O encanto do complexo de Alhambra dificilmente se esgota, e quando pensamos que os Palácios Nazaries nos surpreenderam, encontramo-nos novamenti envoltos na fascinante mística deste complexo. O final da visita faz-se pelo Generalife, considerada uma vila de jardins e de descanço para o Sultanato do Al Andaluz, somente as fotografias podem deixar um gostinho das surpresas finais que todo este mundo das mil e uma noite nos tem para oferecer. Certamente um destino a repetir.
Como prometido deixo-vos algumas das fotos dos Palácios Nazaries, parte do enorme complexo do Alhambra que foram construidos entre os séculos XII e XV, albergando os espetaculares Mexuar, Palácio de Comares e o Palácio dos Leões. São realmente fenomenais toda a mestria dos árabes que conseguem esconder estes palácios da vista do público e só quando entramos é que revelam toda a sua opulência. Uma visita obrigatória por quem andar por terras da Andaluzia.
Entrada do Mexuar, que funcionava como sala de recepção e de despacho da documentação do Império, tendo sido o primeiro palácio a ser construído
Pátio do Quarto Dourado, que antecede às dependências privadas dos sultões
A noite havia sido de farra até altas horas, mais uma vez as pistas estavam encerradas e de desportos de neve ainda não tinha tido contacto além do tipicamente SKU! Dormiu-se até tarde na tentativa de enganar o tédio que o mau tempo tinha preparado para as nossas mini-férias em pleno Janeiro, e sem grandes planos para o resto do dia a ideia brilhante acabava por surgir, e de novo nos carros descemos a montanha em direcção a Granada, mais precisamente ao Alhambra, e com GPS a funcionar sem nos levar por caminhos obscuros.
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Pouco sabia desse tão famoso monumento, pouco mais além de ser um complexo militar e palaciano dos tempos arábicos da Península Ibérica. de ingresso em punhos e contentes com os 6 euros de desconto para grupos grandes era tempo de explorar o tão famoso Alhambra.
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Meio perdido deixei-me guiar pelos trilhos daquelas árvores enormes e centenárias, num jardim que de tanto andar julguei não ter fim, as muralhas do complexo deixavam-se avistar aqui e ali mas não acreditava que a fama se resumisse a umas muralhas com jardins no meio de ruínas dos antigos mercados (souks). A remoer-me por não ter comprado o mapa na bilheteira os jardins foram escasseando dando lugar a um fosso e mais um sistema de muralhas e um portal, que escondia toda a grande riqueza que o legado árabe deixou à cultura lusitana.
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Começaram a formar-se ruas, alguns edifícios antecipavam aquilo que para um leigo se viria a mostrar um magnifico tesouro. As palavras facilmente podem trair aquilo que este maravilhoso complexo nos tem para oferecer. Espalhado por todo o recinto encontram-se as fortificações ainda intactas do complexo e da genialidade militar do povo muçulmano mas que rapidamente o olhar se perde para os magníficos Palácios Nazaries, Comores e Leões, dos seus intrincados trabalhos de estuque nas paredes e nos tectos, da complexidade e fascinante arquitectura muçulmana.
Não há palavras que descrevam tudo o que aquelas muralhas escondem, menos palavras existem para a admiração com que nos arrebata cada divisão que vamos passando, e ao longo das várias horas que o passeio merece nada nos deixa de surpreender. Não me estendo em mais palavras porque as imagens podem falar por si, e ainda hoje me ponho a pensar de como o mundo é uma ervilha, que após um passeio pelo Magreb, o seu deserto e a sua cultura mística, um dos maiores contributos da cultura muçulmana clássica para o mundo se encontre tão pertinho de nós.
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Anoitecia lentamente e o fim da visita forçosamente se aproximava, e de fatos de neve vestidos sob o intenso frio que a neve fazia sentir deixamos a promessa de um dia voltar.
O Alhambra mostrou-se mais do que um sonho da mil e uma noites e não é dificil de deixar fluir a imaginação para uma dessas noites encantadas.
PS: Fica a promessa de no próximo post publicar as fotos do interior dos palácios. Se quiserem ver estas fotografias maiores é só clicar por cima delas.
Na excitação de experimentar os tão famosos desportos de neve, aliado ao calor infernal que o sistema de aquecimento nos proporcionou, a noite passou lenta e vagarosamente entre a ansiedade de ir fazer ski pela primeira vez bem como o desejo de sair daquela sauna a que chamavam quarto. O despertador tocou ainda o dia não tinha nascido, da janela do apartamento vislumbrava algumas luzes das pistas, e numa ansiedade quase infantil foi tempo de tomar o pequeno-almoço e enfiar-me dentro daquele fato (quente) que me deu um ar de chouriço que mal se podia mexer.
