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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Odaliscas em fatos de neve! Alhambra e os Palácios Nazaries






A noite havia sido de farra até altas horas, mais uma vez as pistas estavam encerradas e de desportos de neve ainda não tinha tido contacto além do tipicamente SKU! Dormiu-se até tarde na tentativa de enganar o tédio que o mau tempo tinha preparado para as nossas mini-férias em pleno Janeiro, e sem grandes planos para o resto do dia a ideia brilhante acabava por surgir, e de novo nos carros descemos a montanha em direcção a Granada, mais precisamente ao Alhambra, e com GPS a funcionar sem nos levar por caminhos obscuros.
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Pouco sabia desse tão famoso monumento, pouco mais além de ser um complexo militar e palaciano dos tempos arábicos da Península Ibérica. de ingresso em punhos e contentes com os 6 euros de desconto para grupos grandes era tempo de explorar o tão famoso Alhambra.

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Meio perdido deixei-me guiar pelos trilhos daquelas árvores enormes e centenárias, num jardim que de tanto andar julguei não ter fim, as muralhas do complexo deixavam-se avistar aqui e ali mas não acreditava que a fama se resumisse a umas muralhas com jardins no meio de ruínas dos antigos mercados (souks). A remoer-me por não ter comprado o mapa na bilheteira os jardins foram escasseando dando lugar a um fosso e mais um sistema de muralhas e um portal, que escondia toda a grande riqueza que o legado árabe deixou à cultura lusitana.

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Começaram a formar-se ruas, alguns edifícios antecipavam aquilo que para um leigo se viria a mostrar um magnifico tesouro. As palavras facilmente podem trair aquilo que este maravilhoso complexo nos tem para oferecer. Espalhado por todo o recinto encontram-se as fortificações ainda intactas do complexo e da genialidade militar do povo muçulmano mas que rapidamente o olhar se perde para os magníficos Palácios Nazaries, Comores e Leões, dos seus intrincados trabalhos de estuque nas paredes e nos tectos, da complexidade e fascinante arquitectura muçulmana.
Não há palavras que descrevam tudo o que aquelas muralhas escondem, menos palavras existem para a admiração com que nos arrebata cada divisão que vamos passando, e ao longo das várias horas que o passeio merece nada nos deixa de surpreender. Não me estendo em mais palavras porque as imagens podem falar por si, e ainda hoje me ponho a pensar de como o mundo é uma ervilha, que após um passeio pelo Magreb, o seu deserto e a sua cultura mística, um dos maiores contributos da cultura muçulmana clássica para o mundo se encontre tão pertinho de nós.



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Anoitecia lentamente e o fim da visita forçosamente se aproximava, e de fatos de neve vestidos sob o intenso frio que a neve fazia sentir deixamos a promessa de um dia voltar.


O Alhambra mostrou-se mais do que um sonho da mil e uma noites e não é dificil de deixar fluir a imaginação para uma dessas noites encantadas.






PS: Fica a promessa de no próximo post publicar as fotos do interior dos palácios. Se quiserem ver estas fotografias maiores é só clicar por cima delas.


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terça-feira, 13 de outubro de 2009

Eu bem disse que devia ter trazido o saco de Plástico!


