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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A divina vertigem


Ao fim de 2 dias em Viena, qualquer comum mortal começa a achar-se um super-entendido em matéria das artes decorativas e a achar que Barrocos e Rococós e primos afim têm afinal a sua beleza e que não é tudo uma explosão de dourados e cornucópias. Goste-se ou não de artes decorativas é realmente delas que Viena emana grande parte do seu charme e além dos palácios que abundam por aquela cidade nada melhor para apreciar a beleza de séculos anteriores como nas suas igrejas. É provável que o melhor exemplo disso (pelo menos para mim) é a Karlskirche situada numa praça com o mesmo nome. Desta maneira estava escolhido o lugar para passar o final da tarde, decidimos ir de metro pois no mapa não nos conseguimos localizar, o metro da Karlsplatz é a estação mais central de toda a cidade, onde se consegue apanhar linhas para todos os lugares ou ir facilmente a pé ao centro da cidade. Diziam os guias que é um local um pouco mal frequentado mas nada que corresponda à verdade, pelos menos das vezes que lá passei de dia ou de noite nunca vi nada suspeito a não ser uma noite, já tarde, uma concentração de pessoal de heavy metal.

Saímos do metro e depara-mo-nos com a  Karlsplatz, um refúgio no centro da animada capital , delimitado por elegantes edifícios. Num dos lados da praça salta à vista um bonito prédio cor de sangue, é a  famosa Künstlerhaus, escola de arte à qual Hitler se candidatara para ser artista e foi reprovado por não ter qualificações. É estranho olhar para a escola e ficar a pensar no que teria sido do mundo se ele tivesse sido admitido (provavelmente muito melhor).
Bem perto dali aparece a imponente Igreja de São Carlos ou conhecida por lá como Karlskirche, também ela testemunho vivo da violente guerra causada por um aluno reprovado na escola da vizinhança, é no mínimo irónico. 
Mesmo em frente da Igreja está um lago com esculturas de Henri Moore (que tive de estudar nas odiosas aulas de inglês) que por estar vazio foi o local perfeito para tirar fotos a enorme igreja branca, verde e dourada que crescia diante os nossos olhos.

Karlskirche


É no esplendor de todos os seus artifícios que se impões esta enorme e magnifica igreja, para mim a mais bonita de todas. É uma montanha de pedra branca muito trabalhada, dizem que no estilo Barroco, com alguns toques orientais que Karlskirche apaixona os seus visitantes e faz com que fiquemos largos minutos pasmados a contemplar toda a sua elegância. Como acontece com a Coluna da Peste, esta Igreja fora construída como pagamento da promessa do Imperador Carlos VI aquando o fim de mais um surto de Peste em Viena. Dedicada ao São Carlos Borromeu, começou a ser construída em 1716 sob orientação de Aton Erhard Martineli e posteriormente pelo seu filho até à sua conclusão em 1737. Apesar de ser uma obra prima do Barroco com a sua cúpula de 236 metros de altura, incorpora alguns elementos como o pórtico em estilo grego e laterais que nos fazem pensar em pagodes orientais bem como as famosas colunas que se destacam de toda a fachada que representam a vida do Santo e agem no edifício como demonstração de poder de todo o Império.

Se o exterior da igreja já me havia impressionado, assim que transpormos a bilheteira temos a sensação que entramos num lugar não sagrado mas sim mágico! O núcleo da igreja é branco e muito iluminado encimado por uma enorme e muito trabalhada cúpula (e o seu andaime!!!) faz o contraste perfeito com as paredes com pedra rosa e os complicados trabalhos em ouro que vão surgindo nos nichos. Mas o que mais chama a atenção é sem dúvida o altar principal, de uma subtiliza e de uma complexidade artística como eu nunca antes vira, onde o branco e o ouro jogam com as suas diferenças para criar um quadro quase real que nos deixa embasbacados.

O altar mor é provavelmente a peça mais importante da igreja e retrata a ascensão do santo ao céu  em cima de uma nuvem que parece flutuar sob símbolo da santíssima Trindade envolto em raios de ouro que reflectem todo este esplendor através dum vitral por detrás deste cenário. Pôr por palavras aquilo que os olhos vêem e o coração sente é tarefa árdua, cai-se no risco de ser enfadonho, mas até hoje creio que ainda não vi uma obra tão especial quanto esta.
Todo este trabalho se vai reflectindo nos diversos cantos e recantos da igreja, um frenesim de fotografias e ao mesmo tempo tentar perceber o áudio-guia e contemplar toda aquela maravilha, quase deram cabo da minha orientação, e às tantas dei por mim a repetir pela quinta ou sexta vez a volta em torno da igreja. se alguém perguntasse diria que era promessa. 

