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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

À descoberta de Praga - Primeira parte


Igreja de Nossa Senhora de Tyn - Praga

Após a nossa atribulada chegada à cidade de Praga naquele comboio, e já com um amigo novo para partilhar momentos, a noite passou tranquila no hotelzinho familiar que escolhemos. Com direito a um quarto enorme para duas pessoa com todas as comodidades, um pequeno-almoço reforçado era dia de nos metermos novamente à estrada em descoberta de uma nova cidade. O hotel ainda ficava cerca de 20 minutos a pé do centro a cidade, mas passam transportes frequentes, apesar de decidirmos ir a pé para reconhecer melhor o trajecto e já um pouco da cidade.

 O nosso quarto no Hotel Columbo
 
Mais um pouco do nosso quarto gigantesco

Efectivamente o  hotel foi uma escolha muito acertada, com preços muito económicos e localização aceitável, recomendo-o a todos e deixo o link AQUI.
Nenhum de nós estava muito seguro daquilo que poderia encontrar ou esperar de Praga, a recepção na estação no dia da partida para Viena não fora absolutamente nada acolhedora, deixando-nos uma impressão um pouco negativa dos Checos, depois estávamos completamente deslumbrados com a Áustria e considerando mesmo que Praga poderia até mesmo desiludir-nos, mas nada mais longe da verdade! Pelo caminho até ao centro da cidade, esta foi começando a desvendar alguns dos seus segredos que foram sendo descobertos nos dias que se seguiram.

Praga e um pouco da sua História


Praga ou Praha na sua língua nativa, é a maior cidade e capital da República Checa, considerada uma das mais belas cidades da Europa  é também conhecida pela "cidade das mil cúpulas" (não as contei mas são bastantes). Está localizada na Boémia central, dividida pelo rio Moldava. Este magnifico destino esteve escondido mais de 40 anos na sombra da ex-URSS e abriu as suas portas ao mundo no de 1989 aquando a revolução da Cortina de Veludo. Hoje em dia acolhe uma população de mais de 1 milhão de habitantes, sendo um ponto cultural muito significativo no seu país e na restante Europa, deixando de longe o fantasma Soviético, que apesar de ter deixado algumas infraestruturas assim como alguma cicatrizes, está dissolvido na magia e encanto de Praga.
A cidade encontra-se encaixada entre montes de ambos os lados do rio, divide-se em 10 distritos mas o grande ponto turístico são os seus 3 famosos bairros de Malá Strana (bairro pequeno), Staré Mesto (cidade velha) e Josefov (Bairo judeu). Desta forma a cidade começa a revelar os seus encantos e a mostrar que tem muito para descobrir, por isso, nada melhor do que começa a explorar!!

Mapa do centro histórico de Praga
Torre da Pólvora

Se penso que houve algum momento em que me apaixonei por esta cidade, tenho quase a certeza que foi logo à sua porta! Seguindo simplesmente o mapa e as orientações que me foram dadas acabara finalmente por encontrar o portão que dá acesso aos segredos desta cidade, subitamente no final de uma rua elegante, ergue-se ao fundo um imponente torre de pedra, escurecida pelo tempo, com alguns adornos durados, ei-la diante dos meus olhos, um chamariz para quem vive das emoções, um convite a entrar e descobrir a cidade, a me perder nas ruas e ruelas medievais impecavelmente tratadas, e foi assim que creio que surgiu mais um novo "amor" na minha vida. 


Esta magnifica torre já existia no século XI quando pertencia aos conjunto de 13 portas das muralhas da cidade velha, contudo em 1475 é que começou a construção da qual ainda hoje podemos desfrutar, foi oferta da cidade à coroação do seu novo rei e o seu valor defensivo foi ultrapassado pela sua beleza que emoldurava o antigo palácio que se encontrava mesmo ao seu lado. Tem este nome quando no século XVIII serviu de paiol e deste então guarda a entrada da cidade. Hoje em dia pode-se subir no alto dos seus 44 metros que dizem oferecer uma vista priviligiada. Acabei por não subir pois já tinha planeado subir a outra torre, e deixei-me ficar a contemplar a forma como esta cidade recebe os seus visitantes, Foi uma entrada realmente única!!!


























