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segunda-feira, 20 de abril de 2009

Um Chá no Deserto (em baixo de chuva)



O tempo passa por nós, tão rapidamente que era capaz de jurar que ainda há uns meses estava a tomar um chá no deserto! É neste contexto de um reviver saudosista que dou inicio ao meu pequeno mapa mundi que vou deleneando por estes tempos meio conturbados. Faz um ano precisamente amanhã que embarcamos para terras do Magreb. Éramos 5, os suficientes para caber dentro de um carro, os suficientes para que em número impar ninguem se sentisse a menos e acima de tudo 5 pessoas que mal se conheciam mas plenas de vontade de apanhar uns outros ares.

O destino não era o inicial, mas outros valores se levantaram mais alto e após muita pesquisa encontrámos aquilo que era mesmo o que necessitavamos, porque não um rali pelo Deserto do Sahara?! Sim é isso mesmo, vamos.

As mochilas estavam prontas, a papelada em dia e não tardou o dia zero desta tão louca e revigorante jornada. Eram só 3 horinhas de avião e estávamos a postos para a aventura, minguem nos contou que naquele dia 21 de Abril que chovia a cantaros o "supositório com asas" voasse tão mal, num excelente voo que mais parecia a maquina de lavar quando está a centrifugar. Felizmente aquela lata chegou ao inteira ao chão, mas que sorte era a nossa estava a chover no Magreb?!!!

Enfiaram-nos num autocarro e foram horas e mais horas em plena escuridão sem saber para onde nos levavam, hoje passado um ano ainda nos questionámos onde nos depositaram, o autocarro foi largando passageiros aqui e ali e os 5 (como nos livros de Uma Aventura) ficámos sozinhos bem la no fundo ate que se avistou um hotel onde se passou umas maravilhosas 3 horas de sono, não reparador.

A coisa parecia não estar a correr bem, estava frio, chovia cada vez com mais intensidade, o sono atacava com força e o senhor do hotel teimava em ver os passaportes e a preencher uma serie de papeis em francês e árabe, até que nos disse que nos viriam bucar pelas 6h45 da manha.

A noite passou rápido e assim que vi os raios de luz corri para a janela, e ali estava ele, não o deserto ainda não (afinal estavamos bem longe dele ainda), abri a janela e vi um sol luminoso que emergia do Mediterrâneo, uma espécia de augúrio positivo. Foi num ápice que a trupe se vestiu foi tomer o "petit-dejeuner" e ás 7 horas estávamos prontos para embarcar, e levar a primeira de muitas repreensões em francês/árabe/espanhol, afinal não era para estar ás 06h45?!

Aerobus ...



Cacilhas, Cais do Sodré, Carris nº 91 ... Santissima Trindade de todas as partidas de que já se regressou, das que vou e ainda não voltei, das que um dia talvez irei e quem sabe das partidas de que um dia não voltarei a regressar!
Partir para qualquer lugar sempre me deixou um estado de ansiedade que nunca soube muito bem explicar. Recordo-me dos tempo de escola primária onde nem dormia na excitação das vésperas dos famosos passeios, sim, mesmo aqueles até ao Jardim Zoológico.
Os anos passam assim como as visitas ao Zoo vão rareando, mas a citação mágica do "vamos a..." continua a deixar a sua marca, especialmente nas longas noites de véspera, e quanto mais vou, mais quero voltar a partir.
Viajar tornou-se então quase como uma necessidade humana básica como comer e respirar, assim numa espécie de doença psiquica em tons de obsessão-compulsão em partir, chegar a casa pleno de saudosismo de quem partiu e ao fim de algum tempo estar de novo de trouxa haviada para ir a algum lugar.
Já se passou quase 3 anos dos loucos tempos de universidade (sem bem que ainda nela continuo), dos verões longos, das festas a meio da semana e das responsabilidades tantas vezes deixadas para segundo plano, num paragrafo conclusivo e indibitavel do "logo se vê!". Começar a trabalhar não é facil como é de esperar, ma spor seu lado abre outras portas que até então nao conhecia; abre as portas da conta bancária para irmos viajar aqui ali e acolá sem ter de dar grandes explicações, nem andar numa roda viva de mealheiros, peditórios familiares, aniversários e natais de poupança. Como alguém aqui em casa diz "gastas o dinheiro todo", é verdade, pouco fica para contar a história mas remato o cliché com a tão já habitual explicação do antes pobre e culto do rico e burgenço. lol
E de conta bancária volta e meia vazia, de mochila cada viz mais carregada e a minha Fuji em punho, lá vou na famosa peregrinação da Santissima Trindade com destino ao Nosso Senhor da Portela para mais um carimbo na terceira via deste passaporte.