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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Anunciação cultural na Staatsoper de Viena!


Haviam-se passados vários dias a palmilhar esta cidade tão elegante e fascinante que hoje mais de um ano passado ainda recordamos com saudade. Muitas coisas tinham sido visitadas, monumentos magníficos a condizer com o espírito imperial que se vive por aquelas bandas. Era a última noite em Viena e tínhamos deixado efectivamente a cereja para o topo do bolo, sim iríamos à aclamada Ópera Estatal de Viena. Foram algumas semanas de pesquisa frenética na web sobre preços, peça etc's e tais. Nem sempre o site da Staatsoper era fácil de compreender, efectivamente tinha tradução para inglês mas quando fizemos a reserva dos bilhetes começou a vir tudo escrito em alemão e nem o Google tradutor nos safou, nossa sorte é eu ter uma familiar que fala excelentemente alemão e lá nos ajudou a realizar a compra. Estava escolhido a peça seria Der Fliegende Holländer (que já explico mais a frente), e o melhor de tudo o preço de cada bilhete foi apenas de 10 €, sim isso mesmo, mais despesas de envio por correio para casa ficou em 25 € bilhetes para o casal. Mas se eu já havia ficado impressionado com o preço dos bilhetes para tão aclamada ópera (apesar de serem no último balcão) mais impressionado fiquei quando recebi os bilhetes na minha caixa dos correios 1 dia e meio após a sua reserva na net. Impressionante!!!
Mas regressando de novo a Viena, já havíamos passado algumas vezes pelo edifício da ópera, tirado algumas fotos e limitado o interesse por isso mesmo, afinal sabíamos que havíamos de entrar la dentro e conhecer e ouvir uma magnifica ópera. Existem visitas guiadas durante o dia mas sinceramente dado os preços dos ingressos para ver um espectáculo mais vale ir realmente à ópera. Chegara então a aguardada noite, a ópera começaria pelas 19h (muito cedo para os padrões portugueses), fomos a correr ao hotel eu vestir o fato e gravata ela o vestido e um lindo casaco de pelo (sim somo pobres e contra as peles verdadeiras, era só mesmo para meter vista). Fomos no metro até à estação da ópera, tal como quem vai para um casamento, e entramos no edifício, assombroso para a vista, requintado, foi impossível conter o riso, afinal nenhum de nós tinha ido antes a uma ópera a sério com todo aquela pompa e circunstancia.  


A Staatsoper foi o primeiro grande edificio público da Ringstrasse, realizado em estilo Neo-Renascentista tendo sido inaugurada em 1869 ao som de D. Giovanni de Mozart. Nem sempre foi do gosto dos vienenses, contudo durante a II Guerra Mundial foi atingida por uma bomba que a destruiu por completo excepto a fachada. Fora então reconstruida em 1955 e desde então tem sido um dos marcos mais importantes da música clássica a nível mundial. O edifício é grande e elegantemente decorado, a sala de espectáculos é enorme e de uma altura impressionante, lá no topo do último balcão chega a dar vertigens, os vários assistentes ajudam-nos a encontrar o lugar com facilidade e depois de instalados estávamos prontos para o inicio daquilo a que chamamos a nossa anunciação ao mundo da cultura.
Deixo-vos uma fotomontagem de várias fotos que tirei para terem noção do tamanho e profundidade da sala:

