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segunda-feira, 14 de março de 2011

Uma casa impronunciável!!!!


O tempo havia passado a correr na nossa estadia por Viena e aquela manhã cinzenta seria o nosso último dia por aquela cidade que ainda tanto tinha para descobrir. Museus, palácios e demais cultura já tinham sido visitados e o último dia  tinha ficado reservado para desfrutar da cidade, das suas ruas e avenidas, algumas lembranças e claro a tão esperada noite na ópera. A contrastar com o barroco e elegância da cidade havíamos decido reservar aquela parte da manhã para visitar um dos edifícios mais estranhos da cidade, uma epifania dos 80's que faz lembrar o modernista catalão Gaudí na cidade dos dourados e dos brocados, estou a falar obviamente de Hundertwasserhaus!!

Apesar de não se conseguir pronunciar tal palavrão, de máquina fotográfica em punho andámos decididos em descobrir tal raridade. Era domingo de manhã e pouco ou nenhuma gente andava pelas ruas, o metro desembocara numa zona mais residencial da cidade o que nos permitiu ter uma outra noção de como se vive por detrás da opulência e charme dos inúmeros palácios. Viena não desilude nem nas zonas menos turísticas, a cidade continua a apresentar-se elegante, organizada e limpa, com os jornais diários pendurados em sacos de plástico com umas caixinhas para deixar o dinheiro!!!
Encantados com essa novidade dos jornais ali mesmo à mão de semear andámos alguns minutos meio sem rumo pelas ruas até à evidencia matemática de que o tempo  flui e não havíamos dado com a casa e que efectivamente estávamos perdidos. O mapa não nos ajudara grande coisa pois não fazíamos ideia sequer de para onde ficava o norte e desta feita surgira a brilhante ideia de que os telemóveis têm GPS!! Copiada a morada que vinha no guia para o aparelho seguimos o caminho que a senhora que mora dentro do aparelho nos ia indicando, e andámos, andámos até nos fartar e tirar a conclusão de que efectivamente a Helena (nome com o qual foi baptizada a senhora) também não percebia nadinha daquelas bandas e andava tão ou mais perdida que nós os 2.
Os jornais mesmo ali à mão de semear!!
Estávamos a porta da igreja lotada num domingo de missa, perguntámos no nosso deutch recém adquirido onde ficava a dita casa, ninguém percebeu, mostrámos as fotos do guia e lá por gestos alguém nos indicou o caminho, bem pertinho por sinal como um atestado de incapacidade à nossa desorientação espacial. E finalmente a dita casa com o nome mais estranho estava mesmo ali ao virar da esquina!

Hundertwasserhaus



Este estranho bloco de apartamentos, que mais poderia ser uma obra de arte em si mesmo, é da autoria de Friedensreich Hundertwasser que viu a luz do dia em 1985 (ahh os ricos anos 80) com o intuito de contrariar a arquitectura moderna que o autor dizia não ter personalidade. Personalidade é coisa que não falta a esta estranha casa de formas irregulares em vários estilos, uso e abusa das cores primárias, árvores nas varandas, trepadeiras nas janelas, paredes tortas e varandins de várias nações.










Mesmo em frente desta magnifica obra encontra-se um mini centro comercial de lojas de recuerdos muito ao estilo desta tão excêntrica vizinha, era finalmente a hora ideal para trazer alguns presentes para a família e amigos, adiados até mesmo ao último dia, e claro, comprar os tão aclamados chocolates Mozart espalhados por toda a cidade. O pecado da gula invadiu-nos e aquelas bolinhas recheadas de chocolate que apesar de caras não chegaram a ver mais a luz do dia tendo sido devorados por nós os dois no decorrer desse dia. Bem a família viu as pratas que os envolvia, afinal conta mesmo é a intenção não é verdade??


Como se diz aqui por Portugal que "não há fome que não dê em fartura" e depois de tanto termos procurado pela primeira casa, já no regresso ao centro de Viena (a pé para manter a linha) fomos encontrando umas tantas casas esculturas pelo caminho, mostrando o empenho do autor em mostrar realmente a sua visão. a manhã desse dia acabava com um repasto já meio ressequido num magnifico parque da cidade, mas o último dia em Viena guardava ainda algumas surpresas.

