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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Como esquilos a olhar para um palácio

 
 
 Havíamos encontrado a a Betinha (a Queen, essa mesmo) no dia anterior no museu de cera e naquela de uma grande amizade lá nos convidou para ir tomar o pequeno almoço lá no barraco dela, era a história de base daquele dia,após nos termos fotografado com o boneco da rainha no museu de cera. Efectivamente aquele dia estava programado para a visita ao palácio com o render da guarda e outras atracções por aqueles lados. Madrugar já fazia parte da nossa rotina diária e com alguma fome a apertar logo bem cedinho (o pequeno almoço do hotel era uma espécie de nada: um pão com manteiga e sumo de toranja) nos postámos de frente ao Buckingham Palace.

 O Palácio do século XVIII, é hoje a residência oficial da família real, não deixa de ser um edifício soberbo e obviamente em tons imperiais que domina o fim do Mall, mas também não posso negar que provavelmente terá sido dos palácios mais feios que vi, isto a julgar por fora porque as portas só se abrem alguns dias nos meses de verão. A zona envolvente ao palácio é muito interessante e instintivamente andámos a vaguear por esses arredores onde não passam carros em vez de marcar um lugar para o render da guarda. é impressionante a quantidade  de gente que já por ali andava aquelas horas quase de madrugada criando um zum-zum já considerável. Tentando com dificuldade furar as fila que se  formava junto ao gradeamento avisto o meu primeiro soldado britânico com a sua famosa farda, que para descontentamento geral trazia uma placa a afirmar que o render da guarda não se ia realizar. Nem esta inesperada surpresa demoveu a aquele magote de gente que àquelas horas quase de madrugava se juntava por aquelas bandas. Não foi difícil deixar fluir a imaginação e conseguir ver a Betinha com os seus rolos na cabeça a chegar a janela e mandar calar aquele pagode, então já nem uma senhora de idade se deixa dormir??!
Com os planos mais ou menos ao lado e dada a hora matutina continuamos o nosso passeio pelos arredores do palácio e pelos seus jardins bastante cuidados mesmo naquele inverno rigoroso. Na lateral encontra-se a Queen's Gallery que guarda a colecção privada da dita que não nos pareceu nutrir grande interesse. Sem grande demoras, vimo-nos no meio de uma fila enorme para apanhar o nosso bus turístico que nos prendeu num tédio por mais de 45 minutos ali ao rigor do vento gelado. Próxima paragem era indubitavelmente o aclamado Harrods, um armazém que deveu a sua existência ao grande poder económico que a Inglaterra foi ganhando com os seu vasto império. Dizia para curiosidade turística que fora o primeiro local a instalar escadas rolantes que eram a emoção das gente endinheiradas do século XIX, e a emoção era tanta que no final da viagem ofereciam um copinho de Brandy a esses grandes aventureiros. 
 
 O edifício que hoje ocupa um quarteirão inteiro é realmente imponente, no seu interior vende-se um pouco de tudo, contudo a única coisa que não vende realmente são produtos baratos o que nos deixa simplesmente ver. Ao contrário do que eu pensava o armazém é uma grande surpresa. Depara-mo-nos com uma entrada magnifica decorada ao estilo do Egipto Antigo, do alto das suas escadarias encontrava.se um senhor ao seu piano ladeado por um cantora de ópera. Ficámos ali a desfrutar do espectáculo gratuito antes de explorar as suas diferentes secções. Era dia de S. Valentim e aquilo fervilhava de gente no seu interior, cada sala do piso térreo apresenta uma decoração muito própria e elegante. Na secção dos chocolates e chás andavam a distribuir trufas para prova e obviamente não deixámos de fazer um Buffet de doces para o nosso almoço e trazer umas caixas do famoso chá britânico. realmente valeu a pena a visita, comprou-se o almoço por lá na secção dos alimentos que ainda me hoje deixa na dúvida se as porcelanas dos candeeiros e decorativas não são de Bordalo Pinheiro?!
Um piquenique improvisado num jardim foi o suficiente para retemperar forças. Daquele local já se avistava o Museu de História Natural enquadrado por outros museus não menos importantes como o Museu da Ciência e  o Victoria and Albert. A decisão não fora difícil de tomar primeiro o de História Natural e depois o de Ciências. Fizemos o percurso a pé sem grandes pressas, desfrutando da elegância daquela avenida e quando finalmente se deu com a entrada do museu a fila para lá de enorme destronou a nossa vontade de ficar pelo menos uma hora na espera. 