No meio de tanta beleza, sobressaia o metálico e inestético andaime mesmo no meio da cúpula, obviamente que seriam obras de restauro, mas que a coisa ficava mal ali, lá isso ficava, e não deixava contemplar as pinturas que por cima dele repousam. Entretido a tirar fotografias reparei num senhor já de idade sentado num banco mesmo diante do andaime onde uma luz vermelha piscava: ELEVADOR!! 
Poderia ser feio aquela coisa ali plantada no meio da igreja, mas pelo menos poderia subir lá em cima e ver a cúpula bem de perto quase no cara-a-cara. Mas rapidamente o meu entusiasmo esmoreceu, dizia a minha companhia ao ouvido "eu não vou morro de vertigens, vai tu que eu não me meto nessa coisa". Efectivamente era uma subida bem alta, mas eu estava convicto que valeria bem a pena superar o medo e conseguir chegar lá em cima. Passados uns minutos a gastar o meu latim e a vender-lhe a banha da cobra "não sejas maricas aquilo não vai cair, vamos até la acima vais adorar; o velhote foi todo contente e tu aqui a dizer que tens vertigens, etc etc etc" e foi!! Não resisti à ironia da situação, acabara de convencer uma pessoa com vertigens a subir ate 236 metros de altura e quando entramos no elevador este era completamente de vidro, fazendo com que tal pessoa fosse o caminho todo de olhos fechados e a cantarolar para afastar o medo.



Chegados lá no cimo, somos assaltados pelo espanto e pela admiração. o trabalho de pintura é espectacular, que conta a historia do Santo com a Virgem Maria bem ao estilo que a igreja merecia. Nunca havia subia a qualquer cúpula e esta fora uma experiência muito gratificante. por um lado poder observar a igreja cá em baixo e aperceber-me de que realmente as cúpulas são uma obra da engenharia de tão enormes e complexas que são, impressionou-me de como quando estamos no chão os desenhos são pequenos e difíceis de se ver quando na verdade quando estamos ao mesmo nível deles são enormes e um homem ao lado de um desenho é muito mais pequeno que esse e por fim de como usaram a perspectiva e as escalas para que do solo as coisas pareçam realidade. Aconselho a todos os que alguma vez possam subir a uma cúpula e apreciarem as diferenças.
A companhia já se encontrava mais calma mas teimava em não se aproximar das bordas da plataforma de todo o diâmetro da cúpula, era definitivamente um dos momentos altos da visita. encontravam-se umas 2 pessoas na plataforma tendo-me uma dito que deveríamos continuar a subir (mas a pé) até sairmos para a rua mesmo por baixo da cruz e que ai teríamos uma das vistas mais deslumbrantes da plana cidade de Viena. A única maneira de subir era por uns andaimes estreitos que subiam até ao orifício da cúpula, e  o senhor  volta-me a dizer para aproveitar ir pois aquilo era muito estreito e que de momento não estava lá ninguém. Armo-me em super-heroi e começo a trepar os andaimes suspensos na plataforma agarrada ao rebordo da cúpula, bem lá nas alturas e começo a ver a minha companhia mais distante enquanto um brisa começa a sentir-se pelo óculo da cúpula. A cabeça estava já meio tonta mas pensei que era cansaço e nisto os andaimes começam a tremer, ainda teimo em subir mas os meus passos  fazem tremer a estrutura, começo a ficar com medo e as pernas a tremerem, estava suficientemente alto para conseguir chegar mesmo ao topo mas começo a sentir umas tonturas e um pânico que me fizeram passar vergonha e gritar cá para baixo "Vou descer que estou com medo" e chego à plataforma suado e pálido como os mortos e depois de contada a aventura ainda ouço "afinal também tens vertigens, maricas!".
Nesse momento não quisemos saber mais de cúpulas e assim que o elevador chegou a terra firme foi no banco da igreja que recuperamos fôlego e baixamos a adrenalina. Acho mesmo que rezei mesmo não o sabendo.























