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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Pelo interior da Ilha de Santiago e Jardim Grandvaux Barbosa

Mal havíamos aterrado nesta verdejante ilha e rapidamente nos metemos à estrada feitos aventureiros na descoberta de novas paisagens e novos rostos. Como já referi, logo na chegada ficámos surpreendidos com tamanha quantidade de verde e pelos enormes vales e montanhas que a ilha nos presenteou. Essa paisagem idílica foi-se repetindo enquanto nos embrenhávamos pelo coração da ilha, a estrada em bom estado tornava mais prazerosa a descoberta, os rostos curiosos de uns brancos por aquelas terras distantes era rasgado com enormes sorrisos e acenos calorosos, essa sim era aquela África dos sonhos das pessoas sempre sorridentes. 
A ilha de Santiago presenteia os seus visitantes com paisagens de cortar a respiração!
 Pelo caminho fomos passando por diversas povoações onde pudemos admirar o dia a dia das suas gentes e os seus costumes. Pelas bermas da estrada avistam-se plantações e os seus trabalhadores no duro trabalho do campo que paravam só para nos acenar. Só por esta recepção a Ilha de Santigao já estava a valer mais do que a pena, era e ainda é uma recomendação a quem visita Cabo Verde, saímos da nossa zona de conforto e obviamente estava a valer a pena!
Cabeça de Preto - o perfil desta rocha faz lembrar um rosto africano
Com a curiosidade mais que aguçada pela novidade de estar numa ilha quase desconhecida da grande maioria dos turista não deixamos de perder as oportunidades que nos foram surgindo e acontecem um dos momentos mais embaraçosos que tive durante as minhas viagens, mas nisso falarei no próximo post!

Durante cerca de uma hora e meia fomos entrando no coração da maior ilha do arquipélago desde que havíamos saído da cidade da Praia. Em breve surgiria a nossa primeira paragem no Município de São Lourenço dos Órgãos, que por mais que tenha investigado não consegui desvendar o mistério de tão peculiar nome! 
Esta região da ilha fica num vale verdejante repleto de ribeiras e riachos onde a vida passa bem devagar e sem grandes sobressaltos, houve tempo para beber um trago de Grogue e os locais rirem-se das nossas caretas após a degustação desta bomba etílica.



Jardim Botânico de Grandvaux Barbosa

Com o calor do início da manhã a apertar e uma vontade enorme de dar um mergulho numa praia de águas quentes (que sabíamos estar reservado para nós) fizemo-nos à estrada de terra batida assim que estacionamos a viatura. A paisagem, essa mesmo de cortar a respiração, ocultava os portões do único Jardim Botânico nas ilhas que dá pelo nome pomposo de Grandvaux Barbosa. Criado em 1986 no município de São Lourenço dos Órgãos, este jardim situado a 400 metros de altitude foi criado com o intuito de proteger as frágeis espécies vegetais endémicas. Tem cerca de 100 espécies diferentes e além d estar aberto ao turismo também trabalha na investigação botânica
Apesar da beleza natural ser excepcional o jardim em si não é dos mais bonitos que se possa visitar, mas dados todos os contingentes em que está inserido vale muito a pena a vista. Por outro lado as vistas do jardim para o ambiente que o envolve são das mais impressionantes de toda a ilha e só por isso vale a pena a deslocação.


 

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Ilha de Santiago - Informações úteis


Fora dos longos e quentes dias de praia na Ilha do Sal, chegara a hora de apanhar um aviãozinho e rumar a outras paragens, a outra ilha e outra cultura, e finalmente conhecer a essência de Cabo Verde. A escolha recaiu pela segunda opção, pois a ideia inicial era a Ilha de São Nicolau, mas devido às chuvas (sim choveu imenso em Cabo Verde naquele mês de Setembro!) o aeroporto estava fechado por tempo indeterminado. Desta feita escolhi a ilha de Santiago, ou São Tiago, a maior e mais populosa de todo o arquipélago.