Casa Municipal

Como se não bastasse a cidade de Praga receber os seus visitantes com uma elegante torre, mesmo ao seu lado emerge um elegante edifício de outras linhas e artes mas que complementa este cenário idílico.  A Casa Municipal é o mais belo edifício Arte Nova da cidade, construído em 1905 no local em ruínas do antigo Palácio Real.
A sua fachada imponente alberga motivos desta nova corrente artística que se iniciava no novo século, tendo sido o edifício construído para exposições e concertos. Ainda hoje alberga a mais importante sala de espectáculos da cidade. O seu interior como podemos comprovar mantém o mesmo estilo e elegância do exterior tendo sido decorado por grandes artistas como Mucha (aposto que conhecem, todas as avós têm uma réplica de um quadro seu em casa).
Além de deliciar a elite cultural de Praga, foi neste edificio que em 1918 se proclamou a independência  da Checoslováquia. 
Ainda me aventurei pelo seu interior, confirmei que é realmente belo e digno de uma visita, mas de € bem contados tive de deixar para uma próxima a visita ao seu interior.



















Deveras surpreendido por tamanha recepção, lá me fiz ao caminho e atravessei o portão pelo seu arco, finalmente estava no centro medieval da cidade que já muita curiosidade me despertava, e felizmente totalmente reservado a pedestres!!! Pela minha frente estendia-se a rua mais antiga de Praga, de seu nome Celetná, nome de uns pães entrelaçados que aqui eram outrora produzidos. A maioria das suas casas são do estilo Barroco o que confere uma elegância muito singular a esta rua comercial. A meio do caminho encontrei na meio de uma fachada, a Casa da Virgem Negra, e sem me dar conta estava novamente numa nova praça, Ovocny trh.

Casa da Virgem Preta
















Teatro dos Estados

É na praça Ovocny trh que se ergue o famoso Teatro dos Estados. Construido em 1783 é o melhor exemplo do Neoclassicismo de Praga. Além da sua beleza é mundialmente famoso por 3 razões: a primeira deveu-se a facto de Mozart ter estreado aqui a sua ópera Don Giovanni em 1787 com o próprio ao piano e a dirigir a orquestra; em segundo lugar aqui também teve a estreia de um musical que mais tarde seria a origem do hino Checo e finalmente, este teatro caiu nas bocas do mundo quando o realizador Milos Forman decidiu gravar aqui ao vivo o seu grande filme Amadeus. O filme que retrata a vida de Mozart, uma mega produção, foi gravado maioritariamente em Praga sendo que as cenas de ópera foram filmadas e actuadas neste teatro que segundo direcção do realizador todos os figurantes deveriam estar caracterizados bem como a luz utilizada não foi artificial mas sim os lustres com centenas de velas originais do teatro, ver o filme é realmente voltar ao passado e a pompa do século XVIII.
















No trailer do filme Amadeus dá para ver algumas partes do interior do teatro. Vejam o filme porque é muito interessante.



Mesmo em frete à porta do teatro situa-se o Carolinum, o edificio central da Universidade fundada no século XIV no seu estilo gótico. Foi só o tempo de tirar algumas fotos e andar mais uns metros para chegar ao coração da cidade. A praça da cidade velha estava mesmo ali mas o post ficará para depois. Até lá desfrutem e espero que o bichinho de conhecer Praga já vos esteja a despertar.
Teatro dos Estados

Janela gótica - Carolinum
Entrada do Carolinum









quinta-feira, 3 de novembro de 2011

LOST - Perdidos na República Checa


Sempre considerei que um dos motivos que torna cada viagem única e impessoal são aqueles pequenos/grandes momentos que acontecem sem aviso prévio e nos fazem tomar um rumo, uma decisão que não tínhamos previsto antes de partir. Assim se sucedeu no nosso último dia na Áustria, o dia em que supostamente nada de interessante iria acontecer, a não ser uma série de horas fechados num comboio até Praga, quando o inesperado e hilariante aconteceu. Mas comecemos do início ...