Ainda com alguma adrenalina a pulsar nas veias, deixa-mo-nos ficar por ali sentados a apreciar mais uns momentos de tamanha beleza artística e ganhar forças ainda para mais uns momentos de puro deleito que proporcionaram o inicio daquela noite. Já de saída da igreja reparo numas escadas perto de um Santo António de Lisboa (não deixei de pensar que por aquelas bandas as mulheres também custam em procurar marido) santo nacional que orgulhosamente tem um altar nesta magnifica igreja. Ainda houve tempo e energias para ver uma exposição de arte moderna nos andares superiores e já mesmo na saída um cartaz com uma frase em português, naquela terra daquela língua muito difícil de falar que é o alemão!

Aquele final de tarde ainda teria muitas surpresas  para nos revelar, contudo a visita a Karlskirche fora um dos momentos altos, e provavelmente o monumento mais apreciado entre os 2 de toda a viagem. Bem pela noitinha, já a estourar aquela réstia de energia ainda passámos pelos seus portões e admirar novamente tamanha beleza mas no segredo das luzes e das sombras.



Dicas:
- Site Oficial clique no LINK
Ingresso: 6 €
- Horário: Mon-Fri 7:30am-7pm; Sat 8:30am-7pm; Sun 9am-7pm
- Localização e metro: Karlsplatz, 4th District/Wieden; U1, U2, or U4 Karlsplatz

domingo, 21 de novembro de 2010

Nos Jardins do Schonbrunn

Regresso novamente ao blog após um mês intenso, tanto de viagens (foi só uma mas valeu por mil) e de trabalho. Começam a acumular-se recordações e emoções das magnificas viagens que este ano, que está quase no seu fim me foi proporcionando. Desse modo continuo no ponto onde havia parado, na magnifica e sumptuosa Viena de Áustria.

Nenhuma visita ao Schonbrunn fica completa sem uma pessoa passear e deixar-se envolver nos utópicos jardins deste palácio. Abertos aos público deste de 1779 estes jardins barrocos são o cenário perfeito para o palácio e requerem umas boas pernas para percorrer os seus quase 2 km de lado.

Do seu interior vai sendo possível ter alguns vislumbres de todo o parque, mas só quando se contorna o palácio e entramos no portão de acesso aos jardins, nos damos conta da imensidão que nos espera, recebidos por enormes avenidas floridas e com estátuas que dão para recantos tão espectaculares como o palácio. É difícil imaginar que todo este parque nasceu como uma reserva de caça (comum na altura e em Portugal temos muitos bons exemplos disso) e na época da imperatriz Maria Teresa se foi tornando um autentico museu ao ar livre.
O jardim e a vista é dominado pelo Parterre uma enorme avenida simétrica que acaba numa magnifica fonte e no espantoso Gloriette no topo de uma colina. É um espaço enorme e florido, quase uma sala de visitas do jardim e pelo mapa o ponto de partida conhecer todo o parque, o que não impossibilita que uma pessoa não ande perdida pelas avenidas e deparar-mo-nos com autenticas obras de arte. O melhor lugar para vislumbrar esta avenida é a varanda das traseiras que é fácil de encontrar e proporciona um dos melhores ângulos para fotografar todo aquele cenário.

Fonte de Neptuno

 Esta fonte que fica no fim do Parterre e o inicio da colina foi construída em 1770 projectada por Johann Ferdinand von Hohenberg Hetzendorf. O tema é a mitologia grega com Neptuno o senhor dos mares e a sua comitiva, um tema muito comum nesta época pois simboliza o domino dos reis sobre os seus territórios. Infelizmente por ser Inverno a fonte não estava a funcionar dado que a enorme piscina que se estende diante dela estava congelada, de qualquer das formas não deixa de ser impressionante e bela.

Gloriette


Provavelmente é o edifico mais famoso de todo o parque de Schonbrunn, visivel em quase todo o lado do alto da sua colina,como quem observa a vida palaciana no patamar inferior. Construido em 1775 no alto da colina que nos projectos iniciais seria para demolir, é uma estrutura Barroca num estilo que nos faz lembrar um arco do triunfo um pouco mis pomposo de onde se obtém uma vista espectacular de todo o complexo palaciano.
No tempo dos imperadores era utilizado como salão de jantar com uma cozinha independente, que foi destruída em 1925. Durante a segunda guerra mundial foi parcialmente destruído só retomando o seu antigo esplendor após as obras de restauro já no final do século passado.
