Pertencente ao grupo das ilhas do Sotavento é como vos disse a maior e mais importante ilha de todo o conjunto. Entre os seus 75 km por 35 km esconde-se uma paisagem digna dos melhores postais, totalmente diferente as ilhas do Barlavento. A sua geografia irregular cheia de montes e vales são repletos de verde e riachos que dão uma atmosfera relaxante a esta magnifica ilha. Para quem vem do Sal e aterra em Santiago é um contrataste enorme deixar uma árida e plana ilha e entrar numa verde e montanhosa, e digo-vos a paisagem é simplesmente fenomenal! 
Foi nesta ilha que os Portugueses construíram a primeira cidade fora da Europa, Ribeira Grande de Santiago, hoje chamada Cidade Velha, declarada Património Mundial da Humanidade pela UNESCO. Durante séculos, devido à sua posição estratégica, foi um entreposto comercial e de escravos nas rotas para o Brasil e África.

Como Chegar - Sendo uma ilha em pleno Atlântico a única maneira mais cómoda de chegar a este paraíso é obviamente pelo ar! Até há bem pouco tempo esta maravilhosa ilha estava fora das rotas directas das principais cidades, tendo-se de fazer escala obrigatória na Ilha do Sal (como nos aconteceu) Felizmente abriu o Aeroporto Internacional da Praia com capacidade para aparelhos maiores e esta cidade ficou definitivamente ligada ao mundo sem intermediários, Hoje em dia existem voos directos de Lisboa para a Praia assim como de outras cidades europeias e africanas. As transportadoras aéreas que fazem este trajecto desde Lisboa são a TAP, TACV num voo pouco maior que 4h30.
Existem também transporte marítimo da ilha para outras suas vizinhas mas desconheço algum entre Sal e Santiago.
Aeroporto Internacional da Praia

Como já estava hospedado no Sal a minha ida a esta ilha foi realizado por um voo domestico da TACV entre Sal e Praia com duração de cerca de 1 hora. Pelas 5 da manhã já estava a montar espera no aeroporto para os trâmites legais e em pouco mais de 1 hora embarcamos numa avioneta bem pequenina, que levou a que os medrosos pelo mundo aéreo, desenrolassem um rosário de rezas até há chegada. apesar de tudo foi um voo super tranquilo, ficou a emoção de ser o primeiro voo que fiz na vida em avião a hélice!
Eis o grande JUMBO que nos levou do Sal até à Praia
Deslocação - Para os indecisos e menos dados a experiências que fujam do normal existem sempre os programas de viagem com circuito pela ilha e as suas principais atracções. O que até aconselho para os que vão fazer visita com hora de regresso marcada e não podem de despender mais tempo na ilha. Outra opção é obviamente o aluguer de um carro (4X4 de preferência) e partir há aventura e descobrir cada recanto deste pequeno paraíso. As estradas não são más, só mais para o interior aparecem algumas em pior estado mas nada que traga grandes sobressaltos à vossa viagem. Coo não podia deixar de ser pede-se moderação ao volante pois para o interior a estradas têm muitas curvas e subidas e descidas. Durante toda a volta à ilha o transito é mínimo mas na Cidade da Praia .... enfim era o famoso transito africano!!!!

Onde ficar - Eis uma questão que infelizmente não poderei responder, pois com a maior das penas não fiquei!! Eu sei que se aprende com os erros e hoje teria ficado mais tempo nesta ilha em vez do Sal, daí fica a minha dica que quando for a Cabo Verde conheça pelos menos 2 ilhas! Pelo que sei a Cidade da Praia e as suas imediações tem vindo a ver um grande crescimento turístico desde a abertura do aeroporto internacional o que tem vindo a fazer com que apareçam unidades hoteleiras nesta região. No Tarrafal também podemos encontrar onde dormir mas de maneira bem mais modesta. De qualquer das maneiras ainda não imperam os grandes resorts como no Sal (se é o que procura lamento informar!) mas existem hotéis em estilo familiar e pelo que sei com boa qualidade e uma boa forma de conhecer este gentil povo.

Assim inicio o post sobre a ilha que mais me encantou nestas férias e poder contar-vos aquilo que vi e vivi e deixar vontade para um dia poderem conhecer este pequeno paraíso.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Under Water Love - Mergulho na Ilha do Sal


Deixo-vos hoje com o relato de um dos dias mais especiais da minha vida, o dia em que quase me recusei a descobrir as maravilhas que se escondem debaixo das ondas!

