são bastantes). Está localizada na Boémia central, dividida pelo rio Moldava. Este magnifico destino esteve escondido mais de 40 anos na sombra da ex-URSS e abriu as suas portas ao mundo no de 1989 aquando a revolução da Cortina de Veludo. Hoje em dia acolhe uma população de mais de 1 milhão de habitantes, sendo um ponto cultural muito significativo no seu país e na restante Europa, deixando de longe o fantasma Soviético, que apesar de ter deixado algumas infraestruturas assim como alguma cicatrizes, está dissolvido na magia e encanto de Praga.
A cidade encontra-se encaixada entre montes de ambos os lados do rio, divide-se em 10 distritos mas o grande ponto turístico são os seus 3 famosos bairros de Malá Strana (bairro pequeno), Staré Mesto (cidade velha) e Josefov (Bairo judeu). Desta forma a cidade começa a revelar os seus encantos e a mostrar que tem muito para descobrir, por isso, nada melhor do que começa a explorar!!

Mapa do centro histórico de Praga
Torre da Pólvora

Se penso que houve algum momento em que me apaixonei por esta cidade, tenho quase a certeza que foi logo à sua porta! Seguindo simplesmente o mapa e as orientações que me foram dadas acabara finalmente por encontrar o portão que dá acesso aos segredos desta cidade, subitamente no final de uma rua elegante, ergue-se ao fundo um imponente torre de pedra, escurecida pelo tempo, com alguns adornos durados, ei-la diante dos meus olhos, um chamariz para quem vive das emoções, um convite a entrar e descobrir a cidade, a me perder nas ruas e ruelas medievais impecavelmente tratadas, e foi assim que creio que surgiu mais um novo "amor" na minha vida. 


Esta magnifica torre já existia no século XI quando pertencia aos conjunto de 13 portas das muralhas da cidade velha, contudo em 1475 é que começou a construção da qual ainda hoje podemos desfrutar, foi oferta da cidade à coroação do seu novo rei e o seu valor defensivo foi ultrapassado pela sua beleza que emoldurava o antigo palácio que se encontrava mesmo ao seu lado. Tem este nome quando no século XVIII serviu de paiol e deste então guarda a entrada da cidade. Hoje em dia pode-se subir no alto dos seus 44 metros que dizem oferecer uma vista priviligiada. Acabei por não subir pois já tinha planeado subir a outra torre, e deixei-me ficar a contemplar a forma como esta cidade recebe os seus visitantes, Foi uma entrada realmente única!!!


























Casa Municipal

Como se não bastasse a cidade de Praga receber os seus visitantes com uma elegante torre, mesmo ao seu lado emerge um elegante edifício de outras linhas e artes mas que complementa este cenário idílico.  A Casa Municipal é o mais belo edifício Arte Nova da cidade, construído em 1905 no local em ruínas do antigo Palácio Real.
A sua fachada imponente alberga motivos desta nova corrente artística que se iniciava no novo século, tendo sido o edifício construído para exposições e concertos. Ainda hoje alberga a mais importante sala de espectáculos da cidade. O seu interior como podemos comprovar mantém o mesmo estilo e elegância do exterior tendo sido decorado por grandes artistas como Mucha (aposto que conhecem, todas as avós têm uma réplica de um quadro seu em casa).
Além de deliciar a elite cultural de Praga, foi neste edificio que em 1918 se proclamou a independência  da Checoslováquia. 
Ainda me aventurei pelo seu interior, confirmei que é realmente belo e digno de uma visita, mas de € bem contados tive de deixar para uma próxima a visita ao seu interior.



















Deveras surpreendido por tamanha recepção, lá me fiz ao caminho e atravessei o portão pelo seu arco, finalmente estava no centro medieval da cidade que já muita curiosidade me despertava, e felizmente totalmente reservado a pedestres!!! Pela minha frente estendia-se a rua mais antiga de Praga, de seu nome Celetná, nome de uns pães entrelaçados que aqui eram outrora produzidos. A maioria das suas casas são do estilo Barroco o que confere uma elegância muito singular a esta rua comercial. A meio do caminho encontrei na meio de uma fachada, a Casa da Virgem Negra, e sem me dar conta estava novamente numa nova praça, Ovocny trh.