A paciência acabara por voltar depois de tanta publicidade positiva ao museu, e continuamos ali naquela espera. O museu como não podia deixar de ser é um edifício enorme que não sei porque me faz lembrar as Universidades e escolas britânicas no seu estilo e imponência. Para grande alegria dos pobretanos como nós a entrada é gratuita e a exposição é muito boa. Damos entrada por um enorme pátio coberto com um esqueleto de um dinossauro de onde partem uma série de galerias com as suas exposições. Se a fila para entrar era grande o interior revelava-se um enorme caos de gente e barulho, entre empurrões, crianças perdias e a chorar outras que nos passavam entre as pernas era impossível sequer chegar perto das vitrinas onde se expunham animais empalhados alguns já extintos como o Dodo.
Quase como uma procissão lá fomos entrando nas diversas galerias, tentando perfurar a multidão para conseguir ver o que os expositores continham. A exposição de fósseis, esqueletos de animais e dinossauros e animais empalhados é muito interessante e parece que nos leva de novo para os livros de Biologia, o que pode não trazer boas lembranças a algumas pessoas. Certamente que Darwin se ia orgulhar de ver aquela exposição tão bem montada segundo a taxonomia, e após a visita ao corpo humano, ao ambiente o que realmente me prendeu a atenção foi a exposição sobre o planeta terra onde até existia um simulador de sismo num supermercado japonês. Após mais de 3 horas de reviver a Biologia e  Geologia misturado com parque infantil (sim porque até um rapazinho de 4 anos me pediu ajuda para ir urinar!!) saímos ilesos e extenuados daquele magnifico museu. O entardecer já ia avançado o que não nos deixava tempo nem vontade para ir visitar mais um museu. desta forma acabámos por vaguear pelas ruas até dar-mos com a entrada do Hyde Park. Já havia passado por ele e realmente sabia que era um parque muito extenso mas nada me dizia que o seu tamanho estava para lá do alcançável pela vista humana.
Dos seus relvados, fontes e árvores muito bem cuidados é um local muito aprazível para passear, fotografar, fazer desporto e tudo o que mais apeteça. Deixa-nos a nós portugueses a pensar a falta que fazia um parque destes em Lisboa e como bem cuidado ele está. Como criança que ainda não pude deixar de passar pela estátua de Peter Pan e de correr incansavelmente atrás dos esquilos, até que finalmente fiz amizade com um que me deixou fotografar e por nas mãos à troca de comida. 
 
                                                  
Deixa-mo-nos perder por aqueles trilhos ladeados de vegetação inerentes ao frio daquele fim de tarde, efectivamente o dia havia sido muito compensador, e aquela sensação que viajar nos deixa cá dentro ganhava cada vez mais os seus contornos. Enquanto as pernas foram aguentando caminhamos pelo parque, ainda se tentou arranjar bilhetes para mais um musical mas era bem tarde, estavam esgotados e depressa nos apercebemos da sorte que havíamos tido em arranjar para o Lion King pois os musicais esgotam com muita facilidade e àquela hora nem um tinha lugares livres.
Sendo a última noite em terras de sua majestade e não querendo deixar passar em branco o dia dos namorados decidimos fazer por ali num restaurante qualquer o jantar do encalhados que para as más línguas que em Portugal já faziam novelas decidimos então dar proveito à fama e acabar o dia com bom jantar italiano.
 

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sábado, 13 de fevereiro de 2010

