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sábado, 3 de agosto de 2013

Patio de la Cartuja - Hotel em Sevilha


Sevilha é uma cidade que oferece aos seus visitantes uma vasta oferta de alojamento no seu centro histórico. A maior parte está instalada em edifícios antigos, na sua maioria recuperados que aumentam ainda mais o charme da experiência sevilhana. Depois de muita procura pelos sites da especialidade a escolha recaiu sobre o hotel Patio de la Cartuja

O prédio de cor salmão com as suas varandas de ferro forjado, situa-se no bairro de Macarena a 5 minutos da Igreja da Macarena, outros tantos do parque temático Isla Mágica e a pouco mais de 20 minutos a pé do coração do centro histórico de Sevilha. Os arredores do hotel são fantásticos, prependicular à animada Alameda de Hércules que fervilha de vida após o anoitecer, repleta de lojas, bares e restaurantes é o ponto ideal para começar a noite ou acabar um dia de passeio pela cidade.
Apesar da sua recepção simples mas eficaz, o hotel brinda-nos com um magnifico pátio andaluz repleto de flores cujas varandas dos apartamentos estão todas viradas para o mesmo, dando ao lugar aquele toque familiar. No telhado tem ainda um terraço com algumas cadeiras com uma vista sobre o casario da cidade, ideal para ver o por do sol naquelas tardes quentes.

O hotel dispões de inúmeros apartamentos que acolhem diversas pessoas, cada apartamento está totalmente equipado com cozinha e utensílios, sala de estar que pode ter sofá cama, quarto de dormir e WC. O facto de ter cozinha revelou-se uma mais valia preciosa que foi utilizada praticamente todos os dias ao jantar com os produtos comprados num supermercado da cidade.

Uma das mais valias que o hotel apresenta é um estacionamento amplo que reservamos e onde deixei o carro completamente seguro e sem me preocupar com parquímetros, policia etc etc. A tarifa não incluía o pequeno almoço, creio que 5 € por pessoa, acabamos por provar na primeira manhã e que apesar de simples era bastante bom e com um preço acessível e acabamos por tomar todas as primeiras refeições do dia por lá mesmo.

O nosso apartamento com vista para o pátio central e para 2 varandas viradas para a rua foi muito acolhedor e cumpriu muito bem a sua função de nos instalar. Constatamos depois que era o apartamento mais pequeno disponível no piso e que outras pessoas já se instalaram no mesmo hotel em apartamentos bem maiores, contudo foi bastante acolhedor.

A experiência de alojamento neste hotel foi bastante positiva e creio que a relação qualidade/preço foi bastante compensadora estando aconselhado aos que forem de visita a Sevilha.

Onde fica:

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Morada: Calle Lumbreras, 8, 41002 Sevilla, Espanha ‎
Telefone: +34 954 90 02 00
Site: http://www.patiodelacartuja.com/

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Sevilha - Alma e Paixão


Cidade cheia de alma e de paixão, Sevilha foi e será uma das cidades que mais me encantou na vizinha Espanha. Repleta de tradição é um dos destinos obrigatórios para quem quiser conhecer a alma espanhola que infelizmente não consta nos roteiros que os turistas fazem por Espanha ou até mesmo pelo sul de Portugal! 
Situada no sul de Espanha e da Península Ibérica, é a 4ª maior cidade espanhola e capital da Andaluzia, noutros tempos foi uma das principais cidades do califado de Córdoba, na época em que esta região se chamava Al-andaluz. Ao longo do tempo a identidade da cidade foi-se construindo e hoje recebe os seus visitantes com toda uma passíon que nos deixa enfeitiçados.

A cidade é um emaranhado de ruas estreitas que escondem verdadeiros tesouros, legado dos seus tempos mouriscos que ainda hoje perduram, tal qual o traçado de certas zonas de Lisboa. Deambular pelas ruas dos seus bairros é um verdadeiro deslumbramento e é impossível perder os de Santa Cruz antiga judiaria da cidade, Triana berço de toureiros e do flamenco até muito provavelmente da identidade da cidade e Macarena centro religioso da fé sevilhana. Com tanto motivo para desfrutar da cidade não se pode deixar perder um pôr do sol sobre o rio Guadalquivir que corta a cidade com as suas águas calmas que também viram partir navios em busca de novos mundos. Com tudo isto ainda não há há motivo para se deixar envolver por Sevilha?!