Uma volta pela vila em tom de reconhecimento do terreno e após alguns contactos já nos encontrava-mos dentro de uma loja a experimentar o material que iríamos alugar, a risota depressa se instalou, os amigos mais experientes a ajudar os outros a tentar calçar aquelas botas (que diga-se: confortávies e leves) e despendendo cerca de 20 minutos para cada pé, lá nos conseguimos por a andar tal qual robot-cop nas suas patrulhas contra o mal. Era simplesmente impossível andar com aquelas coisas nos pés, nenhuma articulação mexe, a perna não dobra e aquela neve e gelo no alcatrão esperavam ansiosamente pelos primeiros contactos com os nossos traseiros.
Com o material em punho e em tornozelos era hora do inevitável, comprar os fort-faits e experimentar o tão famoso ski. Mas depressa a ansiedade deu lugar à desilusão, as pistas estavam todas fechadas , sem perspectivas de abrir, ao menos podia tirar aquelas coisas dos pés e andar mais livremente. Com a desolação estampada no rosto pouco nos restava a fazer, a manhã foi dedicada a uma maratona infindável de cafés e lojas, o ar começava a escurecer antecipando um grande nevão e obviamente a não abertura das pistas. Após o almoço e uma rodada de jogatana de cartas tínhamos esgotado todos os passatempos possíveis, a neve lá fora caía com grande intensidade, mas a ansiedade dos novatos não permitia a uma sesta pela tarde dentro. Afinal, as pistas estavam fechadas mas neve não era o que faltava por aqueles lados, e de fatos novamente vestidos dedicamos a tarde aquele desporto olimpico tipicamente portugues : SKU
De rabo espetado na neve não houve monte nem descida que os belos portugueses não se fizessem de rabo à neve numa galhofa pela tarde inteira. Afinal eu sempre tinha razão, devíamos ter trazido o saco de plástico.
Empanturrado dos doces do Natal e ainda a evaporar o álcool do fim de ano o telemóvel tomava em tocar cedinho pela manhã. Estou? Não, nesses dias não sei o que 'tou a fazer! Porquê? Neve?!!! Ok conta comigo!! Estava lançada a primeira pedra para a minha cabeça estar já em órbita com destino à neve!
Destino, Sierra Nevada, neve avistada na minha vida: Serra da Estela, Ok desta vez era a sério, e em plena aptidão física que vou apresentando desde há alguns anos era a altura ideal para me dedicar aos desportos de neve.
Num instante comprei casacos e fatos e toda uma colecção de material (diga-se volumoso), que mal enfiados na mártir mochila de campismo estavam prontos a embarcar em mais uma aventura, desta vez gelada!
O dia acordou chuvoso, as mochilas mal cabiam na bagageira do carro que a custo se fechou e nos metemos
à estrada. O frio de Janeiro em Lisboa já se fazia sentir com bastante intensidade, a durante as mais de 10 horas de alcatrão a chuva teimou em nos acompanhar e em manter cada vez mais forte a sua presença. Paragem Obrigatória: Granada, para ninguém se perder, e de GPS em punho deixamo-nos conduzir pela senhora que sabe todos os caminhos desse mundo afora.
Toca o telémovel, estava tudo em Granada à nossa espera, onde estamos? Não sei digo, mas já vejo neve parece-me que já estou na Serra Nevada!!! Ok encontramos no apartamento!
Havia anoitecido e a chuva tinha dado lugar à neve, o bréu envolvia os farois do carro cuja luz reflectia nos flocos de neve, afinal onde raio nós estávamos? Já estamos no apartamento e vocês? Não sei so vejo um caminho como o das cabras e neve neve, isto não para de subir e só vejo ravinas, acho que nos perdemos.
A estrada estreita não permitia fazer inversão de marcha, o GPS teimava naquele caminho e de nervos muito à flor da pele, na escuridão quase total só nos restou continuar a subir aquele carreiro de cabras. Ao fim de mais de 45 minutos perdidos na Sierra Nevada avistamos a vila, e um olhar pelo espelho retrovisor denunciou o erro: Carretera Rural!
Vivos e gelados até aos ossos depositamos as tralhas no apartamento e era hora de ir jantar. A neve caía com grande intensidade, tanta como nunca havia visto e um pé em falso logo na saída de casa e ganhou-se uma visita ao alcatrão congelado. Não houve carimbos no passaporte mas a primeira noite ganhou umas nódoas negras de recordação, e de corpo gelado e rabo dorido e queimado pelo frio do gelo o corpo pedia uma cama bem aquecida. Regulou-se o termostato para o máximo e com um calor abrasador no quarto para 4 pessoas fez-se a moral do primeiro dia de viagem: é favor não confiar na senhora que mora dentro do GPS!