Última manhã em Viena e não tínhamos nada programado para as horas que antecediam a partida para Praga. Andámos a vaguear pela cidade sem nenhuma rota destinada, ainda visitamos uma igreja, uma série de lojas para as lembranças de última hora mas nada de muito interessante. O comboio iria partir pela hora do almoço e decidimos comprar alguma coisa para comer no caminho. Entramos numa padaria com umas sandes apetitosas, mas sem preço!!! Ok a linguagem gestual é universal e apontei para aquilo que queria e a senhora falou qualquer coisa no seu alemão incompreensível, provavelmente seria o preço, mas como não sabia os números em alemão estava ali a surgir um impasse difícil de resolver, foi então que um homem que estava na fila se chega ao balcão, abre a carteira e paga a minha compra e diz wien gift
Definitivamente neste dia algo estranho estava a acontecer, numa loja de chocolates também nos ofereceram uns chocolates. Sem percebermos muito bem o porque de tanta simpatia Vienense lá fomos a caminho da estação e embarcamos naquele comboio que nunca chegou ao seu destino, na aventura provavelmente mais estranha que me aconteceu até hoje!

Embarcamos numa cabine de 6 lugares onde já lá estava uma senhora sentada, rapidamente percebemos que aquele espaço seria só para nós os 3 quando na porta constavam os nossos nomes mais o da dita senhora. Excelente, estava quentinho e tínhamos espaço suficiente para nos pormos à vontade, abrimos malas e retiramos roupa, saíram os sapatos e os mil casacos que tínhamos vestidos, fizemos um piquenique ali mesmo, um lia um livro o outro ouvia musica, ainda tentamos falar com a senhora mas o inglês dela não dava para muito e lá se descosia com alguns sorrisos, naquelas longas horas. Entretanto o comboio chega a uma estação e fica parado, algumas pessoas saíram, e o comboio manteve-se parado uma hora, algo estranho estava a acontecer, a nossa "amiga" também pouco mais sabia que nós e só nos restava esperar. Ao fim de cerca de 2 horas de estar parado entra na cabine o revisor e fala qualquer coisa ainda mais incompreensível que o alemão da padaria e a senhora pega na sua malinha e vai-se embora!!!! Mantivemo-nos ali sentados com o nosso estendal ainda montado quando se dá o seguinte discurso:

- Olha lá! Está tudo a ir-se embora do comboio, a mulher também saiu, isto está qualquer coisa errada?!!!
- 'Tá nada, as pessoas estão a sair porque deve ser a estação delas e isto está parado aqui porque as vezes eles tiram ou metem outras carruagens, não stress ... 
Nisto entra de novo o revisor e fala qualquer coisa em checo, com um tom mais severo e sai.
- Isto está a acontecer alguma coisa, está tudo ali na estação acho melhor arrumarmos isto tudo porque não sei o que se passa!!!!
Chega novamente a senhora ao compartimento e diz:
- Train .... a problem!

E estas foram as últimas palavras que se conseguiu compreender nas várias horas que se seguiram. Saímos do comboio e juntamo-nos a multidão que se encontrava na plataforma, caía um nevão como nunca vira na vida, um homem gritava em checo e nós sem perceber absolutamente nada, informações ninguém nos fornecia, não sabíamos onde estávamos nem porque nos tinham mandado sair do comboio. Irracionalmente aproximamo-nos de um casal de japoneses tão desorientados quanto nós. A multidão começou a sair da estação a caminho do centro de uma aldeia pequena, com neve até ao joelhos. Começaram a chegar autocarros e as pessoas entravam, mas estes eram poucos para tanta gente. Chegou um e fomos a correr na sua direcção, para onde iria não fazia a mais pequena ideia, mas entrei com a mala, disse ao motorista Praha (Praga) ele nada disse e o bus começou a andar, cerca de duas horas por entre vales cheios de neve, rios congelados, aldeias se se ver ninguém. A neve teimava em continuar a cair, assim como continuávamos sem saber absolutamente nada do que se passava. 