Apesar de nas avenidas ajardinadas em redor do palácio a Gloriette parecer ser alcançável em alguns passos, a tarefa torna-se um desafio ao físico. Obviamente que o frio e a neve que começava a cair não ajuda em subidas, mas os caminhos em zigue-zague que até lá ao topo levavam eram um regalo para a vista mas uma presente envenenado para as pernas, afinal a diagonal é sempre o caminho mais longo. Ofegantes e muito cansados, o esforço é logo recompensado com a vista impressionante que dali temos. Não só do palácio como da cidade que vamos conseguindo descobrir alguns dos sus pontos interessante bem ali do alto. O tempo voa enquanto observamos as piscinas que se encontram à frente e atras e com um nevão em cima da cabeça decidimos iniciar a descida, bem devagarinho pois o cenário é bem propício para mil e uma fotografias de nós para nós mesmos, sem nunca largar o inseparável saco com a Sissi estampada pelo qual me afeiçoei. è nestes momentos que sem esperar encontramos 3 tugas de mochilas as costas (de Braga diziam eles) trocamos umas conversas, afinal estavam a fazer o mesmo percurso que nós e foi impossível conter o sorriso quando descobrimos que afinal havia mais gente maluca neste mundo a fazer um mini inter-rail no pico do inverno por aqueles países quase quase gélidos.

Palm House 




Bem num canto oposto do centro do jardim, perto da entrada do Zoo e de outras atracções, fica a famosa estufa. Construída em 1881 toda em ferro e vidro abriga no seu interior espécies de plantas e árvores dos climas tropicais, temperados e frios. São impressionantes os seus 113 metros de comprimento e 28 de altura, que alojam uma autentica floresta tropical no seu interior que no sistema inteligente de vidros, persianas e tubos de vapor pode acolher espécies de todo o mundo. Infelizmente o bilhete é à parte pelo que optamos por não entrar mas do átrio é possível obter uma ideia do que por dentro se esconde. De qualquer das formas a beleza do edifico e dos jardins que o rodeiam são suficientes para uma visita a esta elegante estufa.

Ruínas Romanas




Provavelmente é a obra mais cénica e espectacular de todo o complexo. Construida em 1778 segundo as modas da altura estas ruínas aparecem-nos como uma casa romana a degradar-se na beira de uma piscina, onde toda a estrutura e as envolvencias foram estudadas e executadas até ao mais ínfimo pormenor, no que resultou num cenário do qual não nos cansamos de apreciar.




















Fonte do Obelisco




Esta fonte construída em 1777 apresenta-se como o marco mais importante na avenida leste do parque e na simetria de todo o jardim. Facilmente visível a sua composição é extremamente impressionante: composta por uma gruta com vasos, deuses e animais que jorram água para uma bacia é corada por um obelisco a imitar os do antigo Egipto apoiado em 4 tartarugas douradas como símbolo da estabilidade dos Habsburgs, Nas faces do obelisco estão cartelas  em hieroglíficos que representariam toda a historia desta dinastia, contudo nada dizem porque os hieróglifos na altura em que a fonte fora construída ainda não tinham sido descodificados. a fonte infelizmente não estava a funcionar mas a sua bacia estava congelada como uma pista de patinagem, onde animais como esquilo e cobras fazias as suas tocas nas grutas que se escondem entre as estátuas.















Já sem grandes forças, mas de alma bem cheia estávamos a dor terminada a visita ao incrível mundo do Schloss Schonbrunn. Depois da visitas fantástica feita ao palácio os jardins ainda foram capazes de nos surpreender. Muito bem tratados, limpos e organizados que na sua imensidão escondem dezenas de obras de arte, requintadas e elaboradas que nos deixam sempre de boca aberta. As desvantagens de viajar no pico do inverno limitam-nos em tempo e no que encontramos aberto, pelo que não conseguimos visitar o Zoo (sim o palácio é tão enorme que tem um zoo lá dentro, aliás o mais antigo do mundo) nem o labirinto entre outras atracções. Contudo foi e será uma das melhores visitas culturais que efectuais sobre o barroco e o rococco em todo o mundo. num só palavra: IMPERDIVEL.