Coordenadas:
Página oficial AQUI 
Como chegar: Metro: Landstrasse BUS: Hetzgasse. Nós fomos de metro contudo foi ligeiramente complicado encontrar a casa
Encerrado ao público
Vale a pena pelo contraste que faz com a cidade pela sua originalidade, é um edifício muito cénico ideal para fotografias. Existem muitas lojas de souvenirs na área que apesar de caros foi dos locais mais variados e com menos recuerdos standard  que encontrei. 

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

E à noite em Viena?

Passear por Viena é quase um desporto, tanto físico como mental, tanta é a variedade de atracções que se vão escondendo a cada esquina na sua enorme imponência. Nem sempre sobram forças para sair à noite e descobrir essa mesma "noite" dos locais que visitamos, o pôr do sol é o derradeiro ponto de  qualquer viajante que acordou bem cedo andou léguas a pé e só deseja um bom banho, um jantar mais ou menos comestível e dormir.

Na nossa visita por Viena também não escapamos a tal cansaço, e sair a noite foi sempre algo que fomos protelando com o passar dos dias, por tantas desculpas esfarrapadas como o está tanto frio ou simplesmente porque alguém adormeceu enquanto lia o guia para programar o dia seguinte. Contudo houve duas noites que vencendo a inércia de ficar na cama lá nos levantámos e fizemos-nos ao mundo, ou Viena à noite. 
Confesso que não tenho qualquer legitimidade para falar sobre o que fazer em Viena depois de escurecer, restaurantes não sei, os preços afixados ás portas repiliram-nos e aos nossos magrinhos orçamentos, alguns bares abertos que não nos atrevemos a entrar pois eram da mesma condição dos restaurantes. Restou-nos um jantar requintado numa cadeir internacional de fast-food onde tivemos a visão de uma "teen chinoca "que roçava para lá do feio, embrulhada na cintura numa toalha turca a fazer de saia e uma camisola 10 números acima do seu.  Com esta visão demoníaca decidimos andar a pé pela cidade, rever os monumentos mas desta feita iluminados, sermos só nós o frio e a cidade dos nossos encantos. É seguro andar pela cidade de noite, algumas lojas estão abertas até tarde e vê-se sempre alguém a a passar em qualquer lado, não nos pareceu que Viena fosse o centro da  noites loucas , mas também nem chagámos a procurar.  Para os mais afortunados uma ida à ópera ou aos inúmeros espectáculos de música clássica são um bom motivo para sair à noite, mas da ópera falarei noutro post com dicas fantásticas.

Já diz o povo que "à noite todos os gatos são pardos" e foi nessa mística de penumbra e monumentos iluminados que fomos totalmente rendidos a elegância da cidade mais musical do mundo, ficam algumas fotos para suscitar aquela curiosidadezinha.




Memomial a Strauss
Hofburg

Staatoper

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Um beijo no Belvedere


As viagens são como a vida, quando pensamos que está tudo visto e pouco mais nos pode surpreender, rapidamente constatamos o contrário. Tinha sido o que acontecera naquela tarde bem gelada em Viena; após quilómetros a andar a pé e dezenas de monumentos magníficos visitados já quase estávamos tentados a pensar que o Belvedere não nos iria surpreender assim em grande escala, era somente mais um palácio! Mas não e como enganados estávamos.

Meio perdido pelas ruas de Viena tentamos encontrar o palácio que não havia meio de aparecer, a tarefa também se tornava mais complicada após termos decidido ir às compras a meio do caminho. Entrámos num supermercado quase igual a Portugal, um cesto na mão e a meter lá para dentro os produtos que nos convinham, por vezes sem perceber o que eram e mais pelas fotos das embalagens. A coisa realmente tomou contornos mesmo delicados quando chegámos à secção das águas. Tínhamos sede efectivamente, e mesmo ali diante dos nosso olhos prateleiras de garrafas de água de todos os tamanhos e cores. Subitamente lembrei-me que por aquelas terras água engarrafada significa água com gás, coisa que ambos odiamos e creio que muito boa gente também. Tentou-se o inglês e ninguém compreendia, francês ou espanhol menos ainda e para nós o alemão é uma grande dor de cabeça. A única solução para dilema era uma regra de três simples: se água em alemão se escreve Wasser então água com gás deverá ser Wasser mais qualquer coisa???!!  Depois de árdua escolha lá trouxemos a garrafa de 1,5 L que nos aprecia indicada. Pagámos e naquela grande expectativa de beber finalmente água, rodamos a tampa e "Pfffffffffffffffffffffffffff" TROUXEMOS ÁGUA COM GÁS!!!


