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domingo, 10 de outubro de 2010

Carimbos no passaporte ou já não?!


Finalmente chega pela última vez este ano as férias tão aguardadas. Não é que me possa queixar das outras pois me permitiram vaguear por este mundo fora e conhecer magníficos lugares que jamais saíram da minha memória. Desta vez a coisa toma uns contornos especiais; como já deu para ver pela foto amanhã rumo a caminho do Egipto, um lugar que sonho conhecer desde quase sempre e que me deixou sempre aquele bichinho, amanhã finalmente chegou o dia.
Mas qual não foi o meu espanto que após a mala arrumada e os documentos em dia (sim desta vez não perdi o passaporte na véspera) dou de caras com o inevitável, será que deixaram de existir os carimbos no passaporte que tanto orgulho me dão e foram substituídos por auto-colantes? Já dizia Camões "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades" mas havia a necessidade de trocar os meus adorados carimbos e ser eu mesmo a tratar o meu passaporte como uma caderneta? Não sei, talvez seja o futuro a chegar lá bem longe mas de qualquer forma nada impedirá a alma e o engenho de partirem para conhecer. 
Até breve

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Na imensidão do Schloss Schönbrunn







Nestes dias de puro passeio e cultura, já se tinha tornado rotina acordar bem cedinho e meter pernas ao caminho, mesmo quando ainda parecia que só nos tínhamos deitado há pouco mais de 1 hora e houve até alguém que sonhara a noite inteira que percorria corredores cheios de quadros daqueles imensos palácios. Coincidência ou não aquela manhã (ou pelo menos assim julgava) estava reservada à concretização desse sonho.

Já me tinham falado maravilhas deste palácio e por essa Internet fora repetia sem parar "um lugar a não perder", e desta feita nada como rumar aos arredores de Viena e visitar o majestoso Schloss Schönbrunn. Ainda sem muito bem perceber como se pronunciava esta estranha palavra que dá nome ao palácio (Schöne Brunnen significa boas águas em alemão) facilmente encontrei a gigantesca residência de Verão dos Habsburgs que se estendia até onde a vista não alcança pelo outro lado da avenida. Entre as árvores despidas avista-se o enorme palácio de cor amarela torrada no seu estilo barroco e rococó doutras eras. Dificilmente a imaginação consegue superar aquilo que a vista alcança quando perante este palácio, ainda mais porque a fachada é mais pequena relativamente ao incrível mundo que se esconde por detrás dela.




















Não havendo tempo a perder e além do mais com o frio nosso amigo já a dar sinal fizemo-nos à entrada, ou melhor na tentativa de encontrar a porta de entrada do palácio no meio de centenas de portas que se abriam na praça mesmo diante do palácio. Já se encontrava imensa gente no interior do palácio, sendo ainda bem cedo, felizmente havíamos comprado os bilhetes no dia anterior e pudemos passar à frente na enorme fila. de áudio-guia em punho e com os casacos arrumados no bengaleiro deixamo-nos envolver pela atmosfera que emana de cada recanto.



 








História (muito resumida)












Toda a exuberância deste palácio remonta ao ano de 1569 quando o 

Imperador Maximiliano II comprou os terrenos onde hoje se situa o palácio e Leopoldo I elaborou um projecto extremamente ambicioso, que nunca chegou a ser concretizado na sua totalidade, na tentativa de rivalizar com Versalhes em Paris. Apesar de não se ter concluído o projecto original o actual palácio tem 1440 divisões, no mais alto estilo Rococó.


A construção teve inicio no ano de 1696 e após 3 anos já se celebravam festas na parte concluída do palácio. Com o passar dos anos e de vários soberanos,a construção e decoração inicial foi sendo alterada tendo visto o seu maior esplendor sob do domínio da Imperatriz Maria Teresa, tornando-se o foco politico e social do império. Em meados do século XVIII quando as alas laterais do palácio foram construídas, Schönbrunn era a principal residência da família real bem como da sua corte de 1500 pessoas. Além de Maria Teresa outras personagens da história viveram neste palácio tais como Maria Antonieta, Napoleão Bonaparte e Sissi. Foi adquirido pela republica Áustria em 1918 e após a 2ª Grande Guerra no qual foi quase fatalmente atingido e despojado é declarado Património da Humanidade pela UNESCO. Hoje em dia é dos monumentos mais visitados de Viena e realmente um palácio a não perder.