Ainda meio balançado, deposito a mala de viagem em cima da cama e dou por encerrada mais uma aventura. A mochila do campismo ficou dentro do armário, desta vez exigia algo mais composto, e lá saiu o malão, quase um baú dos tempos antigos. Como se consegue levar tanta roupa para andar por aí, na nossa velha Europa?!
E a olhar para o pôr do sol neste oceano quase infinito, descarrego as fotos da máquina ao mesmo tempo que descarrego as recordações. Mais uma partida terminada, o coração vem mais cheio, o trabalho espera-nos mas a cabeça já pensa em partir.
A meio gás retorno ao quotidiano, a mala afinal fica meio desfeita pode ser que a tenha de fechar brevemente.
O sonho Magrebino aproximava-se rapidamente do fim, de corpo cansados e mentes plenas de energia, foi impossível resistir ao impulso azul intenso do Mediterrâneo e não deixar fluir estes últimos 2 dias numa lânguida sensação de êxtase. Assim foram passando estes dois dias de forma calma e serena, em jeito de despedida do que nos foi tão intenso e que há boa maneira portuguesa já se chora mesmo antes da despedida.
O sol ia brindando os dias aos quais o corpo se foi recompondo de tantos quilómetros de carreiros e dunas ,em longos e demorados banhos de mar. Tinha sido fantástico, sem qualquer dúvida, e com uma certeza partimos de que não se volta ao sitio onde se foi feliz, porque o que nos preenche por completo só acontece uma vez que jamais se poderá repetir.
O adeus estava eminente, apenas umas horas de sono para nos deixar de novo no aeroporto no regresso
à nossa incrivel e também cruel Lisboa. Mas não, era impossível deixar esta terra sem uma despedida à altura, sem fazer qualquer coisa de completamente genuino saída de 5 cabeças completamente em sintonia, assim, contra qualquer recomendações de guias e hoteis porque não dar uma voltinha pela noite dentro nos labirinticos souks trajados a rigor??!!
Não havia volta a dar, taxis à porta, turbantes na cabeça e em 15 minutos nos vimos rodeados de ruelas, ruas e becos sem saída, numa escuridão quase total. Sem vivalma por perto, nem pontos de referencia não tardou muito para estarmos perdidos, começou o coração a batucar mais forte e um nervoso miudinho a dizer cá dentro que tínhamos de sair dali e depressa. Uma voz chamou do escuro num francês cantado, e sem pensar dissemos em uníssono que SIM, queremos ajuda!!
Percorremos mais umas milhentas ruelas, todas iguais, todas sem saída, o senhor tinha uma loja (dizia ele no seu francês) e porque não passaríamos por lá?! Fazia bom preço.
Com tanta reviravolta, demo-nos frente a frente com um portão e um olhar que dizia, silencio para não acordar ninguém. O portão abriu-se um pouco e entrámos num pátio pequeno e apinhado de pratos de cerâmica e tantas mais quinquilharias; no terraço ouvia-se uma televisão e o homem desapareceu na escuridão da casa. Olhares trocaram-se a toque de medo, era agora que íamos ficar sem um rim pelo menos.
A luz acendeu-se e o bazar iluminou-se de milhares de peças de artesanato, mal nos podíamos mexer, afinal era hora de ir as compras.
Escolhido o que era para comprar e depois de horas intermináveis de regateio, uns presentes pelo bom negócio fomos deixados no taxi de regresso ao hotel, já a noite ía alta.
Só restava tempo de enfiar a tralha nas mochilas e dar umas 2 horinhas de descanço, aquando nos apercebemos do magnifico negocio que havia sido feito. Em cima das camas espalhavam-se cofres e baús de todos os tamanhos, tapetes e carpetes, serviços de chá e cafeteiras de estanho, pulseiras, shishas e toda uma imensidão de artigos que ainda hoje não os tenho arrumados em casa.
Era impossível, tanta tralha não cabia nas mochilas do campismo e de manhã bem cedinho, tal acampamento de ciganos fizemos o check-in no aeroporto com mais de uma dúzia de sacos de plástico recheados de tralha.
Entalados nos bancos entre os sacos de plástico e os serviços de pratos de cerâmica, vimos da janelinha redonda as terras do Magrebe afastarem-se, num sonho que apesar de tudo havia sido realidade!