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sábado, 14 de novembro de 2009

Kelly Slater da Neve!!

 
 
Aproximava-se a grande velocidade a hora da partida, a noite tinha sido mais uma das loucas que se tinham antecedido, o álcool aquecia os corpos por demais enregelados mas ainda não tinha experimentado os famosos desportos de neve. O material acumulava-se na entrada do apartamento, Skis bostas e afins e ainda nada tinha tido o prazer de ser utilizado.
Acabadinhos de acordar com os galos, o despertador batia as 6 da manhã e transformados novamente em Robot Cop (com uma barrinha de cereais no fato, não fosse a fome apertar) estava de plantão à porta dos teleféricos, e qual criança no Natal a informação que as pistas estavam abertas deixou-me em pulgas.
Agarrei naquela tralha toda que tinha de transportar, e quase num espetaculo circense consegui enfiar-me dentro da cabine sem cair, a viagem durava perto de 20 minutos sobre vales e penhascos nevados, que mal se distinguiam na imensa neblina que se fazia sentir, chegando a um enorme e quase sem fim manto branco, com outras tantas cadeiras para nos levar ainda mais para cima.
Decidido a brilhar nos desportos de Inverno, estava ansioso para o inicio da aula, primeiro só com um pé, depois com o outro e logo se seguida com o rabo no chão, ainda em plena linha recta. A coisa não estava a correr nada bem, aquilo escorrega que se farta e a próxima lição seria na já na pista dos principiantes. três dias de espera tinham sido recompensados com uma professora bem jeitosa, Laura de seu nome, altura metade da minha. Teimava que havíamos de descer a pista face to face ela de costas e eu de frente, e no balanço que os skis davam sem saber como parar aquelas coisas nos pés, não posso negar que me agarrei por diversas vezes onde não devia não prestando atenção às instruções "frena Luís, hace fuerza en las rodillas!" , qual quê!!?
A aula havia terminado, estava por minha conta e decidi dedicar o resto do dia neste desporto que efectivamente eu não conseguia dominar. O esforço foi intenso mas as quedas eram inevitáveis, nem sozinho nem agarrado a pessoas o meu fim era sempre o mesmo, caído no chão, e toca a levantar, subir uns bons metros da pista, colocar o ski outra vez e ao fim de 30 segundos estava eu no chão novamente.
Completamente estafado e teimando em continuar  minha saga, começava a adensar-se um nevão, primeiro os flocos caiam pacificamente dando alguma piada e refrescando o corpo que aquecia a altas temperaturas debaixo de tanta roupa. progressivamente o céu começou a ficar mais escuro que se anoitecesse e a neve caía agora com força, quase picadas na face, o visibilidade não passava de uns meros metros diante da nossa vista e finalmente conseguia fazer uma pista completa sem cair, tal qual o Kelly Slater da neve. A neve estava cada vez mais intensa e era hora de partir, ao menos havia feito uma pista, mesmo que tenha sido para iniciados, e era hora de meter as correntes no carro e fazer-mo-nos a estrada, repleta de neve, dando-se inicio a mais uma aventura. Era hora de Car ski, a neve fazia paredes nas bermas da estrada e nem as correntes nos pneus impediram de fazermos patinagem artística com o carro, a velocidade de 5 km/h e sendo os cabecilhas da fila de carros que se propunha a descer a montanha o medo começou a apoderar-se, tínhamos de sair dali, utilizar o travão dava direito a despistagem, a neve caía cada vez com mais força, olhando pelo espelho retrovisor os carros que seguiam atrás do nosso teimavam em andar aos S e a bater uns nos outros, e ao fim de 3 horas para percorrer 30 km  e 3 dos 5 carros do grupo ligeiramente acidentados conseguimos parar numa estação de serviço.
A noite adentrou-se e após mais de 12 horas a conduzir chegamos ao conforto da nossa casa, o relógio marcava 4.30 da manhã, e num sono de 2 horas estava pronto para ir trabalhar às 7 da manhã!


 De carros ligeiramente amolgados, o corpo repleto de hematomas e equimoses, o corpo estourado, para o ano estaremos a marcar presença, e eu obviamente inscrito nos Jogos Olímpicos de Inverno.    

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Pelos Jardins de Generalife

O encanto do complexo de Alhambra dificilmente se esgota, e quando pensamos que os Palácios Nazaries nos surpreenderam, encontramo-nos novamenti envoltos na fascinante mística deste complexo. O final da visita faz-se pelo Generalife, considerada uma vila de jardins e de descanço para o Sultanato do Al Andaluz, somente as fotografias podem deixar um gostinho das surpresas finais que todo este mundo das mil e uma noite nos tem para oferecer. Certamente um destino a repetir.










  

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Palácios Nazaries, as fotos!

Como prometido deixo-vos algumas das fotos dos Palácios Nazaries, parte do enorme complexo do Alhambra que foram construidos entre os séculos XII e XV, albergando os espetaculares Mexuar, Palácio de Comares e o Palácio dos Leões. São realmente fenomenais toda a mestria dos árabes que conseguem esconder estes palácios da vista do público e só quando entramos é que revelam toda a sua opulência. Uma visita obrigatória por quem andar por terras da Andaluzia.