Não sei ao certo quanto tempo passamos naquele Bus, até que para num largo de uma aldeia e sai toda a gente, em frente um edifício que se parecia com uma estação para onde nos dirigimos e uma mulher apontava para o exterior na suas traseiras. seria outro comboio? Não, nada se encontrava além de neve e a linha do comboio. Nisto as pessoas descem para a linha e começam a caminhar sobre ela, fizemos o mesmo com extrema dificuldade com a mala  aos trambolhões na linha férrea e a neve a chegar até meio da perna. Encontrámos então um hangar com um comboio para onde com extrema dificuldade as pessoas tentavam subir mas as pernas não alcançavam o primeiro degrau pois não havia plataforma. O comboio começou a andar, perguntei a uns velhotes se o seu destino era Praga e disseram que sim. Finalmente!!!

Durante a viagem conhecemos ainda um espanhol Ratafari com algum mau aspecto, que andava a vaguear pela Europa de Leste à boleia e quase sem dinheiro, ia a caminho de Praga ter com uma amiga que lhe daria abrigo até arranjar voo e dinheiro para regressar a Espanha. Ao fim de várias horas lá chegamos quase de madrugada a Praga, trocamos de numero de telefone com o nosso novo amigo e após algum dificuldade em descobri como haveríamos de chegar ao hostel, lá demos com ele com um quarto enorme só para nos os 2 bem perto de um restaurante baratinho e com net gratis!!!! 

E desta forma o dia mais chato da nossa viagem se tornou numa aventura que jamais esquecerei, a nossa atribulada chegada à cidade de Praga.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Anunciação cultural na Staatsoper de Viena!


Haviam-se passados vários dias a palmilhar esta cidade tão elegante e fascinante que hoje mais de um ano passado ainda recordamos com saudade. Muitas coisas tinham sido visitadas, monumentos magníficos a condizer com o espírito imperial que se vive por aquelas bandas. Era a última noite em Viena e tínhamos deixado efectivamente a cereja para o topo do bolo, sim iríamos à aclamada Ópera Estatal de Viena. Foram algumas semanas de pesquisa frenética na web sobre preços, peça etc's e tais. Nem sempre o site da Staatsoper era fácil de compreender, efectivamente tinha tradução para inglês mas quando fizemos a reserva dos bilhetes começou a vir tudo escrito em alemão e nem o Google tradutor nos safou, nossa sorte é eu ter uma familiar que fala excelentemente alemão e lá nos ajudou a realizar a compra. Estava escolhido a peça seria Der Fliegende Holländer (que já explico mais a frente), e o melhor de tudo o preço de cada bilhete foi apenas de 10 €, sim isso mesmo, mais despesas de envio por correio para casa ficou em 25 € bilhetes para o casal. Mas se eu já havia ficado impressionado com o preço dos bilhetes para tão aclamada ópera (apesar de serem no último balcão) mais impressionado fiquei quando recebi os bilhetes na minha caixa dos correios 1 dia e meio após a sua reserva na net. Impressionante!!!
Mas regressando de novo a Viena, já havíamos passado algumas vezes pelo edifício da ópera, tirado algumas fotos e limitado o interesse por isso mesmo, afinal sabíamos que havíamos de entrar la dentro e conhecer e ouvir uma magnifica ópera. Existem visitas guiadas durante o dia mas sinceramente dado os preços dos ingressos para ver um espectáculo mais vale ir realmente à ópera. Chegara então a aguardada noite, a ópera começaria pelas 19h (muito cedo para os padrões portugueses), fomos a correr ao hotel eu vestir o fato e gravata ela o vestido e um lindo casaco de pelo (sim somo pobres e contra as peles verdadeiras, era só mesmo para meter vista). Fomos no metro até à estação da ópera, tal como quem vai para um casamento, e entramos no edifício, assombroso para a vista, requintado, foi impossível conter o riso, afinal nenhum de nós tinha ido antes a uma ópera a sério com todo aquela pompa e circunstancia.  