O hotel Riu Funána oferecia uma aula  de mergulho com garrafa gratuitamente (como tem vindo a ser já normal nos grandes resorts). Mais por curiosidade do que outra coisa qualquer lá nos inscrevemos com o rapaz encarregue de tal e no dia e hora marcados lá estava um Jeep (ou o que restava dele) à nossa espera e de mais uma dúzia de aventureiros para a aula de mergulho. 
O nosso magnifico transporte!!
Ao contrário do que pensava a aula decorreu no Hotel Novohorizonte onde tem uma piscina de água salgada (e bem salgada) com a profundidade aceitável para a aula. A escola era Manta Diving Center que ficava mesmo nas instalações do hotel. O primeiro passo foi o reconhecimento e experimentar o material, os óculos, respiradores etc. 
Em volta da piscina todo o grupo ouviu com muita atenção as indicações do instrutor, o funcionamento do material, como se respira, como se retira agua do bocal e toda uma série de informações para a sobrevivência abaixo da linha do mar. Chega a hora de mergulhar com todo aquele pesadíssimo equipamento e coordenar a estabilidade do corpo, a respiração e a pressão dos ouvidos e no fim.... como se não baste-se ainda ter de nadar!
Aula prática!
Tenho de confessar que a aula não me correra da melhor forma e que estava a ter alguns probleminhas técnicos com tanta parafernália de equipamentos em cima e à volta de mim. Aos poucos lá lhe apanhei o jeito e o gosto e a coisa já começa a ter a sua graça. Mas como o que é bom acaba depressa era a recta final daquela aula. Mas... (e porque há sempre um Mas) quem quisesse poderia colocar os ensinamentos recém adquiridos em Alto Mar!

Confesso que como não me sentia como peixe na água a ideia de ir directamente para o mar não era de todo a minha preferida mas, ficara o gostinho e tinha já deixado em consideração pensar nesse assunto e marcar posteriormente o tal mergulho. Mas (de novo o Mas...) afinal o mergulho seria agora mesmo dentro de alguns minutos!... Após grande insistência da minha companhia (leia-se ameaças) lá me decidi e quando menos esperava já me encontrava todo equipado como manda o figurino na borda de um barco rumo ao alto mar cabo verdiano.

As regras eram fáceis, não tocar, não roubar nada do mar, seguir ordens do instrutor e simplesmente relaxar. Cada um com seu instrutor, sentado na borda do barco, mão na máscara e no bucal e 1,2,3 mergulho de costas para o mar! Começava a minha primeira exploração oceânica quase quase em estilo Jacques Costeau e a Odisseia Submarina (adorava aquilo).

Foto Manta Diving Center

Rumo ao infinito azul o primeiro impacto é o Azul, muito azul em todas as direcções e depois logo bem de seguida o Silencio, um silencio reconfortante que nos transmite uma paz e um conforto que nunca imaginei ser possível em alto mar. Continuando a descer rumo ao fundo não vendo ninguém ainda tive algumas dificuldades em estabilizar a pressão nos ouvidos e a descida foi feita lentamente. Quando já bem perto do fundo abre-se diante dos nossos olhos um País das Maravilhas, um jardim de pedras rodeados de milhares de peixes de todas as cores e tamanhos, enormes cardumes que nos seguiam (ou eu a eles) tantas espécies que só vira na TV e nos aquários ali selvagens diante de mim assim como outras tantas que nunca imaginara ver!
Foto Manta Diving Center

Foto Manta Diving Center

Foto Manta Diving Center
Nadamos por entre as pedras e a cada novo peixe, novo encantamento. Nem a boca de piranha das moreias ameaçadoras nas suas tocas me detiveram na minha odisseia de explorar os mares. Naquele momento eu queria ser um peixe e viver naquele paraíso! 

Uma mão surge sob a minha cabeça e aponta algum mais a diante, nadei naquela direcção e já la se encontrava a minha companhia de volta de um tubarão gato que repousava no fundo sem ligar nenhuma há nossa presença.
Foto Manta Diving Center

Foto Manta Diving Center

Foto Manta Diving Center
Pouco mais durou a minha visita pelo fundo do mar e chegara o momento de subir bem pausadamente até à superfície. As caras dos que já haviam chegado reflectia um dos maiores sorrisos que uma pessoa pode ter, e não era para menos. Dava-se por encerrada esta pequena aventura inesperada num dos momentos mais marcantes na minha vida, acabara de conhecer o fundo do mar cuja possibilidade só residia nos meus sonhos. Hoje quando estou na praia sinto uma imensa saudade desse dia e uma curiosidade ainda maior por saber o que aquele mar esconde debaixo das suas ondas. Pode ser que um dia ... pode ser...