Entrada do Mexuar, que funcionava como sala de recepção e de despacho da documentação do Império, tendo sido o primeiro palácio a ser construído


Pátio do Quarto Dourado, que antecede às dependências privadas dos sultões





Saída do Mexuar



Pormenor das paredes do Quarto Dourado


Palácio de Comares

pormenor do tecto do Palácio de Comares

Palácio dos Leões












Pormenores do interior do Palácio dos Leões








quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Odaliscas em fatos de neve! Alhambra e os Palácios Nazaries






A noite havia sido de farra até altas horas, mais uma vez as pistas estavam encerradas e de desportos de neve ainda não tinha tido contacto além do tipicamente SKU! Dormiu-se até tarde na tentativa de enganar o tédio que o mau tempo tinha preparado para as nossas mini-férias em pleno Janeiro, e sem grandes planos para o resto do dia a ideia brilhante acabava por surgir, e de novo nos carros descemos a montanha em direcção a Granada, mais precisamente ao Alhambra, e com GPS a funcionar sem nos levar por caminhos obscuros.
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Pouco sabia desse tão famoso monumento, pouco mais além de ser um complexo militar e palaciano dos tempos arábicos da Península Ibérica. de ingresso em punhos e contentes com os 6 euros de desconto para grupos grandes era tempo de explorar o tão famoso Alhambra.

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Meio perdido deixei-me guiar pelos trilhos daquelas árvores enormes e centenárias, num jardim que de tanto andar julguei não ter fim, as muralhas do complexo deixavam-se avistar aqui e ali mas não acreditava que a fama se resumisse a umas muralhas com jardins no meio de ruínas dos antigos mercados (souks). A remoer-me por não ter comprado o mapa na bilheteira os jardins foram escasseando dando lugar a um fosso e mais um sistema de muralhas e um portal, que escondia toda a grande riqueza que o legado árabe deixou à cultura lusitana.

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Começaram a formar-se ruas, alguns edifícios antecipavam aquilo que para um leigo se viria a mostrar um magnifico tesouro. As palavras facilmente podem trair aquilo que este maravilhoso complexo nos tem para oferecer. Espalhado por todo o recinto encontram-se as fortificações ainda intactas do complexo e da genialidade militar do povo muçulmano mas que rapidamente o olhar se perde para os magníficos Palácios Nazaries, Comores e Leões, dos seus intrincados trabalhos de estuque nas paredes e nos tectos, da complexidade e fascinante arquitectura muçulmana.
Não há palavras que descrevam tudo o que aquelas muralhas escondem, menos palavras existem para a admiração com que nos arrebata cada divisão que vamos passando, e ao longo das várias horas que o passeio merece nada nos deixa de surpreender. Não me estendo em mais palavras porque as imagens podem falar por si, e ainda hoje me ponho a pensar de como o mundo é uma ervilha, que após um passeio pelo Magreb, o seu deserto e a sua cultura mística, um dos maiores contributos da cultura muçulmana clássica para o mundo se encontre tão pertinho de nós.



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Anoitecia lentamente e o fim da visita forçosamente se aproximava, e de fatos de neve vestidos sob o intenso frio que a neve fazia sentir deixamos a promessa de um dia voltar.


O Alhambra mostrou-se mais do que um sonho da mil e uma noites e não é dificil de deixar fluir a imaginação para uma dessas noites encantadas.






PS: Fica a promessa de no próximo post publicar as fotos do interior dos palácios. Se quiserem ver estas fotografias maiores é só clicar por cima delas.


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terça-feira, 13 de outubro de 2009

Eu bem disse que devia ter trazido o saco de Plástico!