A sala acabava por se encher por completo, nem uma cadeira livre, algumas pessoas em pé que marcam lugar com um lenço (ouvi dizer que esses bilhetes são cerca de 5 €). De ante-mão sabíamos que iríamos ver uma ópera de Wagner, e ate conseguimos achar na net um libreto em espanhol da peça, mas que confesso não tínhamos sequer olhado para ele. Aquando da abertura e das luzes apagadas lá descobrimos uns minis LCD nas cadeiras que legendam a ópera, apesar de ser em alemão sempre dava para matar a curiosidade. Mas, o meu lado criança despertou e comecei a mexer em todos os botões até que descobrimos o inesperado .... conseguira traduzir a opera para ingles, e sim ao menos já se poderia perceber qualquer coisa da história. O espectáculo é imperdivel, a actuação dos cantores, o palco e cenário gigantescos tudo é deslumbrante, e aconselho que for a Viena tem de ir à ópera, é obrigatório. Se não puder ir a Viena vai a uma ópera qualquer. Foi num destes momentos de deslumbre que me apercebo que conhecia qualquer coisa de familiar daquela história, o raio da ópera não me era desconhecida, assim resumidamente versava a historia de um lobo do mar em dificuldades que viajava num navio negro sem nunca descansar e só a cada 7 anos poderia vir a terra procurar o seu amor verdadeiro que o possa salvar com a morte que lhe é negada. Pois é provavelmente, também já devem ter ouvido esta historia pelo menos algumas vezes, sim afinal estava a ver o Holandês Voador, que muita gente viu esta historia também contada num dos últimos filmes da Disney mas com algumas coisas extra. Fora uma agradável surpresa, afinal aquele mito da ópera estava completamente desfeito, ficamos viciados em ópera e com vontade de repetir, pena em Portugal não haver preços acessíveis como este. Fica aqui um vídeo do final da opera que tirei da internet para terem uma noção do tipo de espectáculo que nos proporciona.


quinta-feira, 2 de junho de 2011

Ringstrasse - O anel da cultura Vienense


Já o dia ia a meio e os quilómetros de caminhada acumulavam-se já no pedómetro que não havíamos levado mas que certamente nos teria surpreendido em largos números. A procura da tal casa, que ainda hoje não tenho coragem sequer de ler as primeiras silabas, havia aberto o apetite para mais um pequeno piquenique, o último nesta cidade que já nos havia cativado, piquenique esse que dado o seu simbólico fim requeria um local bem especial para a sua concretização. Assim de mochila cheia das mais saborosas iguarias nacionais (pizzas, pão de forma, salsichas) algumas já com uns 5 dias de existência em caixas de plástico, rumámos para Stadtpark bem no coração da cidade.

Stadtpark - O parque da cidade de Viena

Apesar de aquele meio dia estar solarengo e menos frio, uma vendaval teimava em dominar aquele parque que havíamos escolhido para o nosso almoço. Já lá havíamos passado numa das noites na cidade, mas só à luz do dia temos  noção dos seus 65 000 m2 ajardinados que ocupam desde o primeiro ao terceiro distrito da cidade. Inaugurado em 1862 como parque público em estilo Inglês tem sido até hoje um dos locais mais frequentados pelos habitantes bem como pelos turistas (daqueles que fazem farnel em qualquer lado bem a à moda lusa, claro Nós). 
O parque além de um refúgio para a cidade está repleto de cantos arborizados e um lago central rodeados por várias obras de arte, sendo a que mais se destaca é o monumento a Johann Strauss. 
Foi mesmo ali com vista para tão famosos músicos que decidimos montar acampamento dar descanso às pernas e acalmar o estômago, almoço que decorreu numa maratona incansável a correr atrás de guardanapos e restos alimentares que o vendaval decidiu espalhar por aquele até então imaculado parque.


Monumento a Strauss

Após o almoço à corrida (nos dois sentidos do termo) e depois de limpa toda a sujeira que o vendaval criou decidimos dar uma voltinnha pelo parque e procurar o famoso Danúbio Azul, que dessa cor os vestígios são escassos. Ainda hoje não consigo explicar esta sensação, mas fiquei com a ligeira impressão de que Viena vive de costas voltadas para o Danúbio, provavelmente pelo esplendor da própria cidade, não sei mas o rio passa descansadamente pelos seus bairros e nós nem nos damos conta da sua presença. Estranho!