Clima em Sevilha - Quando visitar?

Antes de partirem com destino à cidade não há melhor conselho que possa aqui dar-vos do que aquele relativamente ao clima! Aqui por terras lusas Sevilha é conhecida como uma cidade extremamente quente, e para aqueles que desconhecem este facto, quando se diz quente estamos mais propriamente a falar em eufemismos. Com a chegada da Primavera na Europa a partir dos meses de Maio e até Setembro são considerados os melhores meses para tirar férias e conhecer o velho continente, mas este facto não é bem assim para os lados da Andaluzia. As temperaturas por estes lados são teimosamente altas, frequentemente acima dos 40ºC nos meses de Julho e Agosto o que torna a cidade um verdadeiro inferno a céu aberto para os que desafiarem em passear pelas suas ruas. As noites por sinal são quentes e convidam a jantar numa esplanada e ficar por lá até altas horas da noite. 
Temperatura às 20h no final de Agosto em Sevilha!!
Dado este facto creio que os melhores meses para visitar a cidade são os de Maio e Setembro e Outubro, em que se pode usufruir dos encantos da cidade sem correr o risco de desidratação! O Inverno por seu lado é frio e seco típico do clima do sul da Península Ibérica e também pode ser uma altura bem agradável para fazer uma visita. Com tanto calor não será preciso reforçar a ideia que devem levar sempre um bom protector solar, um chapéu e nunca esquecer uma garrafa de água bem fresca. Para aqueles que ainda hoje não compreendem o hábito espanhol de la siesta não há nada como experimentar trabalhar em baixo de tanto calor e reflectir sobre a maravilha em que consiste este hábito. Contudo devido há siesta muitos dos monumentos encerram durante o período da tarde, por isso é sempre bom ver os horários nos guias ou mesmo na Internet na altura em que estiverem a planear o vosso roteiro.

Como chegar


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Distando somente 500 km de Lisboa, chegar até Sevilha é facilmente realizado de carro. São pouco mais de 4 horas em auto-estrada entre as 2 cidades que se fazem com facilidade. Existem voos que ligam as 2 cidades mas normalmente com escala nalguma cidade espanhola, o que os torna demorados e bastante caros. Companhias low cost ligam outras cidades espanholas a Sevilha, e como dado o tamanho relativamente grande de Espanha podem ser um óptima oportunidade. Se por sua vez estiverem pelo sul de Portugal a usufruir das águas quentes do Algarve, considerem um dia (apesar de ser pouco) para conhecer Sevilha que dista a pouco mais de hora e meia das principais cidades algarvias.

Locomover-se em Sevilha

Apesar de chegar de carro até Sevilha ser algo que se faz com facilidade, mover-se pela cidade com o mesmo já não significa o mesmo. Devido às suas características históricas a cidade brinda-nos com um labirinto de ruas estreitas que serpenteiam entre os bairros. Andar de carro por esta teia de ruas é já por si uma dor de cabeça mas tentar estacionar o mesmo nalgum lugar do centro histórico é missão quase que impossível! Assim se chegarem de carro optem por um alojamento com estacionamento (mesmo que a pagar) ou por algum parque e paguem a tarifa diária e esqueçam que trouxeram o carro e desfrutem da cidade. Optei por pagar o estacionamento do local onde fiquei hospedado que apesar de 14€ por dia foi a melhor opção pois não me preocupei mais com o carro até ao dia do regresso (os valores de estacionamento na cidade são bastante elevados).
O centro histórico da cidade e perfeitamente acessível a pé e é este o melhor meio de conhecer a cidade e os seus recantos. Muitas das ruas são fechadas ao transito e óptimas para um passeio a cavalo no final da tarde. 
Existe ainda uma única linha de metro mas que pouco ou nada nos pode ser útil, a não ser que estejam hospedados longe do centro ou o cansaço já dê sinais na hora do regresso ao hotel.