Rendidos à evidencia de ter de beber aquela água borbulhante e a saber a água termal, durante todo o caminho tentei arduamente retirar o gás, ora andando de tampa aberta ora chocalhando a garrafa, enquanto ainda procurávamos o raio do palácio. Depressa guardei a dita garrafa na mochila quando a água estava quase congelada e as pessoas olhavam para mim na rua com ar bem desconfiado. Então finalmente encontramos o tão esperado portão do tão procurado palácio, com o mapa do seu jardim. Dirigi-mo-nos logo para as bilheteiras e só depois nos podemos render a todo o cenário que diante de nós aparecia.

Belvedere e um pouco da sua história

Belvedere Superior (montagem de várias fotos)
 O Palácio do Belvedere (ou palácios) é considerado edifício barroco mais bonito do mundo, constituído pelo Superior e o Inferior ligados por um magnifico jardim em declive que proporciona uma vista impressionante sobre os 2 palácios.

Belvedere Inferior
O Belvedere Inferior foi o primeiro palácio a ser construído em 1716 após dois anos de construção. Idealizado pelo Príncipe Eugénio de Saboia como residência de Verão, mas pelo que consta raramente fora utilizado como tal. Hoje em dia é o museu de arte imperial que estão alojadas dentro das suas magnificas salas extremamente decoradas, que fazem contraste com o exterior menos exuberante. 
Foi precisamente pelo Belvedere inferior que começamos a nossa visita, não por alguma circunstancia mas simplesmente pelo facto de estar significativamente longe da entrada e desse modo começamos a visita do palácio pelo seu ponto mais distante.
O jardim que liga ambos os palácio é extremamente trabalho, cheio de estátuas e recantos e de uma fonte espectacular, que apesar do duro inverno que se fazia sentir não perde o seu esplendor. Ainda é uma longa caminhada sempre a descer até ao palácio inferior que em comparação com o superior é muito mais pequeno. Em seu redor estendem-se os jardins privados (que estavam fechados) e o Orangery. Não permitidas mochilas nem casacos e muito menos maquinas fotográficas pelo que desta vez não deu para tirar nem uma foto às escondidas. Nas suas salas interiores estão expostas magnificas pinturas de outros tempos e esculturas da época, contudo para mim o  mais interessante não foi só a exposição mas sim  o próprio palácio e todo o trabalho de decoração interior. Ficam algumas fotos da Internet do seu interior:



























Encantados com a visita era hora de ir buscar a tralha ao bengaleiro e subir todo aquele jardim rumo ao palácio superior e vislumbrar a magnifica paisagem que é encimada pelo palácio. Não deu para apreciar em condições os jardins por ameaçava chover e para evitar a molha fizemos uma corrida pelo jardim acima com pausas estratégicas para fotos. 


O Belvedere Superior é o palácio mais sumptuoso de todo o conjunto, que se destaca em todo o cenário em que está inserido. A sua construção iniciou-se praticamente a seguir à conclusão do palácio inferior e terminou em 1722. O seu interior é tão ou mais exuberante que o do seu irmão e logo à entrada ficamos pasmados com tal grau de ornamentação das suas colunas e escadaria brancas, que afinal não estão lá só para ornamento mas sim para sustentar todo o peso do edifício que na construção fora mal calculado.

Este palácio quase saído dos contos de fadas foi durante muitos anos um local animado a nível cultural na cidade de Viena, no século XIX foi residência da família imperial e somente nos meados do século passado passou a ser a casa da colecção de arte moderna.
Entre os salões ricamente decorados vão sendo expostas obras de vários artistas, austríacos na sua quase totalidade. Mas o ponto alto da exposição são as obras de Gustav Klint, em especial um dos seus quadros mais famosos O Beijo.
De tanto apreciar arte já quase uma pessoa se esquece que ainda não viu a "jóia da coroa" e de repente entramos em salas onde o estilo inconfundível deste artista se começa a destacar e lá ao fundo da sala encontra-se o famoso beijo apaixonado, erótico, de amantes? ninguém saberá. Dentro de uma caixa de vidro aquele quadro da altura de um homem suporta 2 seres a beijarem-se intensamente num mar de dourado e formas geométricas. Simplesmente fenomenal!!