Perdido nos corredores infindáveis do interior do palácio, começava a duvidar que alguma vez iria encontrar o inicio da visita, apesar de o audio-guia ir explicando detalhadamente os pormenores de tal sublime monumento. Por entre algumas janelas tinha uma fugaz imagem dos jardins que se escondiam nas suas traseiras, aqui e ali uma fotografia tirada às escondidas dos guardas, porque é realmente difícil resistir a tanto encanto.  Sem muito bem perceber como já estava a subir a monumental escadaria até fazer um compasso de espera e poder finalmente conhecer o coração de Schönbrunn. 
Não consigo explicar por palavras aquilo que se vai desenrolando ao longo da visita, lustres, caracóis e conchas, dourados e espelhos, roupas e quadros que a seu turno nos vão dando uma ideia ainda mais detalhada de como a realeza vivia naquele tempo, aqui e ali era chamado a atenção para pormenores como as paredes falsas onde passavam os empregados, os bustos dos monarcas no sei leito de morte (nunca percebi o motivo de bizarra representação) e um sem número de coisas interessantes. Ainda a visita não tinha chegada a meio e já as pernas davam sinais de cansaço, estoicamente ouvi as explicações todas até ao fim mesmo que recorrendo a algumas estratégias como roubar as cadeiras dos guardas do palácio ou fazer turnos de explicação onde eu ouvia e explicava aos outros e na sala seguinte o contrario também era válido.

Apesar de ser PROIBIDO TIRAR FOTOGRAFIAS, aqui vão umas tiradas debaixo do casaco sem enquadramento ou até focagem mas valeu a pena a tentativa.




 É impossível não ficar estupefacto com toda a imponência destas salas, umas exuberantes e grandiosas outras mais simples e acolhedoras, mas todas muito decoradas. Infelizmente o salão de baile estava em restauro estando uma parte coberta com andaimes que rodeavam o gigantesco lustre que os restauradores tiveram medo de tirar do tecto com receio de não voltarem a conseguir coloca-lo. A meio da visita somos surpreendidos por uma sala na qual se poderia sair ou desistir da visita, ou aqueles detentores do bilhete completo poderiam optar por ver o resto do palácio. Não passando grande importância ao cansaço e com os bilhetes em punho lá prosseguimos o tour, desta vez com menos gente, mas com salas ainda mais elaboradas. 

Não sei se foi impressão minha ou simplesmente esta última etapa da maratona palaciana tornava.se um pouca mais intimista sobre aqueles que neste palácio viveram, foi interessante ver retratos de Maria Antonieta em criança quando vivia neste palácio alguns anos depois de ter visto quadros quase idênticos aquando adulta no palácio ainda mais extravagante que provavelmente lhe custou a vida. A cada passo a visita ia final e infelizmente acabando, um último vislumbre sobre as ultimas salas, uma muito rápida espreitadela sobre as paredes falsas onde passavam os criados e lá estava eu na imensa loja de souvenirs que custavam para cima de um dinheirão. Não sou grande fã deste tipo de recordações contudo, acabei por comprar o DVD sobre o  palácio que está mesmo muito interessante


Umas boas horas depois do inicio da visita, dava-se esta por terminada e com vontade de voltar a entrar de novo e voltar a repetir para ficar tudo bem gravado na memória, pois porque no cartão da máquina não deixaram. Pelas janelas do palácio volta e meia lá se ia avistando os jardins, a segunda e talvez a maior surpresa daquele gigantesco complexo, que ficará para um próximo post.


Coordenadas

Quando: Qualquer altura do ano, sob a neve ou rodeado de flores
Preço: Apesar de estarem disponíveis vários tipos de visita aconselho o bilhete combinado do Schönbrunn e Hofburg (Sissi Ticket) 22,50 €, no caso se só quererem visitar este palácio aconselho a Grand Tour por 12,90 € que visita todas as dependências possíveis do palácio, em detrimento da outra que se confina a metade
Como Chegar: Metro U4, Schönbrunn station; Train 10 e 58, Schönbrunn station; Bus 10A, Schönbrunn station



Site Schloss Schönbrunn

sábado, 28 de agosto de 2010

Fim de tarde em Viena

Deixo-vos mais um álbum de fotos do entardecer frio e nevado de Viena quando quase por acaso me deparei com estes locais realmente fantásticos, espero que gostem.


segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Graben, as Trincheiras de Viena