Está na hora de conhecer a cidade de Sevilha, preparados?

domingo, 28 de julho de 2013

Cidade da Praia?

Este post que deveria falar sobre a capital de Cabo Verde, Praia, na realidade nem deveria sequer de existir. Escrevo-o só mais como uma referencia da fugaz passagem pela mesma sem qualquer conteúdo significativo para quem possa por lá passar!

Antes de mais a cidade da Praia foi fundada em 1615 ao redor de uma praia que oferecia bom porto para a ancoragem dos navios. Foi um entreposto fundamental no comércio de escravos e só a sua elevação a cidade fez com que finalmente fosse elevada a capital da colónia (agora país) quando se coagitavam ideias de mudar a capital para o Mindelo.
Agora na realidade o que eu visitei da cidade da Praia? Nada, simplesmente nada! Uma falha estrondosa no meu curriculum vitae nesta paixão que é conhecer outros destinos. Devem-se estar a perguntar como tal foi possível, e a resposta é simples: falta de tempo!
Ficámos tão absorvidos pelas belezas da ilha e protelando sempre mais 10 minutos a partida, que quando chegou a hora já estávamos atrasados. Por mais voltas que a vida desse não dava tempo para conhecer a cidade, a não ser que perdêssemos o voo para o Sal e no dia seguinte o regresso a Lisboa. Hoje provavelmente tomaria essa opção, mas na altura estava em jogo um entrevista na Faculdade de Lisboa que eu esperava há muito tempo e já tinha sido uma complicação adiar a hora da mesma para coincidir com a chegada a Lisboa.
Então o que eu vi na Praia? Bem chegamos à cidade já com o final da tarde e o sol a pôr-se no horizonte. Somos recebidos por uma avenida sem fim aparente ladeada por casas de habitação, lojas e mais lojas e por incrível que que apreça um punhado de lojas de chineses que fazem envergonhar qualquer China Town de qualquer país.

Mais adiante passamos por um mercado de rua onde aparentava que se vendiam e compravam todo um mundo de coisas, do quotidiano ao mais estranho possível. Deste contacto rápido a Praia apresenta-se como uma típica cidade africana, confusa, barulhenta, suja e desordenada. Obvio que nenhum deste adjectivos pode ser utilizado por mim para a descrever pois como já sabem a visita foi mais que fugaz, foi relâmpago!
No caminho para o aeroporto ainda passamos no centro histórico da cidade, com um toque romântico daqueles tempos coloniais que esse sim, deu vontade de parar e ficar a absorver aquele momento.
E assim se sucedeu a não visita à Praia e ficou uma dívida de viajante para com este país.

domingo, 14 de julho de 2013

Sabores do Mundo - Gelataria Amorino, o charme dos gelados!

Já fazia muito tempo que reclamava que Lisboa perdia aos pontos parte do seu encanto em não oferecer gelatarias dignas do nome. É praticamente impensável que uma capital cosmopolita e cheia de vida como Lisboa, aliada ao melhor clima solarengo e quente da Europa muito provavelmente do Mundo, não oferecesse aos seus apaixonados moradores e visitantes gelatarias para nos refrescarem naqueles dias escaldantes de Verão!

Longe vai a década de 80 em que se viam algumas destas arcas de tesouros gelados espalhadas pela cidade deixando-nos durante décadas à mercê dos deliciosos gelados industriais.

Há muito poucos anos,  e leiam-se mesmo muito poucos anos, lá se fez frio pelo Chiado e abriu a elegante e maravilhosa gelataria Santini até então restrita aos ares da linha de Cascais. Aquilo caiu que nem uma bomba no centro da cidade, foram e são romarias à sua porta e finalmente Lisboa começava a equiparar-se mesmo que timidamente às grandes cidades europeias no quesito da doçaria gelada.

Já andava a necessitar de uma injecção de açúcar gelado nas papilas gustativas, ainda mais que o calor maid que abrasador destes últimos dias veio a empolgar o desejo de comer um gelado, ou como dizem os nossos amigos no Brasil: um sorvete!
Depois do jantar seguido de um dia fantástico de praia, não havia anda melhor que refrescar num passeio pelo Chiado lotado de gente para aquelas tardias horas. Bem no meio da Rua Garrett os olhares bateram com um anjo segurando um cone de gelado num ambiente bem acolhedor, foi paragem obrigatória na Gelataria Amorino!