Medieval Wars

Decididos a não gastar o parco dinheiro no London Eye e sem grandes demoras lá estávamos sentadinhos novamente no nosso melhor amigo britânico. O frio glaciar não me detinha em ir na parte descapotável do Bus, mesmo quando a tosse já tomava proporções alarmantes e a necessidade de um médico quase urgente. O transito londrino pareceu-me sempre muito menos intenso que o lisboeta, entravamos agora numa área mais medieval da cidade, ruas estreitas ladeadas de edifícios góticos, dizia o senhor dos auriculares que era a zona financeira da cidade desde tempo incontáveis, que fora por ali que Jack (o estripador) andara a tirar tripas e outros acessórios anatómicos das suas donzelas, dizia também que a zona havia sido bastante fustigada durante a peste e o grande incêndio (mas afinal quem é dado a estas coisas de tragédia não são os portugueses?!)
Enquanto pelos auriculares se ouvia as histórias de todas estas tragédias britânicas, demo-nos de fronte da imponente e enorme Catedral de São Paulo, milagrosamente encaixada no emaranhado de ruas que supostamente não deveriam de existir lá pelos séculos XVI e XVII quando esta catedral fora construída. O seu enorme tamanho tenta rivalizar com Roma e após os bombardeamentos da 2ª Guerra Mundial esta enorme catedral vê-se actualmente envolta em ruas mais ou menos estreitas e rodeada de arranha-céus que nem todos devem muito à beleza. O interior merece sempre a pena uma visita, mas quando o  dinheiro é parco (e em Londres é coisa que desaparece facilmente) uma voltinha pelo exterior também tem o seu encanto.Mais tarde, quando já estava em Portugal vi um programa no Odisseia sobre esta construção e para meu espanto, os espertos dos arquitectos construíram uma fachada exterior de maneira a esconder aquilo que na altura a engenharia não conseguiu solucionar. Espertos!!
Perto dali ficava a magnifica Tower Bridge, uma obra de engenharia avançada para o seu tempo e cuja a ponte ainda funcionou até há bem poucos anos com toda a sua maquinaria original. Um passeio pelo seu tabuleiro e pelos arredores proporciona umas vistas deslumbrantes (não fosse o navio de guerra atracado mesmo à sua frente que enfim, está tão bem estacionado como o London Eye) ainda é possível subir às suas torres e avistar o percurso do Tamisa que serpenteia aquela cidade. Depois de passar entre as margens uma série de vezes ali mesmo ao lado estava o complexo fortificado da Torre de Londres, cenário das histórias mais sangrentas da cidade, local onde Henrique VIII fez rolar algumas cabeças e onde os traidores passavam pela famosa porta (na realidade um monte de tábuas) para os cadafalsos daquele complexo. A discussão quase acesa sobre a decisão de visitar ou não a Torre estabeleceu-se ali mesmo na sua entrada, quase um torneio medieval. 
Aceite o cartão de estudante caducado e o belo desconto que proporciona, o complexo revela-se uma boa  e interessante surpresa, com inúmeras casinhas e torreões para ver, explicações detalhadas das técnicas e armas de guerra das quais podemos experimentar e algumas até vestir. O seu interior revelara-se maior do que aquilo que supunha, abrindo-se uma cidade medieval bastante bem conservada dentro das suas muralhas. Dizia um senhor com um fato muito típico que aquele lugar era o lar de um bando de corvos há várias gerações e no dia em que eles se fossem embora que o império britânico se desfazia. Ora pois bem que podem estar descansados pois os ditos passaras estavam mesmo dentro das suas gaiolas, e dificilmente podem bater a asa (literalmente)!
O passeio pelas muralhas é muito interessante, entra-se em diversas divisões das antigas dependências da Torres de Londres, umas mobiladas, outras com instrumentos de tortura ou simplesmente na latrina.
O ponto máximo da visita à Torre é atingido com o edifício que guarda as jóias das coroa. Da sua entrada ladeada por guardas tem-se a sensação que estamos a entrar no cofre de um banco, a fila adensa-se lá para os seus interiores enquanto somos bombardeados com o filme da coroação da actual rainha e uma ou outra peça de ourivesaria em exposição. A sala das peças propriamente ditas é uma sala pequena com um expositor ao centro com as ditas jóias (coroas, ceptros etc etc) mas que para meu desgosto têm de ser observados por uma passadeira rolante e em 2 ou 3 minutos somos brindados com a saída e sem possibilidade de retorno. Para meu espanto e minha ignorância as coroas que foram utilizadas durante séculos eram desmontadas para as mesmas pedras serem incrustadas nas novas. E eu que pensei que aquela daqueles tempos não era dada a estas coisas da reciclagem?!  
Mais umas voltas pelo complexo para nos certificarmos que tudo tinha ficado visto, as vistas sobre o Tamisa e a Tower Bridge são espetaculares e o complexo da Torre vale seriamente a pena uma visita. A hora do fecho chegara e o anoitecer também, o nosso bus esperava para nos levar novamente para o conforto e o calor do nosso hotel, mas sem antes um passeio novamente pelo parlamento e o Big Ben.
Já no hotel depois de um dia cheio de cultura e de cansaço deparámo-nos com  uma surpresa: afinal o bilhete da Torre de Londres também serve de entrada para a Tower Bridge. É o que dá não ler as coisas com atenção.
Sem mais fôlego para novos passeios a noite ficou-se pelo quarto de hotel, um jantar de chamuças indianas e massas pré-feitas e chá de menta.