Algumas dicas:

  • Jardins são gratuitos, se não tiver tempo/dinheiro para ver o palácio é uma visita imperdivel
  • Tem várias entradas, mas a mais fácil é pela fachada principal nas suas laterais
  • Levar bom calçado
  • Existe um café no Gloriette, mas não encontrei mais nenhum lugar que venda água ou comida em toda a extensão do parque.





domingo, 10 de outubro de 2010

Carimbos no passaporte ou já não?!


Finalmente chega pela última vez este ano as férias tão aguardadas. Não é que me possa queixar das outras pois me permitiram vaguear por este mundo fora e conhecer magníficos lugares que jamais saíram da minha memória. Desta vez a coisa toma uns contornos especiais; como já deu para ver pela foto amanhã rumo a caminho do Egipto, um lugar que sonho conhecer desde quase sempre e que me deixou sempre aquele bichinho, amanhã finalmente chegou o dia.
Mas qual não foi o meu espanto que após a mala arrumada e os documentos em dia (sim desta vez não perdi o passaporte na véspera) dou de caras com o inevitável, será que deixaram de existir os carimbos no passaporte que tanto orgulho me dão e foram substituídos por auto-colantes? Já dizia Camões "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades" mas havia a necessidade de trocar os meus adorados carimbos e ser eu mesmo a tratar o meu passaporte como uma caderneta? Não sei, talvez seja o futuro a chegar lá bem longe mas de qualquer forma nada impedirá a alma e o engenho de partirem para conhecer. 
Até breve

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Na imensidão do Schloss Schönbrunn







Nestes dias de puro passeio e cultura, já se tinha tornado rotina acordar bem cedinho e meter pernas ao caminho, mesmo quando ainda parecia que só nos tínhamos deitado há pouco mais de 1 hora e houve até alguém que sonhara a noite inteira que percorria corredores cheios de quadros daqueles imensos palácios. Coincidência ou não aquela manhã (ou pelo menos assim julgava) estava reservada à concretização desse sonho.

Já me tinham falado maravilhas deste palácio e por essa Internet fora repetia sem parar "um lugar a não perder", e desta feita nada como rumar aos arredores de Viena e visitar o majestoso Schloss Schönbrunn. Ainda sem muito bem perceber como se pronunciava esta estranha palavra que dá nome ao palácio (Schöne Brunnen significa boas águas em alemão) facilmente encontrei a gigantesca residência de Verão dos Habsburgs que se estendia até onde a vista não alcança pelo outro lado da avenida. Entre as árvores despidas avista-se o enorme palácio de cor amarela torrada no seu estilo barroco e rococó doutras eras. Dificilmente a imaginação consegue superar aquilo que a vista alcança quando perante este palácio, ainda mais porque a fachada é mais pequena relativamente ao incrível mundo que se esconde por detrás dela.




















Não havendo tempo a perder e além do mais com o frio nosso amigo já a dar sinal fizemo-nos à entrada, ou melhor na tentativa de encontrar a porta de entrada do palácio no meio de centenas de portas que se abriam na praça mesmo diante do palácio. Já se encontrava imensa gente no interior do palácio, sendo ainda bem cedo, felizmente havíamos comprado os bilhetes no dia anterior e pudemos passar à frente na enorme fila. de áudio-guia em punho e com os casacos arrumados no bengaleiro deixamo-nos envolver pela atmosfera que emana de cada recanto.



 








História (muito resumida)












Toda a exuberância deste palácio remonta ao ano de 1569 quando o 

Imperador Maximiliano II comprou os terrenos onde hoje se situa o palácio e Leopoldo I elaborou um projecto extremamente ambicioso, que nunca chegou a ser concretizado na sua totalidade, na tentativa de rivalizar com Versalhes em Paris. Apesar de não se ter concluído o projecto original o actual palácio tem 1440 divisões, no mais alto estilo Rococó.


A construção teve inicio no ano de 1696 e após 3 anos já se celebravam festas na parte concluída do palácio. Com o passar dos anos e de vários soberanos,a construção e decoração inicial foi sendo alterada tendo visto o seu maior esplendor sob do domínio da Imperatriz Maria Teresa, tornando-se o foco politico e social do império. Em meados do século XVIII quando as alas laterais do palácio foram construídas, Schönbrunn era a principal residência da família real bem como da sua corte de 1500 pessoas. Além de Maria Teresa outras personagens da história viveram neste palácio tais como Maria Antonieta, Napoleão Bonaparte e Sissi. Foi adquirido pela republica Áustria em 1918 e após a 2ª Grande Guerra no qual foi quase fatalmente atingido e despojado é declarado Património da Humanidade pela UNESCO. Hoje em dia é dos monumentos mais visitados de Viena e realmente um palácio a não perder.