A marca Amorino nasceu em Paris no ano de 2002 às mãos de dois amigos de infância Paolo Benassi e Cristiano Sereni. Desde então os eu crescimento foi meteórico e existem mais de 80 lojas em 10 países.  
Os sabores de textura cremosa que lembram os gelados italianos são fabricados em França onde posteriormente são distribuidos, com o objectivo de assegurar a qualidade dos mesmos. Diz-se que têm teor elevado de fruta, ovos e leites bio mas o sabor esse sim é indiscritível.

Na nossa frente repousam uma explosão de cores quentes e vibrantes que fazem adivinhar sabores igualmente envolventes, deixa-mos então de parte os tradicionais morango ou chocolate para entrar num mundo bem mais requintado e delicado de sabores. Na hora da escolha a coisa então tende a complicar-se tal reina a indecisão que rapidamente desaparece quando alguém lhe diz: "pode escolher os sabores que quiser, desde que caibam dentro do cone" e assim se resolve a problemática e numa cto de gula escolhe-se o maior numero de sabores possíveis!! 
Mais uma surpresa nos aguarda na hora de segurar o cone, que é magnificamente esculpido em forma de flor com os sabores que os nossos olhos escolheram! E ali com uma flor gelada e cremosa na mão quase, mas só mesmo quase, dá vontade de não estragar a obra e sem qualquer complexo de culpa a flor vai desaparecendo a cada quase celestial lambidela.
O sabor deixo-o à vossa imaginação trabalhar, ou se a gula despertou neste momento que fique a vontade de irem conhecer esta excelente gelataria, mas garanto-vos que estes gelados são Amorino à primeira vista!

Onde encontrar:

Rua Augusta 209 Lisboa
Rua Garrett 29 Lisboa

Link:

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Pelos Caminhos de Santiago de Cabo Verde


Com forças retemperadas pelo intenso azul do mar do Tarrafal e a barriga cheia com uma Cachupa daquelas à moda antiga, estava na hora de nos fazermos de novo à estrada e nos perdermos pelaos caminhos de Santiago. Como não seria de esperar a ilha foi-nos facultando paisagens de que nunca mais a mente esquecerá, fomos embalados pelas estradas de pedra ora entre o mar ou entre as serras verdejantes. 
A calma e a paz que se vive por aquelas paragens são tão contagiantes quanto os seus ritmos musicais e é difícil não ficar apaixonado por todo aquele clima que nos envolve.

Pelo caminho vimos praias com areias de todas as coras, mares calmos e revoltos, baías cujo azul das suas águas pedia um mergulho a cada mirada pelo asfalto já meio esburacado. Quem tenta descrever tais paisagens deve ser louco, pois as mesmas são para sentir e desfrutar e ocupar um lugar especial no coração de quem ousou descobri-las além dos resorts de agencia.
Por aqui e ali vêm-se muitas crianças, algumas a acartarem garrafões de água pelas ribeiras verdejantes nos sopés dos montes, em vez de estarem sentadas em algum banco de escola a aprender a complicada e antiga lingua que deveriam saber falar! Mas estas crianças são a vida dos países e é nos seus rostos sorridentes e acenos ao vidro do nosso carro que se pode sonhar ainda com um futuro mais iluminado para as próximas gerações. São as mesmas crianças que correm atrás do carro à espera das guloseimas que os muito raros turistas lhes atiram pela janela, enquanto os mesmos ficam a vê-las gladiar-se no conforto do ar condicionado. Existem também as mais tímidas que de olhos baixos e muito envergonhados nos vêm pedir um rebuçado se faz favor, não sei se mais envergonhadas pelo pedido do que por exporem a sua situação ali tão a cru! São essas que dá vontade de sair para a rua e protestar contra as medidas que este Mundo leva e se esquece dos seus filhos mais frágeis...