Ringstrasse

Mapa da Ringstrasse
 A magia de caminhar a pé pelas cidades do Mundo reside nas surpresas que vamos encontrando a cada esquina, e sem darmos muito bem conta, ao fim de meia dúzia de passos encontra-mo-nos novamente no centro histórico de Viena, na famosa avenida circular de nome Ringstrasse. Até ao séc. XIX a cidade de Viena vivia muralhada apesar de todo o esplendor que já então possuía. O crescimento da população aliado a um maior crescimento das riquezas da burguesia ditaram a demolição das muralhas da cidade medieval para dar lugar a uma avenida circular repleta de palácios e palacetes bem como das novas instituições imperiais que surgiam por essas alturas. Desta forma a Ringstrasse foi-se embelezando dos mais imponentes edifícios da cidade e hoje em dia um passeio por esta incrível avenida leva-nos a descobrir o coração e a arte Vienense.


Staatsoper - Ópera Estatal de Viena

O inicio da tarde de passeio pela Ringstrasse acabara de ser inaugurado com a visita à sumptuosa Ópera Estatal de Viena ou Staatsoper como por lá lhe chamam. Como capital da música clássica a cidade sempre fora conhecida pela sua dedicação à música erudita e como tal o edifício da ópera é um dos seus maiores marcos culturais. A Staatsoper foi a primeira grande obra da nova avenida, inaugurado já no longínquo ano de 1869 ao som de Don Giovanni do filho adoptivo da cidade, Mozart. Toda a elegância que este gigantesco monumento à música transporta para o exterior é assombrada pela opulência do seu interior, que nessa mesma noite haveríamos de descobrir, na que baptizamos como noite da iniciação oficial ao mundo das artes, sim fomos à ópera. Ficámos ainda alguns minutos a deslumbrar-mo-nos e a tirar algumas (dezenas) fotos, a deslindar se era necessário algum tipo de indumentária especial para a tão aguardada noite. Ficam algumas fotos do exterior do edifício e um post posterior sobre o seu interior.

   



Edifico da Secessão

Não muito longe da magnifica ópera, numa rua perpendicular à Ringstrasse encontrasse um dos mais carismáticos monumentos da cidade, o Edifício da Secessão. Contudo o interesse que tenho por esta obra tem uns contornos algo interessantes. Durante bastante tempo na minha vida não tinha nenhuma imagem associada à cidade de Viena, como Paris tem a torre Eiffel e Lisboa a Torre de Belém, para mim Viena era uma cidade abstracta sem um cartão postal do qual a pudesse reconhecer. Mas tanta ignorância iria desaparecer graças à televisão; a dada altura na minha adolescência começa a ser transmitida na Tv após o almoço a famosa série austríaca Rex o cão polícia. Quem não se recorda dos seus episódios que foram transmitidos durante anos, sobre os crimes mais hediondos descobertos por um pastor alemão e o seu dono?! Pois bem, foi aqui que começou a minha paixão por Viena, através de uma série televisiva, mas continua a questão: o que tem a ver este monumento com o Rex o cão polícia? Tudo! Passo a explicar, o edifício da sucessão aparecia no genérico da série e na minha mente adolescente fica a ideia de "que raio de prédio é aquele com o Ferrero Rocher no telhado", ideia essa que só alguns anos mais tarde se veio a dissolver e dar lugar a admiração pela obra.

Edifício da Secessão e o seu "Ferrero Rocher"
  Afinal este edifício datado de 1898 foi projectado pelo por Joseph Maria Olbrich em estilo Jugendstil para a realização das exposições da Secessão, um movimento liderado por Gustav Klimt que surgia como oposição à arte tradicional, com a pretensão de romper drasticamente com a tradição académica. A sua moderna arquitectura para a altura (e ainda para os dias de hoje) consistia num edifício quase sem janelas, de forma quadrada encimado por um globo de filigrama dourada sob o qual está escrito a divisa do movimento "Para cada época a sua arte, para a arte a Liberdade".

Mais de 100 anos passados após a sua inauguração, e esclarecida toda a minha ignorância sobre esta estranha obra, deu-se o lugar à admiração pelo seu design inovador e pela ousadia. No seu interior ainda hoje se dão lugar a exposições, mas o motivo alto da sua visita é o friso pintado por Klimt em 1902 sobre Beethoven, com cerca de 34 m de comprimento que se crê ser um comentário à Nona Sinfonia do compositor.