O beijo - Gustav Klint
Uma obra desta grandeza pedia uns momentos de contemplação no banco mesmo diante de si, e ali deixá-mo-nos ficar uns instantes cada um na sua reflexão pessoal do amor e outras intermitências. O tempo escasseava e ainda havia mais obras para ver, mais salas para admirar e por diversas vezes ouvira-se gritos, bem altos por sinal que não dispensaram um comentário ao estilo "trazem as crianças para aqui e não param de andar aos berros!". Salas a diante entramos num salão ricamente ornamentado com lustres enormes, éramos os únicos na sala e uma tabuleta dizia em inglês GRITE. E nós gritámos! Realmente um grito normal adquiria naquela sala uma projecção tal que se ouvia em vários pontos do palácio, afinal de contas as crianças mal comportadas éramos mesmo nós.
O palácio fechava e gentilmente pediram para sairmos, ainda tivemos tempo de sentar no átrio de entrada com a desculpa de ir ao wc e reter na memória mais um pouco daquele encanto. Realmente ainda houve tempo de ir ao wc e desfazer-me da maldita água com gás e encher com água potável da torneira, Cheguei ao átrio e estávamos sozinhos e a porta da rua fechada, abrimos e fomos embora já a noite caía escura lá fora. Atrás de nós o som pesado de uma porta enorme a fechar-se, a alma cheia de lembranças e a vontade de um dia regressar. 
























Coordenadas

Site do Belvedere Aqui 
Horário: Belvedere Superior - Diário das 10h as 18h,  Belvedere Inferior- Diário das 10h às 18h (21h às quartas feiras)
Bilhete: Combinado 2 palácios - 14€; Só um palácio - 9,50€. Compensa comprar bilhete combinada visto ambos os palácios serem muito interessantes
Como chegar: Prinz Eugen-Str. 27 ou Rennweg 6 | 1030 Vienna. A estação de metro mais próxima é Karlplatz, contudo a entrada pelo Belvedere Inferior é relativamente perto para fazer a pé.

domingo, 23 de janeiro de 2011

O Mundo em folhas A4

As últimas férias já lá vão, mas deixaram grandes saudades, da companhia dos locais de tudo, provavelmente não esquecerei e espero em breve postar aqui toda essa experiência. Enquanto isso, lá mudou o ano e está mais que na altura de marcar e sonhar com novas paragens e novas aventuras. Onde? ainda não sei, tenho andado com o mudo ás voltas, com papeis e pdf's, contas e orçamentos e desta vez não sei muito bem o que fazer!!


Enquanto não me vou decidindo, vai-se relembrando as já feitas, rir das aventuras e de nós mesmos, contar aos que não sabem as tais aventuras e claro está ouvir novamente sons de terras distantes. Nisto saquei do meu ipod (sim modernizei-me) e ponho a tocar Tinariwen um banda que ouvi tocar lá por terras do Magreb há uns aninhos e que deste então me fazem viajar novamente para aquelas terras e lembrar as noites geladas a dormir no deserto, o calor sufocante entalado nas bossa do camelo e sim, alimentar um pouco a saudade.


Dedico esta música a todos os que gostam e sonham em viajar, aos que acomanham o meu blog e claro àquelas 4 pessoas fantásticas que me acompanharam e juntos conhecemos o Magreb e alimentamos uma enorme amizade.

Tinariwen CLIQUE AQUI

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A divina vertigem


Ao fim de 2 dias em Viena, qualquer comum mortal começa a achar-se um super-entendido em matéria das artes decorativas e a achar que Barrocos e Rococós e primos afim têm afinal a sua beleza e que não é tudo uma explosão de dourados e cornucópias. Goste-se ou não de artes decorativas é realmente delas que Viena emana grande parte do seu charme e além dos palácios que abundam por aquela cidade nada melhor para apreciar a beleza de séculos anteriores como nas suas igrejas. É provável que o melhor exemplo disso (pelo menos para mim) é a Karlskirche situada numa praça com o mesmo nome. Desta maneira estava escolhido o lugar para passar o final da tarde, decidimos ir de metro pois no mapa não nos conseguimos localizar, o metro da Karlsplatz é a estação mais central de toda a cidade, onde se consegue apanhar linhas para todos os lugares ou ir facilmente a pé ao centro da cidade. Diziam os guias que é um local um pouco mal frequentado mas nada que corresponda à verdade, pelos menos das vezes que lá passei de dia ou de noite nunca vi nada suspeito a não ser uma noite, já tarde, uma concentração de pessoal de heavy metal.