Na excitação de experimentar os tão famosos desportos de neve, aliado ao calor infernal que o sistema de aquecimento nos proporcionou, a noite passou lenta e vagarosamente entre a ansiedade de ir fazer ski pela primeira vez bem como o desejo de sair daquela sauna a que chamavam quarto. O despertador tocou ainda o dia não tinha nascido, da janela do apartamento vislumbrava algumas luzes das pistas, e numa ansiedade quase infantil foi tempo de tomar o pequeno-almoço e enfiar-me dentro daquele fato (quente) que me deu um ar de chouriço que mal se podia mexer.
Uma volta pela vila em tom de reconhecimento do terreno e após alguns contactos já nos encontrava-mos dentro de uma loja a experimentar o material que iríamos alugar, a risota depressa se instalou, os amigos mais experientes a ajudar os outros a tentar calçar aquelas botas (que diga-se: confortávies e leves) e despendendo cerca de 20 minutos para cada pé, lá nos conseguimos por a andar tal qual robot-cop nas suas patrulhas contra o mal. Era simplesmente impossível andar com aquelas coisas nos pés, nenhuma articulação mexe, a perna não dobra e aquela neve e gelo no alcatrão esperavam ansiosamente pelos primeiros contactos com os nossos traseiros.
Com o material em punho e em tornozelos era hora do inevitável, comprar os fort-faits e experimentar o tão famoso ski. Mas depressa a ansiedade deu lugar à desilusão, as pistas estavam todas fechadas , sem perspectivas de abrir, ao menos podia tirar aquelas coisas dos pés e andar mais livremente. Com a  desolação estampada no rosto pouco nos restava a fazer, a manhã foi dedicada a uma maratona infindável de cafés e lojas, o ar começava a escurecer antecipando um grande nevão e obviamente a não abertura das pistas. Após o almoço e uma rodada de jogatana de cartas tínhamos esgotado todos os passatempos possíveis, a neve lá fora caía com grande intensidade, mas a ansiedade dos novatos não permitia a uma sesta pela tarde dentro. Afinal, as pistas estavam fechadas mas neve não era o que faltava por aqueles lados, e de fatos novamente vestidos dedicamos a tarde aquele desporto olimpico tipicamente portugues : SKU
De rabo espetado na neve não houve monte nem descida que os belos portugueses não se fizessem de rabo à neve numa galhofa pela tarde inteira. Afinal eu sempre tinha razão, devíamos ter trazido o saco de plástico.

sábado, 3 de outubro de 2009

Se cá nevasse ...


Empanturrado dos doces do Natal e ainda a evaporar o álcool do fim de ano o telemóvel tomava em tocar cedinho pela manhã. Estou? Não, nesses dias não sei o que 'tou a fazer! Porquê? Neve?!!! Ok conta comigo!! Estava lançada a primeira pedra para a minha cabeça estar já em órbita com destino à neve!
Destino, Sierra Nevada, neve avistada na minha vida: Serra da Estela, Ok desta vez era a sério, e em plena aptidão física que vou apresentando desde há alguns anos era a altura ideal para me dedicar aos desportos de neve.
Num instante comprei casacos e fatos e toda uma colecção de material (diga-se volumoso), que mal enfiados na mártir mochila de campismo estavam prontos a embarcar em mais uma aventura, desta vez gelada!
O dia acordou chuvoso, as mochilas mal cabiam na bagageira do carro que a custo se fechou e nos metemos
à estrada. O frio de Janeiro em Lisboa já se fazia sentir com bastante intensidade, a durante as mais de 10 horas de alcatrão a chuva teimou em nos acompanhar e em manter cada vez mais forte a sua presença. Paragem Obrigatória: Granada, para ninguém se perder, e de GPS em punho deixamo-nos conduzir pela senhora que sabe todos os caminhos desse mundo afora.
Toca o telémovel, estava tudo em Granada à nossa espera, onde estamos? Não sei digo, mas já vejo neve parece-me que já estou na Serra Nevada!!! Ok encontramos no apartamento!
Havia anoitecido e a chuva tinha dado lugar à neve, o bréu envolvia os farois do carro cuja luz reflectia nos flocos de neve, afinal onde raio nós estávamos?  Já estamos no apartamento e vocês? Não sei so vejo um caminho como o das cabras e neve neve, isto não para de subir e só vejo ravinas, acho que nos perdemos.
A estrada estreita não permitia fazer inversão de marcha, o GPS teimava naquele caminho e de nervos muito à flor da pele, na escuridão quase total só nos restou continuar a subir aquele carreiro de cabras. Ao fim de mais de 45 minutos perdidos na Sierra Nevada avistamos a vila, e um olhar pelo espelho retrovisor denunciou o erro: Carretera Rural! 
Vivos e gelados até aos ossos depositamos as tralhas no apartamento e era hora de ir jantar. A neve caía com grande intensidade, tanta como nunca havia visto e um pé em falso logo na saída de casa e ganhou-se uma visita ao alcatrão congelado. Não houve carimbos no passaporte mas a primeira noite ganhou umas nódoas negras de recordação, e de corpo gelado e rabo dorido e queimado pelo frio do gelo o corpo pedia uma cama bem aquecida. Regulou-se o termostato para o máximo e com um calor abrasador no quarto para 4 pessoas fez-se a moral do primeiro dia de viagem: é favor não confiar na senhora que mora dentro do GPS!