 Junto ao edifício encontra-se uma estátua de Marco Aurélio puxado por leões, como símbolo da decadência do imperador que é representado obeso e desleixado e os leões velhos e famintos. Foi impossível conter um sorriso de auto-censura na hora do ir embora, reconhecer que o desconhecimento nos faz cair no ridículo e no fim vir a descobrir que debaixo do tal "Ferrero Rocher" se esconde um mundo de arte e significado que vale a pena visitar, mesmo quando o Rex já não patrulha as ruas de Viena. 

Coordenadas:
Como chegar: Metro Karlsplatz, Morada: Friedrichstrasse 12
Horário: 10-20h; Ingresso: 8,50€
Links: Página oficial  Blog sobre a Secessão

Neue Burg

Já de tanto palmilhar a cidade (e felizmente que é plana) decidimos fazer uma paragem técnica para descanso numa praça nas traseiras do palácio de Hofburg, sem fugir ao rumo que seguíamos ao longa da famosa avenida.
Na Heldenplatz brilhava um sol que nos confortava naquele descanso a meio da tarde perante uma vista imponente e elegante. Neue Burg é um enorme edifício curvo de 1881, tendo sido o último pavilhão a ser acrescentado já ao vastíssimo palácio do Hofburg. Construído numa época pouco propícia a este devaneios, 5 anos após a conclusão desta parte dos palácio caiu o Império Habsburg.
Perante esta jóia da da arquitectura desfilou ainda outra mau augúrio para a humanidade, quando em 1938 Hitler sobe à sua varanda e proclama a anexação da Áustria à Alemanha, e desde então e nos 10 anos seguintes reinou a história da II Guerra Mundial.     
Actualmente alberga a sala de leitura da biblioteca nacional e diversos museus.



Heldenplatz
Interior


Coordenadas:
Como Chegar: Estação metro Volkstheater, Morada: Burgring
Horário: 10-18h Ingresso: 12€
Link: Página oficial Neue Burg


Parlamento

Ainda a volta pela Ringstrasse ia a meio e já havíamos perdido a conta a tantos monumentos vistos cada qual imponente na sua grandeza e beleza, que não conseguimos chegar ao fim e escolher o que gostámos mais de ver. Ao longo de todo este percurso foram vários os pontos que visitamos (só nesta avenida) dos quais tenho vindo a destacar só mesmo os mais impressionantes (pelo menos a meu ver). Nessa onda de impressionismo fomos dar com o Parlamento, assim de longe quase mas quase faz lembrar o nosso palácio de S. Bento na sua arquitectura neoclássica iniciada a sua construção em 1874 tendo sido reconstruído em 1950 após a sua destruição na guerra. Por todo o lado encontramos estátuas e monumentos alegóricos à sabedoria grega e romana, mas é a fonte no seu pórtico que representa a Deusa Atenas que mais se destaca e nos impressiona. Apesar de sóbrio a fonte da-lhe um ar ainda mais majestoso e no alto da sua porta de entrada obtemos uma panorâmica muito interessante sobre a Ringstrasse, local que voltámos umas poucas horas mais tarde para vislumbrar o último pôr do sol em Viena, a cidade que tanto me encantou.


Burgtheater

Quase parecendo que estamos num determinado sítio de Portugal, onde tudo "fica mesmo já ali, é só uns passinhos", deixámos o parlamento e na nossa demanda quase sem fim encaramos o Burgtheater ali serenamente descansado neste cada vez mais sumptuosa avenida. Já lá havíamos passado (bem na verdade fizemos um piquenique de pobres mesmo na soleira da porta) mas coisa rápida nem havia dado tempo para conhecer. Agora chegava então a sua oportunidade para mais uma vez Viena nos impressionar. Este é considerado o mais prestigiado teatro de língua alemã no mundo, construído em 1888 em estilo Renascentista italiano, contudo como os grandes monumentos da da cidade, em 1945 foi atingido por uma bomba que o destruiu quase na totalidade, deixando simplesmente as alas laterais e a escadaria. Um teatro tão elegante quanto este não poderia deixar de ser restaurado, e restauro esse que fora tão meticuloso que é impossível detectar. No seu interior a grande atracção além do grande salão são as escadarias das alas norte e sul que levam ao salão. Infelizmente não assistimos a nenhuma peça (se bem que não iríamos entender nada) mas ficou o fascínio e mais uma vez o deslumbramento deste monumento.