Perdido nos corredores infindáveis do interior do palácio, começava a duvidar que alguma vez iria encontrar o inicio da visita, apesar de o audio-guia ir explicando detalhadamente os pormenores de tal sublime monumento. Por entre algumas janelas tinha uma fugaz imagem dos jardins que se escondiam nas suas traseiras, aqui e ali uma fotografia tirada às escondidas dos guardas, porque é realmente difícil resistir a tanto encanto.  Sem muito bem perceber como já estava a subir a monumental escadaria até fazer um compasso de espera e poder finalmente conhecer o coração de Schönbrunn. 
Não consigo explicar por palavras aquilo que se vai desenrolando ao longo da visita, lustres, caracóis e conchas, dourados e espelhos, roupas e quadros que a seu turno nos vão dando uma ideia ainda mais detalhada de como a realeza vivia naquele tempo, aqui e ali era chamado a atenção para pormenores como as paredes falsas onde passavam os empregados, os bustos dos monarcas no sei leito de morte (nunca percebi o motivo de bizarra representação) e um sem número de coisas interessantes. Ainda a visita não tinha chegada a meio e já as pernas davam sinais de cansaço, estoicamente ouvi as explicações todas até ao fim mesmo que recorrendo a algumas estratégias como roubar as cadeiras dos guardas do palácio ou fazer turnos de explicação onde eu ouvia e explicava aos outros e na sala seguinte o contrario também era válido.

Apesar de ser PROIBIDO TIRAR FOTOGRAFIAS, aqui vão umas tiradas debaixo do casaco sem enquadramento ou até focagem mas valeu a pena a tentativa.




 É impossível não ficar estupefacto com toda a imponência destas salas, umas exuberantes e grandiosas outras mais simples e acolhedoras, mas todas muito decoradas. Infelizmente o salão de baile estava em restauro estando uma parte coberta com andaimes que rodeavam o gigantesco lustre que os restauradores tiveram medo de tirar do tecto com receio de não voltarem a conseguir coloca-lo. A meio da visita somos surpreendidos por uma sala na qual se poderia sair ou desistir da visita, ou aqueles detentores do bilhete completo poderiam optar por ver o resto do palácio. Não passando grande importância ao cansaço e com os bilhetes em punho lá prosseguimos o tour, desta vez com menos gente, mas com salas ainda mais elaboradas. 

Não sei se foi impressão minha ou simplesmente esta última etapa da maratona palaciana tornava.se um pouca mais intimista sobre aqueles que neste palácio viveram, foi interessante ver retratos de Maria Antonieta em criança quando vivia neste palácio alguns anos depois de ter visto quadros quase idênticos aquando adulta no palácio ainda mais extravagante que provavelmente lhe custou a vida. A cada passo a visita ia final e infelizmente acabando, um último vislumbre sobre as ultimas salas, uma muito rápida espreitadela sobre as paredes falsas onde passavam os criados e lá estava eu na imensa loja de souvenirs que custavam para cima de um dinheirão. Não sou grande fã deste tipo de recordações contudo, acabei por comprar o DVD sobre o  palácio que está mesmo muito interessante


Umas boas horas depois do inicio da visita, dava-se esta por terminada e com vontade de voltar a entrar de novo e voltar a repetir para ficar tudo bem gravado na memória, pois porque no cartão da máquina não deixaram. Pelas janelas do palácio volta e meia lá se ia avistando os jardins, a segunda e talvez a maior surpresa daquele gigantesco complexo, que ficará para um próximo post.