Saímos do metro e depara-mo-nos com a  Karlsplatz, um refúgio no centro da animada capital , delimitado por elegantes edifícios. Num dos lados da praça salta à vista um bonito prédio cor de sangue, é a  famosa Künstlerhaus, escola de arte à qual Hitler se candidatara para ser artista e foi reprovado por não ter qualificações. É estranho olhar para a escola e ficar a pensar no que teria sido do mundo se ele tivesse sido admitido (provavelmente muito melhor).
Bem perto dali aparece a imponente Igreja de São Carlos ou conhecida por lá como Karlskirche, também ela testemunho vivo da violente guerra causada por um aluno reprovado na escola da vizinhança, é no mínimo irónico. 
Mesmo em frente da Igreja está um lago com esculturas de Henri Moore (que tive de estudar nas odiosas aulas de inglês) que por estar vazio foi o local perfeito para tirar fotos a enorme igreja branca, verde e dourada que crescia diante os nossos olhos.

Karlskirche


É no esplendor de todos os seus artifícios que se impões esta enorme e magnifica igreja, para mim a mais bonita de todas. É uma montanha de pedra branca muito trabalhada, dizem que no estilo Barroco, com alguns toques orientais que Karlskirche apaixona os seus visitantes e faz com que fiquemos largos minutos pasmados a contemplar toda a sua elegância. Como acontece com a Coluna da Peste, esta Igreja fora construída como pagamento da promessa do Imperador Carlos VI aquando o fim de mais um surto de Peste em Viena. Dedicada ao São Carlos Borromeu, começou a ser construída em 1716 sob orientação de Aton Erhard Martineli e posteriormente pelo seu filho até à sua conclusão em 1737. Apesar de ser uma obra prima do Barroco com a sua cúpula de 236 metros de altura, incorpora alguns elementos como o pórtico em estilo grego e laterais que nos fazem pensar em pagodes orientais bem como as famosas colunas que se destacam de toda a fachada que representam a vida do Santo e agem no edifício como demonstração de poder de todo o Império.

Se o exterior da igreja já me havia impressionado, assim que transpormos a bilheteira temos a sensação que entramos num lugar não sagrado mas sim mágico! O núcleo da igreja é branco e muito iluminado encimado por uma enorme e muito trabalhada cúpula (e o seu andaime!!!) faz o contraste perfeito com as paredes com pedra rosa e os complicados trabalhos em ouro que vão surgindo nos nichos. Mas o que mais chama a atenção é sem dúvida o altar principal, de uma subtiliza e de uma complexidade artística como eu nunca antes vira, onde o branco e o ouro jogam com as suas diferenças para criar um quadro quase real que nos deixa embasbacados.

O altar mor é provavelmente a peça mais importante da igreja e retrata a ascensão do santo ao céu  em cima de uma nuvem que parece flutuar sob símbolo da santíssima Trindade envolto em raios de ouro que reflectem todo este esplendor através dum vitral por detrás deste cenário. Pôr por palavras aquilo que os olhos vêem e o coração sente é tarefa árdua, cai-se no risco de ser enfadonho, mas até hoje creio que ainda não vi uma obra tão especial quanto esta.
Todo este trabalho se vai reflectindo nos diversos cantos e recantos da igreja, um frenesim de fotografias e ao mesmo tempo tentar perceber o áudio-guia e contemplar toda aquela maravilha, quase deram cabo da minha orientação, e às tantas dei por mim a repetir pela quinta ou sexta vez a volta em torno da igreja. se alguém perguntasse diria que era promessa. 