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Passaporte sem carimbo!


Ainda meio balançado, deposito a mala de viagem em cima da cama e dou por encerrada mais uma aventura. A mochila do campismo ficou dentro do armário, desta vez exigia algo mais composto, e lá saiu o malão, quase um baú dos tempos antigos. Como se consegue levar tanta roupa para andar por aí, na nossa velha Europa?!
E a olhar para o pôr do sol neste oceano quase infinito, descarrego as fotos da máquina ao mesmo tempo que descarrego as recordações. Mais uma partida terminada, o coração vem mais cheio, o trabalho espera-nos mas a cabeça já pensa em partir.
A meio gás retorno ao quotidiano, a mala afinal fica meio desfeita pode ser que a tenha de fechar brevemente.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Asalam Aleikum


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O sonho Magrebino aproximava-se rapidamente do fim, de corpo cansados e mentes plenas de energia, foi impossível resistir ao impulso azul intenso do Mediterrâneo e não deixar fluir estes últimos 2 dias numa lânguida sensação de êxtase. Assim foram passando estes dois dias de forma calma e serena, em jeito de despedida do que nos foi tão intenso e que há boa maneira portuguesa já se chora mesmo antes da despedida.
O sol ia brindando os dias aos quais o corpo se foi recompondo de tantos quilómetros de carreiros e dunas ,em longos e demorados banhos de mar. Tinha sido fantástico, sem qualquer dúvida, e com uma certeza partimos de que não se volta ao sitio onde se foi feliz, porque o que nos preenche por completo só acontece uma vez que jamais se poderá repetir.
O adeus estava eminente, apenas umas horas de sono para nos deixar de novo no aeroporto no regresso
à nossa incrivel e também cruel Lisboa. Mas não, era impossível deixar esta terra sem uma despedida à altura, sem fazer qualquer coisa de completamente genuino saída de 5 cabeças completamente em sintonia, assim, contra qualquer recomendações de guias e hoteis porque não dar uma voltinha pela noite dentro nos labirinticos souks trajados a rigor??!!
Não havia volta a dar, taxis à porta, turbantes na cabeça e em 15 minutos nos vimos rodeados de ruelas, ruas e becos sem saída, numa escuridão quase total. Sem vivalma por perto, nem pontos de referencia não tardou muito para estarmos perdidos, começou o coração a batucar mais forte e um nervoso miudinho a dizer cá dentro que tínhamos de sair dali e depressa. Uma voz chamou do escuro num francês cantado, e sem pensar dissemos em uníssono que SIM, queremos ajuda!!
Percorremos mais umas milhentas ruelas, todas iguais, todas sem saída, o senhor tinha uma loja (dizia ele no seu francês) e porque não passaríamos por lá?!  Fazia bom preço.
Com tanta reviravolta, demo-nos frente a frente com um portão e um olhar que dizia, silencio para não acordar ninguém. O portão abriu-se um pouco e entrámos num pátio pequeno e apinhado de pratos de cerâmica e tantas mais quinquilharias; no terraço ouvia-se uma televisão e o homem desapareceu na escuridão da casa. Olhares trocaram-se a toque de medo, era agora que íamos ficar sem um rim pelo menos.
A luz acendeu-se e o bazar iluminou-se de milhares de peças de artesanato, mal nos podíamos mexer, afinal era hora de ir as compras.
Escolhido o que era para comprar e depois de horas intermináveis de regateio, uns presentes pelo bom negócio fomos deixados no taxi de regresso ao hotel, já a noite ía alta.
Só restava tempo de enfiar a tralha nas mochilas e dar umas 2 horinhas de descanço, aquando nos apercebemos do magnifico negocio que havia sido feito. Em cima das camas espalhavam-se cofres e baús de todos os tamanhos, tapetes e carpetes, serviços de chá e cafeteiras de estanho, pulseiras, shishas e toda uma imensidão de artigos que ainda hoje não os tenho arrumados em casa.
Era impossível, tanta tralha não cabia nas mochilas do campismo e de manhã bem cedinho, tal acampamento de ciganos fizemos o check-in no aeroporto com mais de uma dúzia de sacos de plástico recheados de tralha.
Entalados nos bancos entre os sacos de plástico e os serviços de pratos de cerâmica, vimos da janelinha redonda as terras do Magrebe afastarem-se, num sonho que apesar de tudo havia sido realidade!
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terça-feira, 8 de setembro de 2009

Em Azul e Branco!

