http://www.stpauls.co.uk
http://www.towerbridge.org.uk/TBE/EN/
http://www.toweroflondontour.com/

Um mês para os próximos carimbos!!

O tempo nem sempre parece que é nosso amigo, e na ânsia de mais umas aventuras ainda me resta um mês de espera até me ver novamente envolto naquilo de que mais gosto. O que havia a ser marcado e reservado já foi feito, o "programa das festas" já se torna uma realidade tão concreta que só me falta mesmo é estar a passear pelas ruas dos guias já lidos e relidos perto da centena de vezes.
Fica aquele nervoso miudinho na alma, diz-se por ai nessa Internet que a neve cai fortemente e nada mais animador que uma temperatura máxima de -7º C. Lá terei que vestir o meu fatinho da neve ao estilo Transformers.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Te Big Bus of London

Ainda com as músicas do Rei Leão a ecoar no neurónio, madrugámos bem cedinho, dizia-se por aí que o museu de cera pedia quase uma espera à porta entre as suas intermináveis filas, e após mais uma viagem naquele magnifico e encantador sistema de metro demo-nos com a porta do museu completamente vazia, os primeiros a marcar presença. Rapidamente a animação esmoreceu quando o letreiro pendurado na porta dava uma espera de 2 horas até a abertura das bilheteiras, era impossível ficar esse tempo sob aquele frio gélido em plena rua. Uma volta pelos arredores era a melhor opção e secretamente nos foi surpreendendo, entre alguns edifícios mais ou menos imponentes esconde-se atrás do museu de cera o Regent's Park, um fantástico jardim inglês com um portão todo trabalhado, gostámos especialmente do jardim japonês que se esconde no meio do parque, e apesar de se ouvir uns barulhos de elefantes só nos apercebemos que ficava mesmo ali ao lado o Zoo quando à noite decidimos abrir o guia turístico.
 Era hora de voltar para as portas do museu onde discretamente se formava uma fila antes de sermos revistados de alto a baixo na entrada e descobrimos que uma senhora de meia idade espanhola não dispensava a sua bela garrafinha de whisky para se aquecer daquele frio inverno. Os bilhetes são bastante caros para aquilo que o museu tem para no mostrar; uma série de bonecos de todo o tipo de personalidades (até desenhos animados) cuja ligação a Londres é nula, uns extremamente bem feitos outros quase tão bonitos como o manequim das aulas de anatomia. é digno de registo a loucura de algumas senhoras perante os bonecos daqueles galãs de cinema de Hollywood (extremamente ligado à cidade) que à falta do original fazem verdadeiras violações aos manequins, não posso negar que também andei a coscuvilhar as intimidades de alguns e para surpresa minha, algumas bonecas apresentavam roupa interior. É um museu interessante para algumas brincadeiras, com algumas representações muito bem feitas, que com pouca gente se visita em 45 minutos e à saída após a passagem do terror nos fazem andar nuns carrinhos tipo os do carrossel numa muito breve história de Londres em cera.


À saída do museu o céu começava a ficar mais descoberto, possibilitando uns passeios pela cidade sem a enorme camada de roupa que no dia anterior tivemos de transportar, andar de metro além de caro estava fora de questão, e eis mesmo ali à nossa frente a magnifica solução, aqueles maravilhosos bus turísticos do entra e sai sem pagar, com uns percursos mesmo ao nosso gosto. Sem  mais demora e de rabos alçados lá nos colocámos no famoso Big Bus, com destino ao Big Ben não sem antes passarmos por alguns locais já nossos conhecidos, dar uma voltinha pela enorme elegante Oxford Street, retomar a Trafagar Square passando pelo Admiralty Arch  entre outras atracções como a Horse Guard e já cansado de bater tantas fotos chegamos ao nosso destino, badalava o Big Ben 11 horas certas, e nada melhor que acertar relógios e telemóveis nesse preciso momento.
 