A Staatsoper foi o primeiro grande edificio público da Ringstrasse, realizado em estilo Neo-Renascentista tendo sido inaugurada em 1869 ao som de D. Giovanni de Mozart. Nem sempre foi do gosto dos vienenses, contudo durante a II Guerra Mundial foi atingida por uma bomba que a destruiu por completo excepto a fachada. Fora então reconstruida em 1955 e desde então tem sido um dos marcos mais importantes da música clássica a nível mundial. O edifício é grande e elegantemente decorado, a sala de espectáculos é enorme e de uma altura impressionante, lá no topo do último balcão chega a dar vertigens, os vários assistentes ajudam-nos a encontrar o lugar com facilidade e depois de instalados estávamos prontos para o inicio daquilo a que chamamos a nossa anunciação ao mundo da cultura.
Deixo-vos uma fotomontagem de várias fotos que tirei para terem noção do tamanho e profundidade da sala:

A sala acabava por se encher por completo, nem uma cadeira livre, algumas pessoas em pé que marcam lugar com um lenço (ouvi dizer que esses bilhetes são cerca de 5 €). De ante-mão sabíamos que iríamos ver uma ópera de Wagner, e ate conseguimos achar na net um libreto em espanhol da peça, mas que confesso não tínhamos sequer olhado para ele. Aquando da abertura e das luzes apagadas lá descobrimos uns minis LCD nas cadeiras que legendam a ópera, apesar de ser em alemão sempre dava para matar a curiosidade. Mas, o meu lado criança despertou e comecei a mexer em todos os botões até que descobrimos o inesperado .... conseguira traduzir a opera para ingles, e sim ao menos já se poderia perceber qualquer coisa da história. O espectáculo é imperdivel, a actuação dos cantores, o palco e cenário gigantescos tudo é deslumbrante, e aconselho que for a Viena tem de ir à ópera, é obrigatório. Se não puder ir a Viena vai a uma ópera qualquer. Foi num destes momentos de deslumbre que me apercebo que conhecia qualquer coisa de familiar daquela história, o raio da ópera não me era desconhecida, assim resumidamente versava a historia de um lobo do mar em dificuldades que viajava num navio negro sem nunca descansar e só a cada 7 anos poderia vir a terra procurar o seu amor verdadeiro que o possa salvar com a morte que lhe é negada. Pois é provavelmente, também já devem ter ouvido esta historia pelo menos algumas vezes, sim afinal estava a ver o Holandês Voador, que muita gente viu esta historia também contada num dos últimos filmes da Disney mas com algumas coisas extra. Fora uma agradável surpresa, afinal aquele mito da ópera estava completamente desfeito, ficamos viciados em ópera e com vontade de repetir, pena em Portugal não haver preços acessíveis como este. Fica aqui um vídeo do final da opera que tirei da internet para terem uma noção do tipo de espectáculo que nos proporciona.


quinta-feira, 2 de junho de 2011

Ringstrasse - O anel da cultura Vienense


Já o dia ia a meio e os quilómetros de caminhada acumulavam-se já no pedómetro que não havíamos levado mas que certamente nos teria surpreendido em largos números. A procura da tal casa, que ainda hoje não tenho coragem sequer de ler as primeiras silabas, havia aberto o apetite para mais um pequeno piquenique, o último nesta cidade que já nos havia cativado, piquenique esse que dado o seu simbólico fim requeria um local bem especial para a sua concretização. Assim de mochila cheia das mais saborosas iguarias nacionais (pizzas, pão de forma, salsichas) algumas já com uns 5 dias de existência em caixas de plástico, rumámos para Stadtpark bem no coração da cidade.

Stadtpark - O parque da cidade de Viena

Apesar de aquele meio dia estar solarengo e menos frio, uma vendaval teimava em dominar aquele parque que havíamos escolhido para o nosso almoço. Já lá havíamos passado numa das noites na cidade, mas só à luz do dia temos  noção dos seus 65 000 m2 ajardinados que ocupam desde o primeiro ao terceiro distrito da cidade. Inaugurado em 1862 como parque público em estilo Inglês tem sido até hoje um dos locais mais frequentados pelos habitantes bem como pelos turistas (daqueles que fazem farnel em qualquer lado bem a à moda lusa, claro Nós). 
O parque além de um refúgio para a cidade está repleto de cantos arborizados e um lago central rodeados por várias obras de arte, sendo a que mais se destaca é o monumento a Johann Strauss. 
Foi mesmo ali com vista para tão famosos músicos que decidimos montar acampamento dar descanso às pernas e acalmar o estômago, almoço que decorreu numa maratona incansável a correr atrás de guardanapos e restos alimentares que o vendaval decidiu espalhar por aquele até então imaculado parque.