O deserto havia ficado para trás, e por acordo mútuo havíamos escolhido um hotel tipo fantástic para nos acolher nas últimas 3 noites pelo Magrebe. Como numa esfera perfeita, 360º dados e voltámos ao ponto de partida, de novo na Tunísia, bem instalados, longe dos cous-cous e numa de ficar de papinho para o ar nos últimos 3 dias, não tivesse sido uma olhadela rápida por um panfleto que anunciava arábicamente as suas viagens! Contados os últimos tostões uns telefonemas e pronto, lá voltaríamos a acordar às 5 da manhã para não lhe perder o ritmo.
Como que abandonados, o conforto do nosso Jeep moldado aos nossos traseiros havia sido trocado por um autocarro cheio de turistas, tão cheio que para quem andou estes dias no deserto parecia uma multidão. De rumo à capital não tardou muito para que os olhos só vislumbrassem uma magnifica paisagem interior, algum guia tagarelava qualquer coisa em espanhol, os espanhóis riam e nós .... dormíamos.
Primeira paragem no Museu do Bardo, deveras interessante mas apinhado de objectos num harém de à muitos séculos atrás, coroado com cúpulas magnificas. Rapidamente o olhar se desprendeu das explicações e com a cabeça a fervilhar de cansaço e aventura, decidimos explorar o museu de uma maneira bem mais peculiar. E da cultura à loucura, é só um saltinho quando demos conta não havia palanquim onde não houvesse imitação de uma estátua eroticamente destruída.
A visita foi terminando à proporção do aumento dos vendedores de colares e bujigangas pendurados na porta do autocarro, e quanto mais este acelerava, mais o preço baixava, sempre se trouxe uma serie de colares que tirei da mão da mão do homem e lhe espetei uma nota das mais pequenas. Não muito longe, o autocarro deu ordem de soltura, as ruínas de Cartago estavam à distancia de um portão. Nunca me atraíram muito ruínas,  mas Cartago brindou-nos com um sol radioso a contrastar com o azul cobalto do Mediterrâneo, onde outrora nascera uma cidade, cujas termas após mais de 2 mil anos ainda teimam em se erguer do alto das suas colunas jónicas, deixando bem cá dentro a pergunta a flutuar de como haviam conseguido? Foi irresistível não tirar o dedo do botão da máquina, de pousar e pousarem em cima das colunas e dos arcos tais modelos duma marca qualquer, e ao mesmo tempo conseguir admirar todo o esplendor de uma civilização que da qual também fizemos parte.
O sol ia bastante alto, e nada melhor que acabar a manhã em Sidi bou Saïd. a vila fervilhava de turistas e de lojas de recuerdos, e imunes aos pregões dos vendedores fomos absorvidos pelo esplendor da cidade azul e branca (houve quem fosse realmente absorvido dentro das lojas). O branco intenso fazia sobressair o azul profundo de estranhos emaranhados de ferro e madeira que cobriam portas e janelas, numa atmosfera quente e atraente, onde apetece permanecer e ficar olhar para o infinito, deixar fugir um sorriso e encerrar um capitulo em estilo de La dolce vita! 
Mas a doce vida tinha hora marcada, um belo prato de cous-cous esperava-nos em Tunes, assim como um passeio pelas suas avenidas. Tunes mostrou.se uma cidade moderna, elegante e sedutora, fruto da mescla francesa e magrebina. Polvilhada de lojas e longas avenidas que terminavam no seu fantástico e labiríntico souk, de cafés apinhados de homens na lentidão dos seus cachimbos de água sob o contraste do fervilhante mercado, onde ninguem resistiu a comprar umas vestes das 1001 noites que têm feito enorme furor nos carnavais!! Bem regateadas e metidas no saco de plástico, um presentinho do senhor da loja e o dia marcava o seu fim numa viagem de regresso que os surpreendeu em beleza e diversão, encheu um pouco mais as páginas vazia da cultura geral e nos trouxe de volta à civilização, após o sonho do magnifico deserto,
A noite caiu rapidamente e ninguém se fez rogado a deixar-se embalar nos braços de um sono profundo.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Já gastamos as palavras pela rua ...