O Big Ben como erradamente pensava, não é o nome do relógio nem da torre mas sim do sino que badalava naquela hora em que havia chegado, o som é quase ensurdecedor e a sua torre enorme que faz parte das casas do parlamento tornam-no um edifício impressionante no qual perdemos algum tempo a admirar. As redondezas do parlamento britânico estão repletas de monumentos históricos e qual crianças nos deixamos passear e fotografar por aquelas bandas. Mesmo Ali ao lado estava a abadia de Westminster mas o preço elevado do ingresso esmoreceu o entusiasmo e acabou-se só por se observar por fora (se o arrependimento matasse ...). O frio agora apertava à seria e mesmo ali ao lado da abadia estava uma igreja bem pequenina de entrada livre e sem esperar mais sentados nos bancos da missa mesmo ao lado de um maravilhoso aquecedor, fingindo uma reza fervorosa fizemos uma bela de uma sesta. Enquanto aquecia as ideias continuava a afirmar a minha primeira impressão, o bus panorâmico havia mostrado uma Londres de edifícios  magníficos e imponentes mas que toda a sua beleza desaparece quando tentam ser modernos e progressistas e constroem mamarrachos sem qualquer estética nem enquadramento em plenos centros históricos tornando visualmente uma cidade sem estilo.










De corpo e mente mais aquecida, com mais umas dezenas de fotos no cartão de memória, decidimos atravessar o poluído Tamisa  (por uma ponte com umas sombras bem estranhas) no sentido de dar-mos uma volta no London Eye. A dita roda gigante, que de grande tem mesmo, não podia estar melhor posicionado ao estilo urbano britânico, aquela gente achou por bem que a roda ficava em frente de uma palácio quase paralelo ao Parlamento, e o que podia ser uma vista desafogada da área é hoje um palácio que aparece por detrás de um monte ferro e fios de aço, a vista da roda pode ser magnifica mas que aquilo ali fica feio podem crer que fica. Após um almoço improvisado e uns metros mais ao lado da bela roda descobrimos uma vista magnifica das casas do parlamento em toda a sua dimensão, que deram umas fotografias muito boas. A visita estava feita, aquela zona da cidade é muito interessante pelo que no decorre dos dias acabamos por passar por lá diversas vezes. Era hora de rumar ao outro lado da cidade e passar a tarde noutras coisas que tinha planeado visitar, e novamente no Big Bus coberto de casacos e cachecóis deixámo-nos levar.
http://www.bigbustours.com/por/london/custompage.aspx?id=maps
http://www.madametussauds.com/
http://www.westminster-abbey.org/




 

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Novas Páginas


Aproximam-se rapidamente as badaladas que darão fim a 2009, ultimam-se os últimos preparos para a festa (passas, champanhe e para alguns a indispensável cueca zul). Balanço deste ano está quase concluído, um ano repleto de aventuras de mochila e mala às costas, de vários locais que me surpreenderam e pois claro de carteira bem mais vazia,
É tempo de voltar a página do passaporte e desejar que este novo ano continue a trazer aquilo que mais gostamos, que continue a abrir as portas do mundo e claro que não falte a saúde e o dinheirinho.
Para todos um bom 2010 repleto de aventuras.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Contagem decrescente!

Oficialmente hoje inicio a contagem decrescente para mais uma série de carimbos no passaporte. Ansiosamente espero que corram os 3 meses, e na tentativa de entreter a alma cá vou andando a fazer planos e pesquisas sobre os próximos destinos, e já agora quem tenta adivinhar?


terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Chá das 5 com a Betty!!