Monumento a Strauss

Após o almoço à corrida (nos dois sentidos do termo) e depois de limpa toda a sujeira que o vendaval criou decidimos dar uma voltinnha pelo parque e procurar o famoso Danúbio Azul, que dessa cor os vestígios são escassos. Ainda hoje não consigo explicar esta sensação, mas fiquei com a ligeira impressão de que Viena vive de costas voltadas para o Danúbio, provavelmente pelo esplendor da própria cidade, não sei mas o rio passa descansadamente pelos seus bairros e nós nem nos damos conta da sua presença. Estranho!

Ringstrasse

Mapa da Ringstrasse
 A magia de caminhar a pé pelas cidades do Mundo reside nas surpresas que vamos encontrando a cada esquina, e sem darmos muito bem conta, ao fim de meia dúzia de passos encontra-mo-nos novamente no centro histórico de Viena, na famosa avenida circular de nome Ringstrasse. Até ao séc. XIX a cidade de Viena vivia muralhada apesar de todo o esplendor que já então possuía. O crescimento da população aliado a um maior crescimento das riquezas da burguesia ditaram a demolição das muralhas da cidade medieval para dar lugar a uma avenida circular repleta de palácios e palacetes bem como das novas instituições imperiais que surgiam por essas alturas. Desta forma a Ringstrasse foi-se embelezando dos mais imponentes edifícios da cidade e hoje em dia um passeio por esta incrível avenida leva-nos a descobrir o coração e a arte Vienense.


Staatsoper - Ópera Estatal de Viena

O inicio da tarde de passeio pela Ringstrasse acabara de ser inaugurado com a visita à sumptuosa Ópera Estatal de Viena ou Staatsoper como por lá lhe chamam. Como capital da música clássica a cidade sempre fora conhecida pela sua dedicação à música erudita e como tal o edifício da ópera é um dos seus maiores marcos culturais. A Staatsoper foi a primeira grande obra da nova avenida, inaugurado já no longínquo ano de 1869 ao som de Don Giovanni do filho adoptivo da cidade, Mozart. Toda a elegância que este gigantesco monumento à música transporta para o exterior é assombrada pela opulência do seu interior, que nessa mesma noite haveríamos de descobrir, na que baptizamos como noite da iniciação oficial ao mundo das artes, sim fomos à ópera. Ficámos ainda alguns minutos a deslumbrar-mo-nos e a tirar algumas (dezenas) fotos, a deslindar se era necessário algum tipo de indumentária especial para a tão aguardada noite. Ficam algumas fotos do exterior do edifício e um post posterior sobre o seu interior.

   



Edifico da Secessão

Não muito longe da magnifica ópera, numa rua perpendicular à Ringstrasse encontrasse um dos mais carismáticos monumentos da cidade, o Edifício da Secessão. Contudo o interesse que tenho por esta obra tem uns contornos algo interessantes. Durante bastante tempo na minha vida não tinha nenhuma imagem associada à cidade de Viena, como Paris tem a torre Eiffel e Lisboa a Torre de Belém, para mim Viena era uma cidade abstracta sem um cartão postal do qual a pudesse reconhecer. Mas tanta ignorância iria desaparecer graças à televisão; a dada altura na minha adolescência começa a ser transmitida na Tv após o almoço a famosa série austríaca Rex o cão polícia. Quem não se recorda dos seus episódios que foram transmitidos durante anos, sobre os crimes mais hediondos descobertos por um pastor alemão e o seu dono?! Pois bem, foi aqui que começou a minha paixão por Viena, através de uma série televisiva, mas continua a questão: o que tem a ver este monumento com o Rex o cão polícia? Tudo! Passo a explicar, o edifício da sucessão aparecia no genérico da série e na minha mente adolescente fica a ideia de "que raio de prédio é aquele com o Ferrero Rocher no telhado", ideia essa que só alguns anos mais tarde se veio a dissolver e dar lugar a admiração pela obra.