O sol madrugou cedo, tal como os nossos corpos se haviam habituado a estes dias vespertinos, era o dia do último adeus ao surpreendente e majestoso deserto que nos foi aproximando a cada grão de areia que por nós passava. Um último olhar pela janela para a cidade das rosas do deserto. A poeira levantada pelo Jeep (que de tanto uso já se consideraria ortopédico) deixava vislumbrar um caminho um pouco mais acidentado, um ar mais fresco, afinal estávamos finalmente a penetrar nos meandros do Atlas. Uma paragem no meio de uns rochedos, polvilhados de barraquinhas de “recuerdos” naquele planalto desolado, aparentemente o Atlas não recebia os seus convidados da melhor forma, até que o canto do olho repara naquele enorme buraco mesmo ali a uns metros dos nossos pés. Tamerza encheu-nos o espírito, dum pequeno fio de água naquela quase estéril terra formava-se uma pequena mas impressionante queda de água, que repousava numa lagoa que fluía por aquele mar de areia sabe Deus para que destinos. O Atlas não nos desapontaria, e com essa certeza guardada nos nossos peitos e nos cartões de memória da máquina fotográfica partimos…
A despedida do Sahara tinha de ser em grande, não nos podia decepcionar tinha de superar tudo aquilo que em poucos dias se consegue construir e que certamente o tempo não pode apagar. A estrada subia a cada metro cada vez mais tortuosa fazendo com que a imensidão deste deserto preenche-se a totalidade da nossa visão, dos nossos corações, que nos deixa a pensar como a ausência de tudo aquilo a que nos habituamos pode ser tão benéfica e do como quase nada se pode construir um quase tudo.
De cabeça ocupada nestas filosofias de sonhador compulsivo, nem dei pelo parar do Jeep entre uns quantos outros, mesmo de fronte a um enorme e maciço bloco de pedra cor de cobre. Não sabia onde estávamos, deixadas as recomendações de levar água e um par de ténis confortáveis e que nos viriam buscar dali por umas 2 horas. Havia algo por explorar. O caminho quase tão estreito pelos rochedos como o das cabras, contornava-os dando espaço ainda para uns vendedores que empunhavam pedras de quartzo e ametistas nas suas mãos. Nesse serpentear avistamos um riacho, uma palmeira, que se vão multiplicando à proporção dos nossos passos e se transformavam num luxuriante oásis de Montanha. A mandíbula desencaixou do maxilar, afinal o paraíso não fica nas Maldivas nem coisa assim, é ali mesmo no meio dos rochedos do deserto. Os riachos transformaram-se em quedas de águas ao longo da subida, das suas bacias repousavam lagoas de um azul tão intenso como o céu que as palmeiras quase cobriam e bem lá no alto contemplar toda esta beleza do nosso lado esquerdo e toda a imensidão do deserto do nosso lado direito surgiu como a catarse perfeita para tudo aquilo que havíamos vivido.
Na descida o Jeep esperávamos (hora de liga para o emprego e mandar 1 MMS para meter inveja) ainda nos aguardava a despedida das terras de Argel e o regresso ao ponto de partida seria feito de comboio, daquele a vapor cujo passo humano quase os consegue acompanhar. Passamos por túneis onde reinava o breu, paramos em locais daqueles que fazem lembrar as histórias bíblicas (o que não absteve de algumas mentes tirarem umas fotos à altura), uma paragem para meter carvão e muito, muito devagarinho chegamos ao destino. Era sexta-feira, o dia santo do Islamismo, estávamos na quarta cidade santa do Islão, o chamamento para a oração fluía pelo ar num tom quase ensurdecedor. Era o ponto final desta viagem, mas não o parágrafo travessão, ainda restavam três dias de praia e descanso. As despedidas foram duras, intensas polvilhadas por algumas lágrimas nos rostos dos nossos amigos espanhóis, este percurso havia terminado, o futuro havia sido lido nas palmas das nossas mãos, promessas de voltar ficaram no ar (e como promessa é dívida, uma já foi paga). Um último olhar para trás, um último adeus aos nossos amigos e o desejo de que tudo um dia seja tão profundo e intenso como aquilo que o Sahara nos proporcionou.