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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Templo de Karnak - Mergulho na mitologia do Antigo Egipto

Era dia de acordar cedo, na realidade um eufemismo porque o despertar foi bem de madrugada e às 5h da manhã já o Sol despertava nas águas do Nilo e os ânimos estavam bem elevados para começar a descobrir os mistérios do milenar Egipto. Durante o caminho entre o navio e o primeiro local a visitar houve tempo de conhecer os nossos outros 4 companheiros desta aventura e o fenomenal guia que nos acompanhou e fez um trabalho extraordinário mesmo sabendo muito pouco de português! 

Escusado será dizer que num país tão diferente quanto este tudo acaba por impressionar, mas devo confessar o calor que se fazia sentir ainda nem 6h eram já dava para perceber o ritmo da viagem e as horas que o despertador iria tocar nos dias seguintes!

Embrenhados já no clássico transito egípcio da cidade de Luxor (ainda não conhecíamos a realidade do Cairo!) lá nos dirigimos rumo ao maior templo da antiguidade, o Templo de Karnak.


Era hora de viajar uns milénios no tempo e acreditar que os faraós ainda reinavam sobre aquelas areias, quando a cidade de Luxor ainda se chamava Tebas a capital daquele império intemporal, de achar que o mundo era povoado por seres míticos para se poder transpor as portas deste templo (ou o que resta delas) e mergulhar nos mistérios da civilização antiga.

Diz-se por aí que este templo iniciou a sua construção lá no longínquo ano de 2200 a.C. (sim isso mesmo, já conta com cerca de 4214 anos de idade!!!) dedicado ao deus Amon-Rá, mas este gigantesco complexo incluía outros templos dedicados a outros deuses do complexo mundo mitológico que era a religião egípcia.

Ninguém fica indiferente perante o tamanho de todo este complexo e a avenida das esfinges que nos recebe (e que ligava este templo ao de Luxor) chega a dar um arrepio na pele e estampar na cara uma expressão de espanto e de incredulidade perante a obra e o tempo em que fora construída. Apesar de ter estado subterrado pelas areias do deserto durante mil anos e de ter sido alvo de inúmeras pilhagens, chegou aos dias de hoje ainda um conjunto exemplar sobre a arte e religião do Egipto Antigo impressionante e não existirão imagens que retratem aquilo que os olhos viram!

Por detrás da colossal entrada o tempo como que por magia pára e de repente estamos cara a cara com os primeiros hieróglifos que repousam no sitio onde nasceram (e não num qualquer museus) ou trocamos um olhar com uma gigantesca estátua de um qualquer faraó famoso. Naquele local tudo tem outra dimensão e tem tanta coisa para descobrir que por mais que o guia se esforçasse em nos explicar pelo menos o básico da mitologia e das crenças em que foi solidificado aquele lugar, a nossa cabeça já viajava em alta velocidade, aquilo foi simplesmente incrível e o Egipto estava a desvendar os seus maiores segredos.

Não vos falarei sobre deuses egípcios nem as suas intrincadas histórias pois é demasiada informação, tão demasiada que ao fim de um par de horas já a cabeça tinha dado um nó e já ninguém sabia quem era quem, nem que deus era qual. A abordagem à mitologia teria de ser mais suave pois seria essencial para perceber o que veríamos nos próximos dias mas o impacto do primeiro monumento da antiguidade ali perante os nossos olhos ofuscava qualquer tentativa de explicação.


Mas se templo impressiona logo na entrada é depois do segundo pilone que ele revela o seu lugar mais espetacular. São 134 colunas de perimetro impressionante, todas esculpidas até ao seu topo que constituem as famosa Sala Hipostola. O tecto já há muito que caiu mas ainda chegaram aos dias de hoje as cores vibrantes dos hieróglifos que são todos diferentes em cada coluna tornando-se um deleite uma pessoa deixar-se perder naquela floresta de pedra.


Não sei como o meu pescoço voltou à posição normal depois de tantas horas a olhar para o topo destas colunas e quando se pensa que pouco mais há para descobrir lá se abre outro pátio com outras tantas salas. Vários obeliscos rasgam os céus a lembrar os locais onde o Sol pousou quando se criou o mundo e mesmo ali ao lado um Ramsés II com vários metros de altura mira-nos com o seu olhar granítico! 


Sentados em pedras milenares encontravam-se os caricatos egípcios quase tão antigos quanto aquelas pedras, nos seus trajes típicos que compunham o cenário perfeito para esta viagem aos confins da humanidade.  Ainda houve tempo para explorar mais um pouco aquele complexo, descobrir obeliscos cada vez mais altos, alguns já caídos graças ao peso da gravidade e do tempo, uma voltinha pelo lago sagrado e umas voltas ao escaravelho gigante que dizem ser da boa sorte!
O relógio marcava pouco mais que 8h30 e o calor começa a fazer-se sentir, o corpo já pedia água e algum descanso pois o dia seria ainda longo e haveria muita mas mesmo muita coisa para ver. Assim nos despedimos do templo de Karnak completamente apaixonados pelo antigo Egipto e destinados a descobrir tudo o mais que haveria ainda por desbravar. O país tinha-nos recebido em grande e as expectativas já estavam muito lá no alto, por isso era hora de continuar a nossa aventura e rumar ao Templo de Luxor.

Dicas de Viajante:
  • O Templo de Karnak situa-se a cerca de 3km da cidade de Luxor, facilmente acessível de táxi
  • Aberto diariamente das 6h às 17h, mas devido às temperaturas extremas aconselho ir bem na hora da abertura ou no final do dia
  • Preço 65 LE cerca de 8€
  • Dada a complexidade da história deste país aconselho fazerem a visita com um guia pois poderão perceber e desfrutar muito mais de tudo o que irão ver.

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