Coordenadas

Quando: Qualquer altura do ano, sob a neve ou rodeado de flores
Preço: Apesar de estarem disponíveis vários tipos de visita aconselho o bilhete combinado do Schönbrunn e Hofburg (Sissi Ticket) 22,50 €, no caso se só quererem visitar este palácio aconselho a Grand Tour por 12,90 € que visita todas as dependências possíveis do palácio, em detrimento da outra que se confina a metade
Como Chegar: Metro U4, Schönbrunn station; Train 10 e 58, Schönbrunn station; Bus 10A, Schönbrunn station



Site Schloss Schönbrunn

sábado, 28 de agosto de 2010

Fim de tarde em Viena

Deixo-vos mais um álbum de fotos do entardecer frio e nevado de Viena quando quase por acaso me deparei com estes locais realmente fantásticos, espero que gostem.


segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Graben, as Trincheiras de Viena


Estas coisas de viajar no pico do Inverno, tem as suas vantagens: alojamento mais barato, menos confusão e por ai em diante; mas também nos deixa enregelados até aos ossos nos dias curtos e carregados de neve dessa Europa Central. Este primeiro dia em Viena que havia começado bem de madrugada estava prestes a terminar, mais pelo cansaço do que propriamente pela falta de "atracções" a visitar ou simplesmente pelo anoitecer. As pastelarias em volta da Stephansdom tornaram-se um mote irresistível ao pecado da gula e depois de mais um doce nesse dia, a injecção de glucose no sangue foi a motivação para continuar a desvendar os segredos desta grande cidade. 
Uma vez no centro da cidade, facilmente chegamos a pé a quase todo o lado, isto se não se parar a cada 5 passos para apreciar e fotografar qualquer coisa e demorar uma hora a fazer uns 800 metros (confesso!). Mesmo ali nas redondezas da catedral estende-se a mais famosa e talvez a mais elegante rua de Viena, Graben, uma rua pedonal ladeada de elegantes e imponentes edifícios que foram surgindo ao longo dos séculos e embelezando cada vez mais a cidade. Graben na tradução do alemão significa trincheira, pois ao que parece onde hoje se localiza esta rua foi há muitos séculos atrás uma vala que após ser nivelada foi-se tornando o coração de Viena.  Rua de palacetes, bancos e elegantes lojas esta artéria é rasgada por um dos mais belos e estranhos monumentos da cidade: 

Pestsäule, Monumento à Peste
No centro da rua eleva-se no seu topo dourado de anjos e santos a coluna comemorativa do fim da peste. Viena como o resto da Europa foi visitada duas vezes pela Peste que matava gente aos milhares por este continente fora, em 1679 quando a coisa estava a ficar negra para estes lados, o Imperador Leopoldo I pegou nas suas tralhas e fugiu para bem longe, provavelmente não deve ter sido coisa que caísse nas boas graças dos vienenses e diz a história que o Imperador encomendou a construção de um monumento comemorativo ao fim da Peste, talvez até uma forma subtil de apagar a ira daqueles que ficaram sujeitos a morrer com uns bubões de pus, quem vai saber?!
De inicio haviam construído uma coluna de madeira, que aparentemente não satisfazia o imperador e após vários anos de obras  e projectos e diversos autores o  actual monumento foi inaugurado em 1693 sob autoria do Paul Strudel num dos expoentes máximos do estilo do Alto Barroco.
Uma pirâmide de nuvens que vai sustende anjos e santos, uma imagem do próprio imperador ajoelhado, uma bruxa a expulsar a peste que é coroada por um topo dourado e reluzente, é sem dúvida um dos monumentos mais espectaculares da cidade, de uma delicadeza que faz a pedra parecer realmente nuvem e nos deixa maravilhados com a arte e o engenho da espécie humana.
Perdidos no encanto desta escultura, o tempo passou a voar até ser relembrado por alguns flocos de neve que o dia caminhava para o seu fim e muito havia para ver, não muito longe só mesmo uns passos mais à frente.

Peterskirche

  
Numa rua perpendicular ao Graben, esconde-se esta imponente Igreja numa praça com o mesmo nome que eleva nos céus de Viena as suas cúpulas de Bronze. Aparentemente existia um qualquer edifício religiosos dos tempos do Império Romano mando erguer por Carlos Magno (ao qual é dedicada a escultura do pórtico) mas os primeiros registos de existir aí uma igreja são do século XII que desse edifício nada chegou aos dias de hoje após um incêndio em 1661 e decidirem uma radical reconstrução.
A igreja consagrada à Santíssima Trindade iniciou a sua construção em 1701, de estilo Barroco inspirada na Basílica de São Pedro no Vaticano, tendo sido inaugurada em 1733 (uns 22 anos antes de Lisboa tremer). Por ter sido construída numa zona com pouco espaço, optaram por uma arquitectura oval repleta de talha dourada que confere um espaço enorme quando nela entramos. Poucas são as palavras para descrever a riqueza desta igreja, que se mostra mais uma lição sobre a história e evolução da arquitectura e artes decorativas representado no púlpito e até nos bancos ricamente trabalhados. Infelizmente o altar que é aconselhado em toda a literatura de Viena encontrava-se tapado com um pano roxo, pois segundo a minha avó que é sabida nestas artes da religião, era semana santa.
Para aqueles que por estes lados passarem aconselho vivamente a entrada nesta igreja, que por sinal é gratuita e desfrutar de toda a sua beleza. 