Continuamos pela estrada, com o coração meio partido por deixar para trás tais rostos. A paisagem continua magnifica e ninguém sucumbe ao sono de quem acordou as 4 da manhã para esta visita relâmpago.
Uma paragem no meio de uma qualquer estrada onde estava plantada uma tabanca que vendia produtos daquela fértil terra. A minha vista saltou logo para os mamões que eu adoro acima de qualquer fruta e não podia deixar de ser comprou-se um como o efémero souvenir daquela viagem. Mas a surpresa estava escondida nas amarelas bananas. A vendedora que nem português sabia falar insistia em que comprasse um cacho e acabei por comprar e qual não foi o nosso espanto as bananas sabiam a maçã! Sim isso mesmo eram bananas maçã que foram devoradas ali na sua frente e atacados pelo pecado da gula comprou-se mais um cacho não fosse dar a fome no caminho!
A estrada continua, mais terras e terriolas apareciam e desapareciam pelos caminhos, era hora de chegar à capital e fazer as respectivas despedidas

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Praia do Tarrafal - Um paraíso escondido na Terra!


Por mais que possa puxar pela cabeça, não me ocorre outras expressão que possa atribuir ao Tarrafal - um paraíso escondido na Terra, porque na realidade não é mais do que isso e ao mesmo tempo é muito mais que possamos imaginar!

Toda a ilha de Santiago é encantadora e as suas paisagens são de cortar a respiração, mas nada me havia preparado para o primeiro trocar de olhos e de almas com esta praia. Ali encaixada entre montes imponentes sobranceiros ao mar, a sua areia fina e branca orlada por um frondoso coqueiral estende-se a baía do Tarrafal nas suas águas azuis turquesas e cálidas, bem cálidas.
Contemplar todo estes cenário foi um deleite para os sentidos, o silencio quebrado pela rebentação das poucas ondas e os gritos de felicidade das crianças locais que mergulhavam do porto quase em ruínas. E pouco mais é preciso nesta receita para a felicidade que se viu completa quando os corpos quentes daquele calor tropical se puderam refrescar nas suas águas e permanecer nela várias horas em brincadeiras tão idênticas às das crianças locais.

Poucas devem ser as praias que nos brindam com tão belo cenário numa paz quase desconcertante, dá vontade de perder horas da nossa vida a contemplar toda a paisagem e quão belo é o nosso dia-a-dia mesmo quando aprece mais cinzento! Escusado será dizer que o Tarrafal foi amor à primeira vista e à segunda tornou-se paixão de uma vida, ficou por perceber o porquê das bagunças virarem autênticos Tarrafais quão o Tarrafal nos brindou com uma paz paradisíaca?!
Tantos mergulhos abrem sem dúvida até os apetites mais tímidos e era hora de um almoço tradicional brindado com cachupa, ali num dos muito poucos restaurantes na beira da praia com uma vista que.... enfim imaginem!
Uma voltinha pelo centro da vila foi indispensável mas os olhares teimavam em passar por cima do ombro na tentativa de continuar a contemplação do paraíso terrestre ou na dúvida que a miragem acabasse por desaparecer.
O dia não terminaria sem mais uma entrega àquelas águas para a despedida de um amor intenso quanto fugaz. Ficou a vontade de voltar nem que fosse por mais um segundo só e um espaço que ocupou uma baía azul dentro do meu coração!


domingo, 16 de junho de 2013

O Blog no imenso mundo das redes sociais

O que nasceu como uma paixão e uma vontade enorme de partilhar ao Mundo os Mundos que conheci e que me vão encantando, é hoje timidamente um projecto que me dá imenso prazer realizar e partilhar com aqueles que têm um pouco de paciência para dedicar a ler e ver o que publico. A esses resistentes vais um grande muito obrigado!

Querendo chegar cada vez a outras pessoas o Blog foi "invadindo" outros modos de se fazer ver e ouvir e hoje tem algumas participações noutras redes sociais que dão mais alento ao projecto e que complementam e divulgam outras informações. Por essa razão deixo-vos os links de onde podem encontrar outras participações do Carimbo no Passaporte:

sábado, 15 de junho de 2013

Prisão do Tarrafal

Já completamente absorvido pela beleza e intensidade daquela magnifica ilha partimos da cidade de Assomada rumo ao que eu esperava e foi o ponto alto da viagem. Continuando a serpentear pelas estradas a ilha demos entrada na Serra da Malagueta o ponto mais alto da ilha cujo o dia nos brindou com uma neblina intensa e nuvens a rodear o carro. Jamais imaginaria ter frio em pleno Setembro numa ilha tropical e desejar a todo o custo um casaco bem mais quente que a roupa de praia que levava naquele dia. 