 
Dizem que a História tem tendência a repetir-se, então toca o telefone e alguém me pergunta se estava a trabalhar naqueles dias, uns negócios da China para arranjar 5 dias de folga e o mote estava lançado para passar uns dias em Londres. Aquele inicio de Fevereiro apresentava-se extremamente frio por terras lusas nem dando espaço para as mentes ocupadas com tão repentina viagem se protegerem do que lhes estava para acontecer.
O despertador marcava 4 horas da madrugada, era só tempo de agarrar nas malas e no Frizer (sim levamos uma mala com mantimentos ...) e entrar no avião a caminho das terras de sua majestade. No instante de uma sesta no banco do avião estava já de pés bem assentes no chão. Ambos não fazíamos ideia sequer de onde se localizava o nosso alojamento naquela imensa cidade, portanto nada melhor que nos dirigirmos ao centro. Descemos incontáveis lances de escadas rolantes, para aquele buraco profundo do metropolitano; o espectáculo quase que toca mo grotesco, como é possível uma metrópole mundial ter um sistema de metro tão velho e sujo!? Um labirinto de linhas em vários andares, em estações completamente degradadas, fazendo-me crer que até as estações do Intendente em Lisboa são bem mais bonitas. E apertado entre uma enchente de pessoas, com 5 dedos de distancia do tecto do aparelho, levou-se quase 1h30 até ao ponto de chegada, ouvindo os berros da camone MIND A GAPE.
O hotel até tinha sido fácil de encontrar, no seu belo estilo bristish, e pela hora do almoço estávamos livres e soltos para iniciar a exploração daquela gigantesca cidade, sendo o ponto número um Picadilly circus. A eficiência daquele horrendo metro deixou-nos na praça em 5 minutos, não sem antes uma parada numa farmácia para buscar medicamentos para a bela gripe que se avizinhava, e claro, testar o meu magnifico e brilhante ingles. OK??!!
Picadilly Circus é uma zona completamente vibrante, milhares de pessoas em todos os sentidos, lojas armazéns se concentram nas suas imediações, os seus anúncios luminosos quase que ferem a vista quando se reflectem no meio daquele smog. Daí também sem abrem as avenidas e ruas do Famoso Trocadero e das dezenas de teatros que exibem os seus musicais. Não deixa de ser impressionante e ao mesmo tempo vergonhoso como a cultura é exibida ao público geral e como estão bem tratados as suas instituições, coisa que em Portugal se deixam cair teatros de podres em pleno centro das cidades.
Em busca de bilhetes para um musical, à hora do almoços já era quase impossível arranja-los não fosse a candonga e o dobro do preço dos bilhetes, ainda chegados de fresco e já metidos em negócios obscuros. Passeamos pelas ruas o resto da tarde, a espreitar lojas e teatros, a subir e a descer ruas que rapidamente nos alteraram por completo o sentido de orientação.
A minha noção da cidade ia-se formando, rapidamente constatei que Londres não abunda em cor, o cinzento é chapa 4 para quase todos os edificios, o que no meio do tempo nublado torna uma cidade algo pesada. Vegetação urbana também não abunda, faz-me lembrar aquelas avenidas que cortaram as árvores para inicio de obras, aliados ao frio imenso que se fazia sentir a cidade não era de todo a mais acolhedora. As ruas extremamente limpas e a beleza dos edifícios complementam a falha e tornaram o passeio mais agradável.

 Ainda faltavam algumas horas até ao inicio do espectáculo dando-nos algum tempo para antecipar alguns dos pontos de visita planeados para o dia seguinte. O mapa dizia que estávamos nas redondezas de Trafalgar Square e a famosa National Gallery. Bem que subimos as ruas, bem que descemos e nada de dar com a dita praça, a muito custo a encontramos, um local amplo e cinzento, dominado pelas 2 fontes e uma coluna, diante do famoso museu, que maravilha é gratuito!!! Entramos no intuito de ver as obras que ele esconde, mas rapidamente nos apercebemos que a melhor obra de arte lá dentro era mesmo o aquecimento. Deixa-mo-nos perder nos corredores até os dedos perderem a sua cor arroxeada, e quando a hora do fecho se aproximava a barriga começava a dar horas. A saída do museu dá para uma vista interessante do Parlamento e do seu famoso Big Ben, que se mostrava pela primeira vez fora dos livros das aulas de inglês,  no qual eu e a minha colega gostávamos de fazer caretas.
 