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Volta à Ilha do Sal de barco - ou uma tentativa de!!


Tínhamos programado um dia na Ilha do Sal para dar um passeio de barco em redor da sua costa, num barco com casco de vidro! Tudo parecia em sintonia para um dia descontraído e divertido naquelas águas quentes, mas realidade revelou-se uma das maiores furadas da viagem que hoje nos trás grandes gargalhadas...

Como havia sido combinado um transfer tinha nos ido buscar ao hotel e rumado ao "porto" de Palmeira onde estava fundeado um barquinho amarelo, o responsável pela aventura do dia. Uns botes faziam o transfer entre o cais e o barco, que apesar de lotadissimos deixaram apreciar o desenrolar da vida dos mares naquela terra.
Enquanto o barco navegava pelo porto nas suas águas calmas o pessoal ia descontraindo, apreciando a paisagem e os seus navios, alguns encalhados outros em plena actividade. Como sou apaixonado pelo mar este era um daqueles momentos de pura descontracção e estava mais que entretido a fotografar a vida daquele porto. 
Lentamente o barco ia-se afastando da linha da costa e o colorido das embarcações ia dando lugar à cor árida das paisagens daquela ilha. Não se pode dizer que seja a paisagem mais idílica à face do planeta mas o contraste do azul profundo do alto mar com o castanho das areias de terra era um colirio para os olhos. Era hora então de nos dedicarmos há pesca, anzóis e isco ao mar enquanto o barco se adentrava no alto mar, mas a pescaria estava fraca e eu que esperava grandes atuns como havia visto no pontão não saiu mais que meras sardinhas (azar de principiante)!!!
A Ilha do Sal já só assumia alguns contornos no horizonte, mas para nosso as ondas iam crescendo de fora considerável contra o casco do barquinho. O barco teimava em prosseguir o seu percurso mas a força das ondas fazia com que este abanasse de forma cada vez mais intensa. Não era preciso muito mais para os passageiros começarem a rezar pela vida e a chamar o santinho. Infelizmente o enjoo foi-se apoderando das pessoas e não bastou muito mais para as pessoas se abeirarem da borda do barco e .... enfim, vocês sabem...
O Capitão ainda parou o barco em alto mar numa tentativa de estabilizar os estomagos sensíveis, decidi finalmente descer do convés e apreciar o fundo de vidro e a beleza da vida marinha, mas o balanço aliado ao calor que ali se fazia sentir foi o derradeiro final para mim, que tenho "estômago de aço" estava igualmente enjoado!!!!
A coisa estava oficialmente a ficar bem preta, já ninguém sentia coragem em dar a volta ao resto da ilha muito menos sabendo que ainda faltava a viagem de regresso!! A única solução, de acordo com o capitão, era um mergulho no oceano que certamente faria passar o enjoo. Sem esperar muito mais, todo o mundo atirou.se literalmente ao mar, crianças e idosos, com e sem coletes salva-vidas! Fora remédio santo e o pessoal que até então parecia uma excursão de zombies estava já bem mais animado. Permanecemos de molho por cerca de uma hora e nem os enormes atuns que passavam rapidamente debaixo dos nossos pés nos deteram deste banho revigorante.
Era então hora de regressar ao porto de Palmeira e escusado será dizer que novamente passamos pelo tormento de enjoo e mais ondas!!
Sem mais condições físicas para aguentar qualquer outro tipo de emoção o desembarque foi quase como chegar à terra prometida, e enquanto esperamos a hora da chegada do bus para o regresso ao hotel ainda houve tempo de novamente apreciar a vida do porto (de onde não devíamos ter saído) e recompor a compostura!