Casa da Virgem Preta
















Teatro dos Estados

É na praça Ovocny trh que se ergue o famoso Teatro dos Estados. Construido em 1783 é o melhor exemplo do Neoclassicismo de Praga. Além da sua beleza é mundialmente famoso por 3 razões: a primeira deveu-se a facto de Mozart ter estreado aqui a sua ópera Don Giovanni em 1787 com o próprio ao piano e a dirigir a orquestra; em segundo lugar aqui também teve a estreia de um musical que mais tarde seria a origem do hino Checo e finalmente, este teatro caiu nas bocas do mundo quando o realizador Milos Forman decidiu gravar aqui ao vivo o seu grande filme Amadeus. O filme que retrata a vida de Mozart, uma mega produção, foi gravado maioritariamente em Praga sendo que as cenas de ópera foram filmadas e actuadas neste teatro que segundo direcção do realizador todos os figurantes deveriam estar caracterizados bem como a luz utilizada não foi artificial mas sim os lustres com centenas de velas originais do teatro, ver o filme é realmente voltar ao passado e a pompa do século XVIII.
















No trailer do filme Amadeus dá para ver algumas partes do interior do teatro. Vejam o filme porque é muito interessante.



Mesmo em frete à porta do teatro situa-se o Carolinum, o edificio central da Universidade fundada no século XIV no seu estilo gótico. Foi só o tempo de tirar algumas fotos e andar mais uns metros para chegar ao coração da cidade. A praça da cidade velha estava mesmo ali mas o post ficará para depois. Até lá desfrutem e espero que o bichinho de conhecer Praga já vos esteja a despertar.
Teatro dos Estados

Janela gótica - Carolinum
Entrada do Carolinum









domingo, 21 de novembro de 2010

Nos Jardins do Schonbrunn

Regresso novamente ao blog após um mês intenso, tanto de viagens (foi só uma mas valeu por mil) e de trabalho. Começam a acumular-se recordações e emoções das magnificas viagens que este ano, que está quase no seu fim me foi proporcionando. Desse modo continuo no ponto onde havia parado, na magnifica e sumptuosa Viena de Áustria.

Nenhuma visita ao Schonbrunn fica completa sem uma pessoa passear e deixar-se envolver nos utópicos jardins deste palácio. Abertos aos público deste de 1779 estes jardins barrocos são o cenário perfeito para o palácio e requerem umas boas pernas para percorrer os seus quase 2 km de lado.

Do seu interior vai sendo possível ter alguns vislumbres de todo o parque, mas só quando se contorna o palácio e entramos no portão de acesso aos jardins, nos damos conta da imensidão que nos espera, recebidos por enormes avenidas floridas e com estátuas que dão para recantos tão espectaculares como o palácio. É difícil imaginar que todo este parque nasceu como uma reserva de caça (comum na altura e em Portugal temos muitos bons exemplos disso) e na época da imperatriz Maria Teresa se foi tornando um autentico museu ao ar livre.
O jardim e a vista é dominado pelo Parterre uma enorme avenida simétrica que acaba numa magnifica fonte e no espantoso Gloriette no topo de uma colina. É um espaço enorme e florido, quase uma sala de visitas do jardim e pelo mapa o ponto de partida conhecer todo o parque, o que não impossibilita que uma pessoa não ande perdida pelas avenidas e deparar-mo-nos com autenticas obras de arte. O melhor lugar para vislumbrar esta avenida é a varanda das traseiras que é fácil de encontrar e proporciona um dos melhores ângulos para fotografar todo aquele cenário.

Fonte de Neptuno

 Esta fonte que fica no fim do Parterre e o inicio da colina foi construída em 1770 projectada por Johann Ferdinand von Hohenberg Hetzendorf. O tema é a mitologia grega com Neptuno o senhor dos mares e a sua comitiva, um tema muito comum nesta época pois simboliza o domino dos reis sobre os seus territórios. Infelizmente por ser Inverno a fonte não estava a funcionar dado que a enorme piscina que se estende diante dela estava congelada, de qualquer das formas não deixa de ser impressionante e bela.

Gloriette


Provavelmente é o edifico mais famoso de todo o parque de Schonbrunn, visivel em quase todo o lado do alto da sua colina,como quem observa a vida palaciana no patamar inferior. Construido em 1775 no alto da colina que nos projectos iniciais seria para demolir, é uma estrutura Barroca num estilo que nos faz lembrar um arco do triunfo um pouco mis pomposo de onde se obtém uma vista espectacular de todo o complexo palaciano.
No tempo dos imperadores era utilizado como salão de jantar com uma cozinha independente, que foi destruída em 1925. Durante a segunda guerra mundial foi parcialmente destruído só retomando o seu antigo esplendor após as obras de restauro já no final do século passado.
