No meio de tanta beleza, sobressaia o metálico e inestético andaime mesmo no meio da cúpula, obviamente que seriam obras de restauro, mas que a coisa ficava mal ali, lá isso ficava, e não deixava contemplar as pinturas que por cima dele repousam. Entretido a tirar fotografias reparei num senhor já de idade sentado num banco mesmo diante do andaime onde uma luz vermelha piscava: ELEVADOR!! 
Poderia ser feio aquela coisa ali plantada no meio da igreja, mas pelo menos poderia subir lá em cima e ver a cúpula bem de perto quase no cara-a-cara. Mas rapidamente o meu entusiasmo esmoreceu, dizia a minha companhia ao ouvido "eu não vou morro de vertigens, vai tu que eu não me meto nessa coisa". Efectivamente era uma subida bem alta, mas eu estava convicto que valeria bem a pena superar o medo e conseguir chegar lá em cima. Passados uns minutos a gastar o meu latim e a vender-lhe a banha da cobra "não sejas maricas aquilo não vai cair, vamos até la acima vais adorar; o velhote foi todo contente e tu aqui a dizer que tens vertigens, etc etc etc" e foi!! Não resisti à ironia da situação, acabara de convencer uma pessoa com vertigens a subir ate 236 metros de altura e quando entramos no elevador este era completamente de vidro, fazendo com que tal pessoa fosse o caminho todo de olhos fechados e a cantarolar para afastar o medo.



Chegados lá no cimo, somos assaltados pelo espanto e pela admiração. o trabalho de pintura é espectacular, que conta a historia do Santo com a Virgem Maria bem ao estilo que a igreja merecia. Nunca havia subia a qualquer cúpula e esta fora uma experiência muito gratificante. por um lado poder observar a igreja cá em baixo e aperceber-me de que realmente as cúpulas são uma obra da engenharia de tão enormes e complexas que são, impressionou-me de como quando estamos no chão os desenhos são pequenos e difíceis de se ver quando na verdade quando estamos ao mesmo nível deles são enormes e um homem ao lado de um desenho é muito mais pequeno que esse e por fim de como usaram a perspectiva e as escalas para que do solo as coisas pareçam realidade. Aconselho a todos os que alguma vez possam subir a uma cúpula e apreciarem as diferenças.
A companhia já se encontrava mais calma mas teimava em não se aproximar das bordas da plataforma de todo o diâmetro da cúpula, era definitivamente um dos momentos altos da visita. encontravam-se umas 2 pessoas na plataforma tendo-me uma dito que deveríamos continuar a subir (mas a pé) até sairmos para a rua mesmo por baixo da cruz e que ai teríamos uma das vistas mais deslumbrantes da plana cidade de Viena. A única maneira de subir era por uns andaimes estreitos que subiam até ao orifício da cúpula, e  o senhor  volta-me a dizer para aproveitar ir pois aquilo era muito estreito e que de momento não estava lá ninguém. Armo-me em super-heroi e começo a trepar os andaimes suspensos na plataforma agarrada ao rebordo da cúpula, bem lá nas alturas e começo a ver a minha companhia mais distante enquanto um brisa começa a sentir-se pelo óculo da cúpula. A cabeça estava já meio tonta mas pensei que era cansaço e nisto os andaimes começam a tremer, ainda teimo em subir mas os meus passos  fazem tremer a estrutura, começo a ficar com medo e as pernas a tremerem, estava suficientemente alto para conseguir chegar mesmo ao topo mas começo a sentir umas tonturas e um pânico que me fizeram passar vergonha e gritar cá para baixo "Vou descer que estou com medo" e chego à plataforma suado e pálido como os mortos e depois de contada a aventura ainda ouço "afinal também tens vertigens, maricas!".
Nesse momento não quisemos saber mais de cúpulas e assim que o elevador chegou a terra firme foi no banco da igreja que recuperamos fôlego e baixamos a adrenalina. Acho mesmo que rezei mesmo não o sabendo.























Ainda com alguma adrenalina a pulsar nas veias, deixa-mo-nos ficar por ali sentados a apreciar mais uns momentos de tamanha beleza artística e ganhar forças ainda para mais uns momentos de puro deleito que proporcionaram o inicio daquela noite. Já de saída da igreja reparo numas escadas perto de um Santo António de Lisboa (não deixei de pensar que por aquelas bandas as mulheres também custam em procurar marido) santo nacional que orgulhosamente tem um altar nesta magnifica igreja. Ainda houve tempo e energias para ver uma exposição de arte moderna nos andares superiores e já mesmo na saída um cartaz com uma frase em português, naquela terra daquela língua muito difícil de falar que é o alemão!