 

domingo, 2 de dezembro de 2012

Onde está D. José I - Restauro da estátua de D. José I na Praça do Comércio


Interrompendo a nossa viagem por Cabo Verde, cabe hoje dar um saltinho à nossa estimada Lisboa. Hoje foi dia de dar um passeio pela baixa pombalina, comprar umas coisinhas para a casa nova, uns presentes de natal e tirar umas fotos. Apesar do frio gélido que se fazia sentir, o magnifico Sol convidada a umas fotos no Terreiro do Paço e aproveitar os seus raios mornos, que têm vindo a ser escassos. Contudo qual não foi a minha surpresa quando entro na maior praça da Europa e vejo que o alinhamento perfeito entre o Rossio, Rua Augusta e Terreiro do Paço estava quebrado!! A estátua equestre de D. José I havia desaparecido num emaranhado de andaimes - restauro!!! (finalmente).

Um pouco sobre a estátua!
Após o devastador terramoto de 1755, Lisboa estava empenhada em renascer das cinzas e dos escombros, que sob a direcção do Marquês de Pombal tomou os contornos que hoje conhecemos e que na altura fora considerada a cidade mais moderna do Mundo. A coroar toda esta obra megalómana está o Terreiro do Paço como a porta triunfal da cidade que sempre esteve ligada ao mar. Em 1775 é inaugurada a estátua equestre de D. José I, rei na altura do Terramoto sobe o cinzel de Machado e Castro. Apesar do rei se ter negado a pousar para a escultura e esta ter sido feito com base em retratos é um dos grandes símbolos desta praça gigantesca, que está repleta de alegorias que devem ser exploradas.

Sem nunca perder o seu porte ao longo destes quase 3 séculos,  bronze foi ficando verde e esta estátua já urgia de um enorme restauro. Graças ao World Monuments Fund – Portugal. finalmente dentro de alguns meses poderemos ver outro brilho nesta já muito charmosa praça. Infelizmente até Agosto de 2013 quem nos visitar terá este belo exemplar assim:
Mas nem tudo são más notícias: os painéis que cobrem a obra foram pintados pelo artista Bernardo Carvalho e apresentam pinturas em preto e azul sobre a estátua, sua concepção e época histórica. A informação que está em inglês e português é concisa mas confesso que as pinturas estão excepcionais e que merecem uma visita mais de perto. Deste modo, apesar da sala de visitas de Lisboa estar em obras não deixam de haver motivos para visita-la!

Estão disponíveis mais fotografias no facebook do blog - Facebook Carimbo no Passaporte

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Sabores do Mundo - Cachupa


Porque também se viaja pelo paladar, pelas cores e pelos odores de refeições exóticas inaugura-se no Carimbo no Passaporte uma nova secção que decidimos chamar: Sabores do Mundo
Estando estes últimos posts dedicados às ilhas de Cabo Verde nada mais justo do que falar-vos da sua extraordinária cozinha. 
A Cachupa é sem sombra de dúvidas o prato nacional de Cabo Verde, soborasa e consistente pode ser encontrada nos diversos restaurantes e tascas por todas as ilhas. Uma mistura pesada de feijão e milho entre outros condimentos que a pode levar a ser Rica (com carnes) ou Pobre (com peixes). Independentemente do seu valor é um prato que enche a barriga e a alma e se ainda sobrar dizem que é um excelente pequeno-almoço após uma noite de folia africana!!
Para os mais aventurreiros e pilotos de fogão deixo-vos a receita e depois se correr bem podem, claro está convidar para jantar!!!
Se mesmo assim as aventuras com as panelas não são o vosso forte (tal como eu) mas ficou a vontade de provar este maravilhoso prato, é só perguntar onde que tenho excelentes sugestões.

Ingredientes: 
Milho e feijões: 4 xícaras de milho cochido (pilado, sem farelo); 1 xícara de feijão-pedra; 1 xícara de favona; ½ xícara de feijão-manteiga
Carnes e enchidos: 1 galinha; ½ kg de entrecosto, 2chouriços de carne;2 farinheiras; ½ kg de toucinho entremeado; 1 chispe
Hortaliças:1kg de repolho; 1kg de banana verde; 1kg de batata; 1kg de tomate maduro; 4 cebolas; 4 dentes de alho 2 folhas de louro; 1 ramo de coentros
Gorduras: 1dl de azeite; 1/4kg de bacon
 