Edifício da Secessão e o seu "Ferrero Rocher"
  Afinal este edifício datado de 1898 foi projectado pelo por Joseph Maria Olbrich em estilo Jugendstil para a realização das exposições da Secessão, um movimento liderado por Gustav Klimt que surgia como oposição à arte tradicional, com a pretensão de romper drasticamente com a tradição académica. A sua moderna arquitectura para a altura (e ainda para os dias de hoje) consistia num edifício quase sem janelas, de forma quadrada encimado por um globo de filigrama dourada sob o qual está escrito a divisa do movimento "Para cada época a sua arte, para a arte a Liberdade".

Mais de 100 anos passados após a sua inauguração, e esclarecida toda a minha ignorância sobre esta estranha obra, deu-se o lugar à admiração pelo seu design inovador e pela ousadia. No seu interior ainda hoje se dão lugar a exposições, mas o motivo alto da sua visita é o friso pintado por Klimt em 1902 sobre Beethoven, com cerca de 34 m de comprimento que se crê ser um comentário à Nona Sinfonia do compositor.



 Junto ao edifício encontra-se uma estátua de Marco Aurélio puxado por leões, como símbolo da decadência do imperador que é representado obeso e desleixado e os leões velhos e famintos. Foi impossível conter um sorriso de auto-censura na hora do ir embora, reconhecer que o desconhecimento nos faz cair no ridículo e no fim vir a descobrir que debaixo do tal "Ferrero Rocher" se esconde um mundo de arte e significado que vale a pena visitar, mesmo quando o Rex já não patrulha as ruas de Viena. 

Coordenadas:
Como chegar: Metro Karlsplatz, Morada: Friedrichstrasse 12
Horário: 10-20h; Ingresso: 8,50€
Links: Página oficial  Blog sobre a Secessão

Neue Burg

Já de tanto palmilhar a cidade (e felizmente que é plana) decidimos fazer uma paragem técnica para descanso numa praça nas traseiras do palácio de Hofburg, sem fugir ao rumo que seguíamos ao longa da famosa avenida.
Na Heldenplatz brilhava um sol que nos confortava naquele descanso a meio da tarde perante uma vista imponente e elegante. Neue Burg é um enorme edifício curvo de 1881, tendo sido o último pavilhão a ser acrescentado já ao vastíssimo palácio do Hofburg. Construído numa época pouco propícia a este devaneios, 5 anos após a conclusão desta parte dos palácio caiu o Império Habsburg.
Perante esta jóia da da arquitectura desfilou ainda outra mau augúrio para a humanidade, quando em 1938 Hitler sobe à sua varanda e proclama a anexação da Áustria à Alemanha, e desde então e nos 10 anos seguintes reinou a história da II Guerra Mundial.     
Actualmente alberga a sala de leitura da biblioteca nacional e diversos museus.



Heldenplatz
Interior


Coordenadas:
Como Chegar: Estação metro Volkstheater, Morada: Burgring
Horário: 10-18h Ingresso: 12€
Link: Página oficial Neue Burg


Parlamento

Ainda a volta pela Ringstrasse ia a meio e já havíamos perdido a conta a tantos monumentos vistos cada qual imponente na sua grandeza e beleza, que não conseguimos chegar ao fim e escolher o que gostámos mais de ver. Ao longo de todo este percurso foram vários os pontos que visitamos (só nesta avenida) dos quais tenho vindo a destacar só mesmo os mais impressionantes (pelo menos a meu ver). Nessa onda de impressionismo fomos dar com o Parlamento, assim de longe quase mas quase faz lembrar o nosso palácio de S. Bento na sua arquitectura neoclássica iniciada a sua construção em 1874 tendo sido reconstruído em 1950 após a sua destruição na guerra. Por todo o lado encontramos estátuas e monumentos alegóricos à sabedoria grega e romana, mas é a fonte no seu pórtico que representa a Deusa Atenas que mais se destaca e nos impressiona. Apesar de sóbrio a fonte da-lhe um ar ainda mais majestoso e no alto da sua porta de entrada obtemos uma panorâmica muito interessante sobre a Ringstrasse, local que voltámos umas poucas horas mais tarde para vislumbrar o último pôr do sol em Viena, a cidade que tanto me encantou.