Estas coisas de viajar no pico do Inverno, tem as suas vantagens: alojamento mais barato, menos confusão e por ai em diante; mas também nos deixa enregelados até aos ossos nos dias curtos e carregados de neve dessa Europa Central. Este primeiro dia em Viena que havia começado bem de madrugada estava prestes a terminar, mais pelo cansaço do que propriamente pela falta de "atracções" a visitar ou simplesmente pelo anoitecer. As pastelarias em volta da Stephansdom tornaram-se um mote irresistível ao pecado da gula e depois de mais um doce nesse dia, a injecção de glucose no sangue foi a motivação para continuar a desvendar os segredos desta grande cidade. 
Uma vez no centro da cidade, facilmente chegamos a pé a quase todo o lado, isto se não se parar a cada 5 passos para apreciar e fotografar qualquer coisa e demorar uma hora a fazer uns 800 metros (confesso!). Mesmo ali nas redondezas da catedral estende-se a mais famosa e talvez a mais elegante rua de Viena, Graben, uma rua pedonal ladeada de elegantes e imponentes edifícios que foram surgindo ao longo dos séculos e embelezando cada vez mais a cidade. Graben na tradução do alemão significa trincheira, pois ao que parece onde hoje se localiza esta rua foi há muitos séculos atrás uma vala que após ser nivelada foi-se tornando o coração de Viena.  Rua de palacetes, bancos e elegantes lojas esta artéria é rasgada por um dos mais belos e estranhos monumentos da cidade: 

Pestsäule, Monumento à Peste
No centro da rua eleva-se no seu topo dourado de anjos e santos a coluna comemorativa do fim da peste. Viena como o resto da Europa foi visitada duas vezes pela Peste que matava gente aos milhares por este continente fora, em 1679 quando a coisa estava a ficar negra para estes lados, o Imperador Leopoldo I pegou nas suas tralhas e fugiu para bem longe, provavelmente não deve ter sido coisa que caísse nas boas graças dos vienenses e diz a história que o Imperador encomendou a construção de um monumento comemorativo ao fim da Peste, talvez até uma forma subtil de apagar a ira daqueles que ficaram sujeitos a morrer com uns bubões de pus, quem vai saber?!
De inicio haviam construído uma coluna de madeira, que aparentemente não satisfazia o imperador e após vários anos de obras  e projectos e diversos autores o  actual monumento foi inaugurado em 1693 sob autoria do Paul Strudel num dos expoentes máximos do estilo do Alto Barroco.
Uma pirâmide de nuvens que vai sustende anjos e santos, uma imagem do próprio imperador ajoelhado, uma bruxa a expulsar a peste que é coroada por um topo dourado e reluzente, é sem dúvida um dos monumentos mais espectaculares da cidade, de uma delicadeza que faz a pedra parecer realmente nuvem e nos deixa maravilhados com a arte e o engenho da espécie humana.
Perdidos no encanto desta escultura, o tempo passou a voar até ser relembrado por alguns flocos de neve que o dia caminhava para o seu fim e muito havia para ver, não muito longe só mesmo uns passos mais à frente.

Peterskirche

  
Numa rua perpendicular ao Graben, esconde-se esta imponente Igreja numa praça com o mesmo nome que eleva nos céus de Viena as suas cúpulas de Bronze. Aparentemente existia um qualquer edifício religiosos dos tempos do Império Romano mando erguer por Carlos Magno (ao qual é dedicada a escultura do pórtico) mas os primeiros registos de existir aí uma igreja são do século XII que desse edifício nada chegou aos dias de hoje após um incêndio em 1661 e decidirem uma radical reconstrução.
A igreja consagrada à Santíssima Trindade iniciou a sua construção em 1701, de estilo Barroco inspirada na Basílica de São Pedro no Vaticano, tendo sido inaugurada em 1733 (uns 22 anos antes de Lisboa tremer). Por ter sido construída numa zona com pouco espaço, optaram por uma arquitectura oval repleta de talha dourada que confere um espaço enorme quando nela entramos. Poucas são as palavras para descrever a riqueza desta igreja, que se mostra mais uma lição sobre a história e evolução da arquitectura e artes decorativas representado no púlpito e até nos bancos ricamente trabalhados. Infelizmente o altar que é aconselhado em toda a literatura de Viena encontrava-se tapado com um pano roxo, pois segundo a minha avó que é sabida nestas artes da religião, era semana santa.
Para aqueles que por estes lados passarem aconselho vivamente a entrada nesta igreja, que por sinal é gratuita e desfrutar de toda a sua beleza. 