Na excitação de experimentar os tão famosos desportos de neve, aliado ao calor infernal que o sistema de aquecimento nos proporcionou, a noite passou lenta e vagarosamente entre a ansiedade de ir fazer ski pela primeira vez bem como o desejo de sair daquela sauna a que chamavam quarto. O despertador tocou ainda o dia não tinha nascido, da janela do apartamento vislumbrava algumas luzes das pistas, e numa ansiedade quase infantil foi tempo de tomar o pequeno-almoço e enfiar-me dentro daquele fato (quente) que me deu um ar de chouriço que mal se podia mexer.
Uma volta pela vila em tom de reconhecimento do terreno e após alguns contactos já nos encontrava-mos dentro de uma loja a experimentar o material que iríamos alugar, a risota depressa se instalou, os amigos mais experientes a ajudar os outros a tentar calçar aquelas botas (que diga-se: confortávies e leves) e despendendo cerca de 20 minutos para cada pé, lá nos conseguimos por a andar tal qual robot-cop nas suas patrulhas contra o mal. Era simplesmente impossível andar com aquelas coisas nos pés, nenhuma articulação mexe, a perna não dobra e aquela neve e gelo no alcatrão esperavam ansiosamente pelos primeiros contactos com os nossos traseiros.
Com o material em punho e em tornozelos era hora do inevitável, comprar os fort-faits e experimentar o tão famoso ski. Mas depressa a ansiedade deu lugar à desilusão, as pistas estavam todas fechadas , sem perspectivas de abrir, ao menos podia tirar aquelas coisas dos pés e andar mais livremente. Com a  desolação estampada no rosto pouco nos restava a fazer, a manhã foi dedicada a uma maratona infindável de cafés e lojas, o ar começava a escurecer antecipando um grande nevão e obviamente a não abertura das pistas. Após o almoço e uma rodada de jogatana de cartas tínhamos esgotado todos os passatempos possíveis, a neve lá fora caía com grande intensidade, mas a ansiedade dos novatos não permitia a uma sesta pela tarde dentro. Afinal, as pistas estavam fechadas mas neve não era o que faltava por aqueles lados, e de fatos novamente vestidos dedicamos a tarde aquele desporto olimpico tipicamente portugues : SKU
De rabo espetado na neve não houve monte nem descida que os belos portugueses não se fizessem de rabo à neve numa galhofa pela tarde inteira. Afinal eu sempre tinha razão, devíamos ter trazido o saco de plástico.

sábado, 3 de outubro de 2009

Se cá nevasse ...


Empanturrado dos doces do Natal e ainda a evaporar o álcool do fim de ano o telemóvel tomava em tocar cedinho pela manhã. Estou? Não, nesses dias não sei o que 'tou a fazer! Porquê? Neve?!!! Ok conta comigo!! Estava lançada a primeira pedra para a minha cabeça estar já em órbita com destino à neve!
Destino, Sierra Nevada, neve avistada na minha vida: Serra da Estela, Ok desta vez era a sério, e em plena aptidão física que vou apresentando desde há alguns anos era a altura ideal para me dedicar aos desportos de neve.
Num instante comprei casacos e fatos e toda uma colecção de material (diga-se volumoso), que mal enfiados na mártir mochila de campismo estavam prontos a embarcar em mais uma aventura, desta vez gelada!
O dia acordou chuvoso, as mochilas mal cabiam na bagageira do carro que a custo se fechou e nos metemos
à estrada. O frio de Janeiro em Lisboa já se fazia sentir com bastante intensidade, a durante as mais de 10 horas de alcatrão a chuva teimou em nos acompanhar e em manter cada vez mais forte a sua presença. Paragem Obrigatória: Granada, para ninguém se perder, e de GPS em punho deixamo-nos conduzir pela senhora que sabe todos os caminhos desse mundo afora.
Toca o telémovel, estava tudo em Granada à nossa espera, onde estamos? Não sei digo, mas já vejo neve parece-me que já estou na Serra Nevada!!! Ok encontramos no apartamento!
Havia anoitecido e a chuva tinha dado lugar à neve, o bréu envolvia os farois do carro cuja luz reflectia nos flocos de neve, afinal onde raio nós estávamos?  Já estamos no apartamento e vocês? Não sei so vejo um caminho como o das cabras e neve neve, isto não para de subir e só vejo ravinas, acho que nos perdemos.
A estrada estreita não permitia fazer inversão de marcha, o GPS teimava naquele caminho e de nervos muito à flor da pele, na escuridão quase total só nos restou continuar a subir aquele carreiro de cabras. Ao fim de mais de 45 minutos perdidos na Sierra Nevada avistamos a vila, e um olhar pelo espelho retrovisor denunciou o erro: Carretera Rural! 
Vivos e gelados até aos ossos depositamos as tralhas no apartamento e era hora de ir jantar. A neve caía com grande intensidade, tanta como nunca havia visto e um pé em falso logo na saída de casa e ganhou-se uma visita ao alcatrão congelado. Não houve carimbos no passaporte mas a primeira noite ganhou umas nódoas negras de recordação, e de corpo gelado e rabo dorido e queimado pelo frio do gelo o corpo pedia uma cama bem aquecida. Regulou-se o termostato para o máximo e com um calor abrasador no quarto para 4 pessoas fez-se a moral do primeiro dia de viagem: é favor não confiar na senhora que mora dentro do GPS!

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Passaporte sem carimbo!


Ainda meio balançado, deposito a mala de viagem em cima da cama e dou por encerrada mais uma aventura. A mochila do campismo ficou dentro do armário, desta vez exigia algo mais composto, e lá saiu o malão, quase um baú dos tempos antigos. Como se consegue levar tanta roupa para andar por aí, na nossa velha Europa?!
E a olhar para o pôr do sol neste oceano quase infinito, descarrego as fotos da máquina ao mesmo tempo que descarrego as recordações. Mais uma partida terminada, o coração vem mais cheio, o trabalho espera-nos mas a cabeça já pensa em partir.
A meio gás retorno ao quotidiano, a mala afinal fica meio desfeita pode ser que a tenha de fechar brevemente.