Anoitecia e de regresso a Picadilly Circus o frio intensificou-se, quase insuportável com as rouparias que trazia vestido, em camadas como a cebola. Começava a nevar para gáudio das crianças (nós) e de pele novamente roxa tentava-se tirar algumas fotos com uns floquinhos de neve na tola. De barriga cheia era hora de procurar o teatro da peça que iamos ver, nova excursão pelas ruas e nada de o encontrar, era o último recurso e em 5 minutos estávamos dentro da esquadra da policia, com um sr da autoridade com aqueles chapéus magníficos a pedir ajuda. Dadas as coordenadas encontramos o teatro, o da noite estava reservado para The Lion King Musical, e naquele teatro brutal, assisti a uma das peças mais fantásticas de sempre.
Era meia noite, novamente no metro agora deserto bem como a cidade, quase fantasma a caminho do quarto aquecido do hotel para uma noite de sono, após quase 48 horas acordado.

 



segunda-feira, 30 de novembro de 2009

I Love LxBoa

O Verão tinha começado havia poucos dias, e o calor abrasador que caía sobre Lisboa estava por demais insuportável dentro de casa. A cidade aperaltava-se para as suas festas populares, e o transito caótico em direcção às praias tirava a vontade a qualquer um de ir a banhos, naquele fim de semana para lá de prolongado. Agarrei na máquina e fiz o percurso inverso, em vez de me dirigir às sobre-lotadas praias, enfiei-me dentro de um cacilheiro com destino a Lisboa. A viagem lenta no convés do barco, torna-se impressionante, a cidade ganha formas e contornos conforme nos vamos aproximando dela, a luz intensa que a banha da-lhe um toque qual jardim do  Éden, e num acto de auto-censura punimo-nos pelo facto de tão raramente podermos desfrutar de tão bela paisagem.
Sob o Tejo repousavam alguns navios de tamanhos impressionantes, tornando o velhinho Cacilheiro não muito maior que um barquinho a remos. Lisboa comunga com o mar desde o seu berço, e que melhor recepção a cidade tão magnifica do que o seu rio quase mar repleto de navios, de todos os tamanhos e cores?!
A paisagem romantica que os barcos nos dão da cidade vista do rio, deixavam embalar e quase que me deixei ficar o resto da tarde naquele vai e vem entre as duas margens.

As palavras podem nos trair quando tentamos transcrever aquilo que nos vai na alma num momento de completa harmonia. Nunca concebi Lisboa como uma cidade tipicamente europeia, Lisboa é sinonimo de nostalgia, de saber viver ao sabor dos ventos, de luxo e de bairrismo, elegante na sua desorganização. Lisboa é um modo de vida, que não se vive mas sente-se e que algumas pessoas o exprimem a cantar.


Apiei-me em terra e sem grande destino pus-me em fuga pela sinuosa rua do Alecrim, que sob calor tão abrasador mostrava-se uma tarefa hérculea, talvez pensasse que iria para mais uma das farras no Bairro Alto (a farra estava guardada para o dia seguinte), e sob uma camada de suor decidi entrar no Jardim Botanico da Universidade de Lisboa, um oasis de palmeiras e plantas tropicais em pleno centro da cidade histórica, que apesar da sua degradação é um sitio impecável para uma tarde de calor, a tentar apanhar borboletas nas estufas para as crianças.
O corpo pedia liquido e descanso, isto de ser turista na própria cidade é uma experiência fabulosa, é como se nos colocassem uns olhos novos na cara para ver e sentir aquilo que nos é quotidano!
Deixei o jardim, com a sensação de que aquilo poderia ser muito melhor aproveitado, e dediquei-me a descer a tortuosa rua, de máquina em punho a registar aquela Lisboa que desconhecia; uma paragem técnica no jardim do Príncipe Real para um gelado que rapidamente derreteu, quase que me deixei embalar numa sesta como as poucas pessoas que deambulavam pela cidade naquele dia de calores superiores a 40.
A cidade quase deserta, abria os seus segredos lentamente e no azul mais intenso dum céu de fim de tarde deixei-me envolver no Miradouro de São Pedro de Alcântara, uma varanda sobre milénios de história com uma das paisagens mais deslumbrantes do castelo e dos bairros que o rodeiam, de séculos de  saudade que a cidade foi deixando, e de bebida gelada na mão deixei-me ficar naquele marasmo de um fim de tarde na cidade mais envolvente que Lisboa nos pode revelar.