Aquele final de tarde ainda teria muitas surpresas  para nos revelar, contudo a visita a Karlskirche fora um dos momentos altos, e provavelmente o monumento mais apreciado entre os 2 de toda a viagem. Bem pela noitinha, já a estourar aquela réstia de energia ainda passámos pelos seus portões e admirar novamente tamanha beleza mas no segredo das luzes e das sombras.



Dicas:
- Site Oficial clique no LINK
Ingresso: 6 €
- Horário: Mon-Fri 7:30am-7pm; Sat 8:30am-7pm; Sun 9am-7pm
- Localização e metro: Karlsplatz, 4th District/Wieden; U1, U2, or U4 Karlsplatz

domingo, 21 de novembro de 2010

Nos Jardins do Schonbrunn

Regresso novamente ao blog após um mês intenso, tanto de viagens (foi só uma mas valeu por mil) e de trabalho. Começam a acumular-se recordações e emoções das magnificas viagens que este ano, que está quase no seu fim me foi proporcionando. Desse modo continuo no ponto onde havia parado, na magnifica e sumptuosa Viena de Áustria.

Nenhuma visita ao Schonbrunn fica completa sem uma pessoa passear e deixar-se envolver nos utópicos jardins deste palácio. Abertos aos público deste de 1779 estes jardins barrocos são o cenário perfeito para o palácio e requerem umas boas pernas para percorrer os seus quase 2 km de lado.

Do seu interior vai sendo possível ter alguns vislumbres de todo o parque, mas só quando se contorna o palácio e entramos no portão de acesso aos jardins, nos damos conta da imensidão que nos espera, recebidos por enormes avenidas floridas e com estátuas que dão para recantos tão espectaculares como o palácio. É difícil imaginar que todo este parque nasceu como uma reserva de caça (comum na altura e em Portugal temos muitos bons exemplos disso) e na época da imperatriz Maria Teresa se foi tornando um autentico museu ao ar livre.
O jardim e a vista é dominado pelo Parterre uma enorme avenida simétrica que acaba numa magnifica fonte e no espantoso Gloriette no topo de uma colina. É um espaço enorme e florido, quase uma sala de visitas do jardim e pelo mapa o ponto de partida conhecer todo o parque, o que não impossibilita que uma pessoa não ande perdida pelas avenidas e deparar-mo-nos com autenticas obras de arte. O melhor lugar para vislumbrar esta avenida é a varanda das traseiras que é fácil de encontrar e proporciona um dos melhores ângulos para fotografar todo aquele cenário.

Fonte de Neptuno

 Esta fonte que fica no fim do Parterre e o inicio da colina foi construída em 1770 projectada por Johann Ferdinand von Hohenberg Hetzendorf. O tema é a mitologia grega com Neptuno o senhor dos mares e a sua comitiva, um tema muito comum nesta época pois simboliza o domino dos reis sobre os seus territórios. Infelizmente por ser Inverno a fonte não estava a funcionar dado que a enorme piscina que se estende diante dela estava congelada, de qualquer das formas não deixa de ser impressionante e bela.

Gloriette


Provavelmente é o edifico mais famoso de todo o parque de Schonbrunn, visivel em quase todo o lado do alto da sua colina,como quem observa a vida palaciana no patamar inferior. Construido em 1775 no alto da colina que nos projectos iniciais seria para demolir, é uma estrutura Barroca num estilo que nos faz lembrar um arco do triunfo um pouco mis pomposo de onde se obtém uma vista espectacular de todo o complexo palaciano.
No tempo dos imperadores era utilizado como salão de jantar com uma cozinha independente, que foi destruída em 1925. Durante a segunda guerra mundial foi parcialmente destruído só retomando o seu antigo esplendor após as obras de restauro já no final do século passado.
