Frio à parte a vista bem do alto da montanha era a mais deliciosa de toda a ilha e aliada aos sorrisos das pessoas que poucos carros devem ver ao dia foi um momento completamente pacifico. Ficou o desejo de não dispor mais tempo para apreciar todo aquele esplendor da natureza e perder-me nas horas e nos pensamentos.  O tempo urgia e a vontade de conhecer mais daquela ilha ia aumentando quando a estrada se tornou calçada dando como sinal que estava a chegar ao destino: Tarrafal!
Apesar de se adivinhar um mergulho no paraíso a primeira paragem foi num dos locais mais decrépitos da história recente de Portugal! Paredes meias com a magnifica baía encontra-se escondida a Prisão do Tarrafal um dos expoentes da ditadura Salazarista que Portugal viveu nas últimas décadas.
Localizada na localidade de Chão Bom esta colónia prisional criada pelo Estado Novo em Abril de 1936 com o objectivo de afastar prisioneiros políticos problemáticos da metrópole (Lisboa) e que aliada às más condições passar a mensagem de que as medidas contra dos desertores da ideologia do Estado Novo seriam levadas ao extremo!
Para quem chega é um contraste enorme a existência de um lugar de crueldade inimaginável situado num local de uma beleza ímpar. Diz-se que foi por esse motivo que ali foi construída tal prisão, para que a paisagem servi-se de escape aos guardas prisionais no meio da crueldade que ali se vivia.
De acesso difícil e praticamente deserta a sua entrada, fomos recebidos por um grupo de crianças curiosas que brincavam por aqueles lados abrigadas do calor debaixo de uma gigantesca acácia. Compramos as entradas a uma mulher que envergava trajes bem coloridos e após o fosso que separa o campo do portão fomos recebidos por um recinto quase deserto dominado pelo silencio. Vagueavam por ali alguns alunos locais de uma escola e o nosso muito pequeno grupo.
O vasto recinto verdejante das recentes chuvas é salpicado por meia dúzia de pavilhões que correspondiam às valências e dependências do complexos, entre elas a cozinha, os banheiros, as celas e como não podia faltar a solitária!
No centro do recinto destaca-se um pavilhão de cor rosada que se denominava como Posto de Socorro, contudo ao que parece tal local não era propriamente dedicado aos cuidados de saúde como afirmava o médico Esmeraldo Pais Prata que aqui trabalhou em 1936: "Não estou aqui para curar, mas para passar certidões de óbito"
Continuando a visita demos de caras com a "Holandinha" ou "Frigideira" o terror das solitárias e do ressabiamento de um país caído nas malhas no Fascismo. A solitária da prisão não era mais do que um cubo de betão com pouco mais de 4 metros quadrados com uma janela minúscula, virada para o sol onde eram encarcerados vários presos expostos ao calor sufocante daquele sol, ficando isolados durante semanas e até meses. Desafiei a claustrofobia e entrei durante uns momentos e com cabeça baixa e porta fechada o calor tornou-se insuportável.
Holandinha
Em 1954 devido à grande pressão internacional foi encerrado o complexo que reabriu em 1960 aquando se deu o inicio das guerras pela independência das antigas colónias portuguesas em África. Acabou por encerrar por completo em 1974 quando se deu o fim da ditadura Salazarista e o fim do longo império português.
Já fora dos portões existe um muito pequeno Museu da Rebelião que conta em poucas palavras e imagens os horrores que aconteceram dentro daqueles muros.
Com o calor do meio dia a apertar ficou para traz este memorial da ditadura fascistas de um império que não se soube preservar e rumámos ao paraíso mesmo ali ao lado, acompanhados pelas cabras que pastavam serenamente nos caminhos.