Judenplatz


Mais ou menos sem destino definido acabei por encontrar esta sossegada praça, elegante por sinal, não fosse isso já a norma em Viena. Judenplatz, ou Praça Judaica foi noutras eras o centro da comunidade judaica, hoje tornou-se uma zona de memória ao sofrimento judeu causado pelo holocausto, imortalizado numa escultura de cimento em forma de cubo com nomes dos 65 mil judeus assassinados. A praça é muito bonita e aconselho uma visita mais pela sua elegância e a titulo pessoal começo a achar que este tipo de manifestações sobre o sofrimento judeu espalhados em todos os locais judaicos que visitei começa a tornar-se muito entediante, que me desculpem os judeus mas a vossa cultura tem muito mais para oferecer ao mundo do que os nomes dos judeus mortos, os sapatos dos judeus mortos e até atacadores (como vi em Praga), o que aconteceu certamente a humanidade não irá esquecer, está na hora de seguir em frente.


Am Hof


 Mesmo nas imediações da Praça Judaica abre-se a Praça Am Hof, a maior do centro histórico de Viena que deve o seu nome ao edifício do antigo tribunal de guerra. No seu centro ergue-se a Coluna de Maria manda construir pelo imperador Fernando III que se situa mesmo em frente da Am Hof Kirche local de interesse histórico, pois foi onde terá sido extinto em 1804 o Sacro Império da Nação Alemã. 


Com tanta cultura a pesar na alma e o corpo, o frio a enregelar os ossos já de si gelados, foi decisão unânime em voltar para o hotel, ainda com um resto de embalagem no corpo passamos por mais alguns locais bastante interessantes, mas que resta apenas o registo fotográfico e pouca informação, pelos lados da catedral as ruas fervilhavam de gente nas compras e nos cafés apesar da neve que fortemente caía, a ópera surgia iluminada no fundo da rua em todo o seu glamour e após uma passagem num supermercado regressamos ao hotel onde fizemos esparguete à bolonhesa numa cafeteira eléctrica que obviamente ficou estragada para todo o sempre.

                                                                                                                



quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Um passeio pelo centro de Viena - em fotos!

Deixo-vos algumas fotos do centro histórico de Viena para se encantarem por esta magnifica cidade.

sábado, 17 de julho de 2010

Festival Ao Largo - Lisboa liricamente encantada


Hoje entrava alegremente no primeiro fim de semana depois de umas férias magnificas pelos norte de Itália, quando decidi não fazer o favor ao corpo de ir para a cama e dar uma passada pela baixa lisboeta, sempre muito movimentada pela noite dentro. O carro estacionado no local do costume, uma moedinha ao "mano" já de longa data (minha sorte que ele se contenta com pouco) e um copito pelo bairro alto com futuro de deitar cedo na cama. Perto da Brasileira ouviam-se aplausos e dizia alguém que devia de haver ópera por aquelas bandas. 
Ópera é sinal de Teatro Nacional de São Carlos, que ali mesmo a 2 passos do centro do Chiado fica elegantemente repousado, foi a meta e a surpresa da noite. Palco, orquestra, maestrina, cantores, afinal havia ópera para o povo, uma noite dedicada a Verdi, sem os formalismos e as etiquetas que manda o figurino, assim num toque quase familiar que convida quem passa a sentar e desfrutar ou até mesmo conhecer os encantos da ópera e por fim descobrir que não é algo para os velhos ou elites, e sim que a musica clássica é e será a base de toda a boa música,
De louvar esta iniciativa que envergonhadamente desconhecia, que se repita e quem estiver interessado se manterá até ao dia 27 de Julho. Muito muito breve continuarei a divagar pela mítica cidade de Viena, a mãe da música clássica.


sábado, 26 de junho de 2010

Destino Flutuante

Finalmente as merecidas férias de Verão chegaram e novamente começa o reboliço dos preparativos para uma partida. Desta feita, de mochila já pronta parto para o norte de Itália em jeito de conclusão da visita a esse magnifico país que havia iniciado o ano passado por alturas de Setembro.
A pouca tralha que decidi levar, desta feita nem chega a encher a mochila (ainda bem), aqui pelos lados da internet dizem-se maus agoiros sobre o tempo, dizem que vai trovejar, que importa é levar o impermeável e quem sabe até umas galochas.
Agora resta descansar um pouco se a cabeça ajudar e com a maquina fotográfica nova ansiosa por partir (assim como o dono) muito em breve cá estarei de volta para relatar novos e encantadores lugares.

ATÉ BREVE!


































terça-feira, 22 de junho de 2010

Partidas

Oficialmente entrei hoje de férias, uma semana para o próximo destino, para expiar alguns fantasmas e recarregar baterias até Outubro. Navegava  por alguns blogs sobre destinos magníficos e encontrei esta magnifica frase que retrata aquilo que um viajante inveterado sente.

"Um homem precisa viajar por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver."


Frase retirada do blog Viaggio Mondo