Apesar de nas avenidas ajardinadas em redor do palácio a Gloriette parecer ser alcançável em alguns passos, a tarefa torna-se um desafio ao físico. Obviamente que o frio e a neve que começava a cair não ajuda em subidas, mas os caminhos em zigue-zague que até lá ao topo levavam eram um regalo para a vista mas uma presente envenenado para as pernas, afinal a diagonal é sempre o caminho mais longo. Ofegantes e muito cansados, o esforço é logo recompensado com a vista impressionante que dali temos. Não só do palácio como da cidade que vamos conseguindo descobrir alguns dos sus pontos interessante bem ali do alto. O tempo voa enquanto observamos as piscinas que se encontram à frente e atras e com um nevão em cima da cabeça decidimos iniciar a descida, bem devagarinho pois o cenário é bem propício para mil e uma fotografias de nós para nós mesmos, sem nunca largar o inseparável saco com a Sissi estampada pelo qual me afeiçoei. è nestes momentos que sem esperar encontramos 3 tugas de mochilas as costas (de Braga diziam eles) trocamos umas conversas, afinal estavam a fazer o mesmo percurso que nós e foi impossível conter o sorriso quando descobrimos que afinal havia mais gente maluca neste mundo a fazer um mini inter-rail no pico do inverno por aqueles países quase quase gélidos.

Palm House 




Bem num canto oposto do centro do jardim, perto da entrada do Zoo e de outras atracções, fica a famosa estufa. Construída em 1881 toda em ferro e vidro abriga no seu interior espécies de plantas e árvores dos climas tropicais, temperados e frios. São impressionantes os seus 113 metros de comprimento e 28 de altura, que alojam uma autentica floresta tropical no seu interior que no sistema inteligente de vidros, persianas e tubos de vapor pode acolher espécies de todo o mundo. Infelizmente o bilhete é à parte pelo que optamos por não entrar mas do átrio é possível obter uma ideia do que por dentro se esconde. De qualquer das formas a beleza do edifico e dos jardins que o rodeiam são suficientes para uma visita a esta elegante estufa.

Ruínas Romanas




Provavelmente é a obra mais cénica e espectacular de todo o complexo. Construida em 1778 segundo as modas da altura estas ruínas aparecem-nos como uma casa romana a degradar-se na beira de uma piscina, onde toda a estrutura e as envolvencias foram estudadas e executadas até ao mais ínfimo pormenor, no que resultou num cenário do qual não nos cansamos de apreciar.




















Fonte do Obelisco




Esta fonte construída em 1777 apresenta-se como o marco mais importante na avenida leste do parque e na simetria de todo o jardim. Facilmente visível a sua composição é extremamente impressionante: composta por uma gruta com vasos, deuses e animais que jorram água para uma bacia é corada por um obelisco a imitar os do antigo Egipto apoiado em 4 tartarugas douradas como símbolo da estabilidade dos Habsburgs, Nas faces do obelisco estão cartelas  em hieroglíficos que representariam toda a historia desta dinastia, contudo nada dizem porque os hieróglifos na altura em que a fonte fora construída ainda não tinham sido descodificados. a fonte infelizmente não estava a funcionar mas a sua bacia estava congelada como uma pista de patinagem, onde animais como esquilo e cobras fazias as suas tocas nas grutas que se escondem entre as estátuas.















Já sem grandes forças, mas de alma bem cheia estávamos a dor terminada a visita ao incrível mundo do Schloss Schonbrunn. Depois da visitas fantástica feita ao palácio os jardins ainda foram capazes de nos surpreender. Muito bem tratados, limpos e organizados que na sua imensidão escondem dezenas de obras de arte, requintadas e elaboradas que nos deixam sempre de boca aberta. As desvantagens de viajar no pico do inverno limitam-nos em tempo e no que encontramos aberto, pelo que não conseguimos visitar o Zoo (sim o palácio é tão enorme que tem um zoo lá dentro, aliás o mais antigo do mundo) nem o labirinto entre outras atracções. Contudo foi e será uma das melhores visitas culturais que efectuais sobre o barroco e o rococco em todo o mundo. num só palavra: IMPERDIVEL.


Algumas dicas:

  • Jardins são gratuitos, se não tiver tempo/dinheiro para ver o palácio é uma visita imperdivel
  • Tem várias entradas, mas a mais fácil é pela fachada principal nas suas laterais
  • Levar bom calçado
  • Existe um café no Gloriette, mas não encontrei mais nenhum lugar que venda água ou comida em toda a extensão do parque.