Preparação: 
1 -Coze-se o milho e os feijões, previamente demolhados, em água temperada com azeite, uma cebola às rodelas, 2 dentes de alho picados e uma folha de louro.
2 – Noutro tacho, cozinham-se as hortaliças com o entrecosto e o chispe que também devem ficar de molho.
No fim colocam-se os chouriços e deixam-se cozer. As farinheiras deverão ser cozidas à parte, em lume brando para evitar que elas rebentem.
3 – Leva-se um tacho ao lume com azeite, alho e cebola picados e faz-se um puxado (refogado).
Junta-se a galinha cortada aos bocados e temperada com sal e piripiri. Junta-se água.
Acrescenta-se o tomate desfeito e deixa-se apurar.
4 – Noutro tacho, faz-se um puxado com azeite, cebola e alho.Junta-se o louro e bacon em tiras fininhas. Depois de pronto, junta-se-lhe parte das carnes e dos
enchidos cortados.Refresca-se com vinho branco.
Junta-se o milho e os feijões escorridos e um pouco da água onde cozeu a carne e os legumes. Deixa-se apurar. Junta-se o repolho e, perto do fim, coentros picados.
5 – A cachupa está pronta para servir numa travessa grande e funda. Enfeita-se com rodelas de chouriço, toucinho e farinheira.
Noutras travessas dispõem-se as hortaliças, batatas, banana verde e o restante repolho

domingo, 4 de novembro de 2012

À Descoberta da Ilha do Sal - Buracona e Pedra Lume


A nossa estadia naquelas ilhas calorosas já tinha sido brindada com magníficos dias de praia e mar azul muito quente e com o estabelecimento de novas amizades com os quais passamos o resto das nossas férias num clima de grande divertimento e descontracção. 
Apesar de tudo nunca fui pessoa de passar grande dias na praia e muito menos estando fora do meu país, com tanto que fazer e ver não me poderia dar a esse luxo (apesar de saber que em Cabo Verde não se faz muito mais além do relax, pelo menos pensava eu...). Decidimos então que deveríamos descobrir os outros encantos desta pequena ilha e depois de muito ponderar optamos por ir num tour daqueles organizados pois queríamos ir todos juntos e óbvio sem nos perdermos.

Porto de Palmeira
De manhã cedo já nos esperava na porta do hotel uma carrinha van, um pouco maior que mais parecia carrinha de escola meio desengonçada que quando saiu a única estrada da ilha e começou a percorrer os trilhos de terra batida a coisa começou a ficar bem cambaleante!! O primeiro ponto de paragem foi Palmeira, uma vila bem pequena actualmente onde fica o porto de mercadorias da ilha (onde tudo entra e pouco sai) o porto pouco tem de interessante para nos mostrar alem de uma pequena capela. Ainda havia a intenção de visitar uma escola local mas já não sei porque motivo esta encontrava-se fechada. Não nos perdemos muito tempo pela vila, o suficiente para tirar algumas fotos, beber um café e claro algumas lembranças cá pra casa!!


Buracona e Olho d'água
Ja com o calor a apertar deixamos Palmeira para traz assim como a sua única estrada digna desse nome para entrar num outro mundo, numa outra paisagem ainda mais árida e inóspita, quase parecia um tour na face de Marte mas ladeados de um mar azul e de muita poeira, mesmo muita. O destino era Buracona e o incrível Olho d'água uma enorme surpresa escondida no meio de tanta aridez. A Buracona são piscinas naturais que se formaram à conta da força do mar na rocha vulcânica, um deleite para os olhos no meio daquela paisagem extra terrestre que convida um banho super refrescante. Infelizmente a água estava meio suja, devido às chuvas dos dias recentes (sim leu bem choveu na Ilha do Sal coisa que não acontecia ia para 20 anos). Deixo-vos com uma foto tirada por mim e outra nos dias em que a buracona é irresistível.
 
 
 Caminhando pelo basalto irregular alguns metros; Dica: Por mais que apeteça andar de chinelo naquele calor todo este percurso é algo perigoso pois é atreito a quedas dada a irregularidade do piso, então anda como levar uns ténis velhos!!! acabamos por chegar na orla de um buraco que esconde o mais precioso segredo da ilha. Ali bem debaixo dos nossos pés olha-nos o OLHO D'ÁGUA uma caverna sub-aquática de vários metro de profundidade na qual os raios de sol incidem pelas 11h formando um lindo e idílico olho azul, um verdadeiro fenómeno da natureza. Para mergulhadores experientes existe mergulho na caverna com saída no olho (como aconteceu na altura) e dizem que a visão em baixo de água é ainda mais surpreendente.