Apesar de nas avenidas ajardinadas em redor do palácio a Gloriette parecer ser alcançável em alguns passos, a tarefa torna-se um desafio ao físico. Obviamente que o frio e a neve que começava a cair não ajuda em subidas, mas os caminhos em zigue-zague que até lá ao topo levavam eram um regalo para a vista mas uma presente envenenado para as pernas, afinal a diagonal é sempre o caminho mais longo. Ofegantes e muito cansados, o esforço é logo recompensado com a vista impressionante que dali temos. Não só do palácio como da cidade que vamos conseguindo descobrir alguns dos sus pontos interessante bem ali do alto. O tempo voa enquanto observamos as piscinas que se encontram à frente e atras e com um nevão em cima da cabeça decidimos iniciar a descida, bem devagarinho pois o cenário é bem propício para mil e uma fotografias de nós para nós mesmos, sem nunca largar o inseparável saco com a Sissi estampada pelo qual me afeiçoei. è nestes momentos que sem esperar encontramos 3 tugas de mochilas as costas (de Braga diziam eles) trocamos umas conversas, afinal estavam a fazer o mesmo percurso que nós e foi impossível conter o sorriso quando descobrimos que afinal havia mais gente maluca neste mundo a fazer um mini inter-rail no pico do inverno por aqueles países quase quase gélidos.

Palm House 




Bem num canto oposto do centro do jardim, perto da entrada do Zoo e de outras atracções, fica a famosa estufa. Construída em 1881 toda em ferro e vidro abriga no seu interior espécies de plantas e árvores dos climas tropicais, temperados e frios. São impressionantes os seus 113 metros de comprimento e 28 de altura, que alojam uma autentica floresta tropical no seu interior que no sistema inteligente de vidros, persianas e tubos de vapor pode acolher espécies de todo o mundo. Infelizmente o bilhete é à parte pelo que optamos por não entrar mas do átrio é possível obter uma ideia do que por dentro se esconde. De qualquer das formas a beleza do edifico e dos jardins que o rodeiam são suficientes para uma visita a esta elegante estufa.

Ruínas Romanas




Provavelmente é a obra mais cénica e espectacular de todo o complexo. Construida em 1778 segundo as modas da altura estas ruínas aparecem-nos como uma casa romana a degradar-se na beira de uma piscina, onde toda a estrutura e as envolvencias foram estudadas e executadas até ao mais ínfimo pormenor, no que resultou num cenário do qual não nos cansamos de apreciar.




















Fonte do Obelisco




Esta fonte construída em 1777 apresenta-se como o marco mais importante na avenida leste do parque e na simetria de todo o jardim. Facilmente visível a sua composição é extremamente impressionante: composta por uma gruta com vasos, deuses e animais que jorram água para uma bacia é corada por um obelisco a imitar os do antigo Egipto apoiado em 4 tartarugas douradas como símbolo da estabilidade dos Habsburgs, Nas faces do obelisco estão cartelas  em hieroglíficos que representariam toda a historia desta dinastia, contudo nada dizem porque os hieróglifos na altura em que a fonte fora construída ainda não tinham sido descodificados. a fonte infelizmente não estava a funcionar mas a sua bacia estava congelada como uma pista de patinagem, onde animais como esquilo e cobras fazias as suas tocas nas grutas que se escondem entre as estátuas.















Já sem grandes forças, mas de alma bem cheia estávamos a dor terminada a visita ao incrível mundo do Schloss Schonbrunn. Depois da visitas fantástica feita ao palácio os jardins ainda foram capazes de nos surpreender. Muito bem tratados, limpos e organizados que na sua imensidão escondem dezenas de obras de arte, requintadas e elaboradas que nos deixam sempre de boca aberta. As desvantagens de viajar no pico do inverno limitam-nos em tempo e no que encontramos aberto, pelo que não conseguimos visitar o Zoo (sim o palácio é tão enorme que tem um zoo lá dentro, aliás o mais antigo do mundo) nem o labirinto entre outras atracções. Contudo foi e será uma das melhores visitas culturais que efectuais sobre o barroco e o rococco em todo o mundo. num só palavra: IMPERDIVEL.


Algumas dicas:

  • Jardins são gratuitos, se não tiver tempo/dinheiro para ver o palácio é uma visita imperdivel
  • Tem várias entradas, mas a mais fácil é pela fachada principal nas suas laterais
  • Levar bom calçado
  • Existe um café no Gloriette, mas não encontrei mais nenhum lugar que venda água ou comida em toda a extensão do parque.