Judenplatz


Mais ou menos sem destino definido acabei por encontrar esta sossegada praça, elegante por sinal, não fosse isso já a norma em Viena. Judenplatz, ou Praça Judaica foi noutras eras o centro da comunidade judaica, hoje tornou-se uma zona de memória ao sofrimento judeu causado pelo holocausto, imortalizado numa escultura de cimento em forma de cubo com nomes dos 65 mil judeus assassinados. A praça é muito bonita e aconselho uma visita mais pela sua elegância e a titulo pessoal começo a achar que este tipo de manifestações sobre o sofrimento judeu espalhados em todos os locais judaicos que visitei começa a tornar-se muito entediante, que me desculpem os judeus mas a vossa cultura tem muito mais para oferecer ao mundo do que os nomes dos judeus mortos, os sapatos dos judeus mortos e até atacadores (como vi em Praga), o que aconteceu certamente a humanidade não irá esquecer, está na hora de seguir em frente.


Am Hof


 Mesmo nas imediações da Praça Judaica abre-se a Praça Am Hof, a maior do centro histórico de Viena que deve o seu nome ao edifício do antigo tribunal de guerra. No seu centro ergue-se a Coluna de Maria manda construir pelo imperador Fernando III que se situa mesmo em frente da Am Hof Kirche local de interesse histórico, pois foi onde terá sido extinto em 1804 o Sacro Império da Nação Alemã. 


Com tanta cultura a pesar na alma e o corpo, o frio a enregelar os ossos já de si gelados, foi decisão unânime em voltar para o hotel, ainda com um resto de embalagem no corpo passamos por mais alguns locais bastante interessantes, mas que resta apenas o registo fotográfico e pouca informação, pelos lados da catedral as ruas fervilhavam de gente nas compras e nos cafés apesar da neve que fortemente caía, a ópera surgia iluminada no fundo da rua em todo o seu glamour e após uma passagem num supermercado regressamos ao hotel onde fizemos esparguete à bolonhesa numa cafeteira eléctrica que obviamente ficou estragada para todo o sempre.

                                                                                                                



quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Um passeio pelo centro de Viena - em fotos!

Deixo-vos algumas fotos do centro histórico de Viena para se encantarem por esta magnifica cidade.

sábado, 17 de julho de 2010

Festival Ao Largo - Lisboa liricamente encantada


Hoje entrava alegremente no primeiro fim de semana depois de umas férias magnificas pelos norte de Itália, quando decidi não fazer o favor ao corpo de ir para a cama e dar uma passada pela baixa lisboeta, sempre muito movimentada pela noite dentro. O carro estacionado no local do costume, uma moedinha ao "mano" já de longa data (minha sorte que ele se contenta com pouco) e um copito pelo bairro alto com futuro de deitar cedo na cama. Perto da Brasileira ouviam-se aplausos e dizia alguém que devia de haver ópera por aquelas bandas. 
Ópera é sinal de Teatro Nacional de São Carlos, que ali mesmo a 2 passos do centro do Chiado fica elegantemente repousado, foi a meta e a surpresa da noite. Palco, orquestra, maestrina, cantores, afinal havia ópera para o povo, uma noite dedicada a Verdi, sem os formalismos e as etiquetas que manda o figurino, assim num toque quase familiar que convida quem passa a sentar e desfrutar ou até mesmo conhecer os encantos da ópera e por fim descobrir que não é algo para os velhos ou elites, e sim que a musica clássica é e será a base de toda a boa música,
De louvar esta iniciativa que envergonhadamente desconhecia, que se repita e quem estiver interessado se manterá até ao dia 27 de Julho. Muito muito breve continuarei a divagar pela mítica cidade de Viena, a mãe da música clássica.