 


Permanecemos um pouco naquele local, extasiados com o azul turquesa que havíamos observado, o próximo ponto de paragem foi Espargos a capital da ilha mas que não nos mostrou qualquer interesse nem digno de registo fotográfico, optei mesmo por um café numa esplanada a ouvir uma magnifica morna. 
Chegava então a hora de partir para uma das mais aguardadas visitas do dia, sem antes passarmos por uma zona desértica e ver algumas miragens.



Por mais incrível que pareça, naquele local mais que ermo rodeado por coisa nenhuma estava simplesmente acampado um bando dos nossos amigos senegaleses super hiper mega chatos a tentar vender de tudo um pouco. Aposto que até areia do deserto devem ter tentado vender para algum turista mais drunked.

Salinas Pedra de Lume

A maior elevação da ilha começa a ganhar forma e contornos cada vez mais pronunciados mesmo diante dos nossos olhos. O vulcão que deu origem a esta ilha e o sal que dele brota e que deu nome à mesma estavam prestes a ser visitados. A paisagem continua árida, como não podia deixar de ser, pelo caminho avistam-se casas de um povoado, destroços de fábricas e do seu esplendor de outrora, uma capela isolada dá-nos as boas vindas antes de entrarmos na barriga do vulcão.
Este vulcão já extinto por se encontrar bem perto do mar vê a sua cratera preenchida de agua salgada que se infiltrou pela porosidade da pedra e que vai secando debaixo daquele sol abrasador. 

Já no século XVIII havia registos da exploração deste valioso sal na cratera do vulcão, sendo a principal fonte de receita da ilha e provavelmente o maior empregador na mesma. Somos recebidos por um estranho e antigo dispositivo que mais faz lembrar um teleférico de madeira que vem lá das profundezas do vulcão trazendo o seu sal para p exterior onde seria processado. 
A entrada é feita por uma passagem escavada na rocha da autoria dos antigos donos portugueses e assim depois do "fresco" da escuridão, quando nos encontramos do outro lado, mesmo na orla da cratera e os olhos se habituam há luz somos invadidos por um sentimento de beleza e estranheza. 

A cratera tem vários kms de largura e a sua profundidade em relação à entrada é impressionante. a paisagem é algo mais compatível com as fotos enviadas de Marte do que propriamente com a face da Terra.Os tons cores dominam a paleta de cores nas várias secções em que a água está ao sol a secar e podemos ver tonalidades desde os azuis e verdes até aos roxos e vermelhos. Simplesmente magnifico que fotografia alguma pode retratar a pureza daquelas cores. Aqui e além alguns montes brancos que parecem neve, o Sal está ali pronto a ser levado e tratado e refinado.
Depois da aula sobre a extracção do sal, nada melhor do que colocar o pézinho e depois o corpo todo naquelas piscinas coloridas. Fomos numa de água bem vermelha, ao inicio com receio pois os grãos de sal são enormes e fazem doer e escorregar, voltamos para traz para calçar os chinelos e então foi um quase mergulho. A água é quente, muito quente e quanto mais fundo mais quente (cerca de 60º) mas à superfície completamente tolerável, a sua textura pesada e rugosa era um deleite. Tal a concentração de sal que óbvio até uma pedra flutua mas o sabor é de arrepiar (não provar, conselho de amigo!). Fora um momento divertido e diferente ao longo das minhas viagens. Infelizmente chegara a hora de ir embora, mas não sem antes um almoço de um cachupa deliciosa e de uma selecção de pudins (ganhou o de banana) que nunca vamos esquecer. O dia chegara perto do fim, ficamos na vila de Santa Maria para um mergulho na praia e compras com a sensação que fora um dia extremamente bem passado e que afinal a Ilha do Sal esconde uns lindos segredos!

Informações úteis:
  • Entrada custa 5 €
  • Levar água (muita) e protector solar pois com o sal o risco de escaldão é muito grande
  • Existe um chuveiro de água doce que cobra cerca de 100 escudos, o que aconselho vivamente a não ser que queiram saber como se sente um bacalhau!
  • http://www.facebook.com/salinas.pedradelume