Burgtheater

Quase parecendo que estamos num determinado sítio de Portugal, onde tudo "fica mesmo já ali, é só uns passinhos", deixámos o parlamento e na nossa demanda quase sem fim encaramos o Burgtheater ali serenamente descansado neste cada vez mais sumptuosa avenida. Já lá havíamos passado (bem na verdade fizemos um piquenique de pobres mesmo na soleira da porta) mas coisa rápida nem havia dado tempo para conhecer. Agora chegava então a sua oportunidade para mais uma vez Viena nos impressionar. Este é considerado o mais prestigiado teatro de língua alemã no mundo, construído em 1888 em estilo Renascentista italiano, contudo como os grandes monumentos da da cidade, em 1945 foi atingido por uma bomba que o destruiu quase na totalidade, deixando simplesmente as alas laterais e a escadaria. Um teatro tão elegante quanto este não poderia deixar de ser restaurado, e restauro esse que fora tão meticuloso que é impossível detectar. No seu interior a grande atracção além do grande salão são as escadarias das alas norte e sul que levam ao salão. Infelizmente não assistimos a nenhuma peça (se bem que não iríamos entender nada) mas ficou o fascínio e mais uma vez o deslumbramento deste monumento.

Fachada do Burgtheater














     























Uma pessoa com tanta ostentação acaba por se esquecer de que por vezes existem necessidades que têm de ser supridas, mesmo quando andamos a adiar há algumas horas. Pois bem, era o que acabara de acontecer, a ida ao wc já tantas vezes adiada era agora um caso de urgência senão emergência mesmo. À boa maneira portuguesa nada como ir a um café, pedir uma garrafinha de água e usar e abusar dos wc, e como o destino estava do meu lado, estava mesmo ali ao lado do teatro um magnifico café com uma esplanada de inverno mesmo acolhedora, o plano estava montado, entramos, ela foi ao balcão e eu sem ninguém me ver desci rapidamente as escadas para o wc. No regresso não a encontrei, estava sentada alegremente na esplanada de vidro com vista para o teatro:
"Então! estás sentada?!"
"Pois, podias ter ido fazer xixi em muitos lados, mas tinhas mesmo de vir aqui!"
Entrega-me o guia aberto numa página e o menu do café, a página estava marcada e lia-se Café Landtmann concebido em 1873, na sua opulência era o predilecto de Freud.
" Isto parece coisa fina, alias muito fina"
"Pois é, só tu para fazeres destas, e já agora pedi um bolinho e ... pagas TU "
 Foi desta maneira que conhecemos e experimentamos as famosas iguarias deste famoso café numa espécie de sopa doce com um bolo que não sei pronunciar, mas só vos digo delicioso.

O xixi mais caro da minha vida

 
Coordenadas:
Como Chegar: Estação metro Schottentor, Morada: Dr Karl-lueger-Ring, A-1014 
Link: Página Oficial urgtheater


Neues Rathaus - Nova Câmara Municipal


Envolta por um jardim, ergue-se no céu a majestosa torre da Rathaus, o novo edifício da câmara municipal de Viena. Fora mandada construir entre os anos de 1872-83 em estilo neogótico para substituir o antigo edifício. Além das suas funções governativas este elegante edifício dá lugar a concertos de música clássica bem como a bailes nos seus sumptuosos salões. Ficamos por ali alguns minutos a conversar e a fotografar, a despedir da última tarde em Viena, ainda demos um saltinho na Universidade e nuns quantos monumentos antes de regressar.

 

















 O dia acabara por correr rápido nas horas, muita coisa fora vista nesta cidade magnifica, anoitecia rapidamente e de alma bem cheia e o cartão de memória com menos espaço estava na hora de regressar ao hotel, descansar e vestir os nossos melhores fatos de Domingo para a dita anunciação cultural. Um último olhar e um último suspiro nesta avenida surpreendente e a promessa no ar de um regresso para qualquer dia.