Fachada do Burgtheater














     























Uma pessoa com tanta ostentação acaba por se esquecer de que por vezes existem necessidades que têm de ser supridas, mesmo quando andamos a adiar há algumas horas. Pois bem, era o que acabara de acontecer, a ida ao wc já tantas vezes adiada era agora um caso de urgência senão emergência mesmo. À boa maneira portuguesa nada como ir a um café, pedir uma garrafinha de água e usar e abusar dos wc, e como o destino estava do meu lado, estava mesmo ali ao lado do teatro um magnifico café com uma esplanada de inverno mesmo acolhedora, o plano estava montado, entramos, ela foi ao balcão e eu sem ninguém me ver desci rapidamente as escadas para o wc. No regresso não a encontrei, estava sentada alegremente na esplanada de vidro com vista para o teatro:
"Então! estás sentada?!"
"Pois, podias ter ido fazer xixi em muitos lados, mas tinhas mesmo de vir aqui!"
Entrega-me o guia aberto numa página e o menu do café, a página estava marcada e lia-se Café Landtmann concebido em 1873, na sua opulência era o predilecto de Freud.
" Isto parece coisa fina, alias muito fina"
"Pois é, só tu para fazeres destas, e já agora pedi um bolinho e ... pagas TU "
 Foi desta maneira que conhecemos e experimentamos as famosas iguarias deste famoso café numa espécie de sopa doce com um bolo que não sei pronunciar, mas só vos digo delicioso.

O xixi mais caro da minha vida

 
Coordenadas:
Como Chegar: Estação metro Schottentor, Morada: Dr Karl-lueger-Ring, A-1014 
Link: Página Oficial urgtheater


Neues Rathaus - Nova Câmara Municipal


Envolta por um jardim, ergue-se no céu a majestosa torre da Rathaus, o novo edifício da câmara municipal de Viena. Fora mandada construir entre os anos de 1872-83 em estilo neogótico para substituir o antigo edifício. Além das suas funções governativas este elegante edifício dá lugar a concertos de música clássica bem como a bailes nos seus sumptuosos salões. Ficamos por ali alguns minutos a conversar e a fotografar, a despedir da última tarde em Viena, ainda demos um saltinho na Universidade e nuns quantos monumentos antes de regressar.

 

















 O dia acabara por correr rápido nas horas, muita coisa fora vista nesta cidade magnifica, anoitecia rapidamente e de alma bem cheia e o cartão de memória com menos espaço estava na hora de regressar ao hotel, descansar e vestir os nossos melhores fatos de Domingo para a dita anunciação cultural. Um último olhar e um último suspiro nesta avenida surpreendente e a promessa no ar de um regresso para qualquer dia.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Uma casa impronunciável!!!!


O tempo havia passado a correr na nossa estadia por Viena e aquela manhã cinzenta seria o nosso último dia por aquela cidade que ainda tanto tinha para descobrir. Museus, palácios e demais cultura já tinham sido visitados e o último dia  tinha ficado reservado para desfrutar da cidade, das suas ruas e avenidas, algumas lembranças e claro a tão esperada noite na ópera. A contrastar com o barroco e elegância da cidade havíamos decido reservar aquela parte da manhã para visitar um dos edifícios mais estranhos da cidade, uma epifania dos 80's que faz lembrar o modernista catalão Gaudí na cidade dos dourados e dos brocados, estou a falar obviamente de Hundertwasserhaus!!

Apesar de não se conseguir pronunciar tal palavrão, de máquina fotográfica em punho andámos decididos em descobrir tal raridade. Era domingo de manhã e pouco ou nenhuma gente andava pelas ruas, o metro desembocara numa zona mais residencial da cidade o que nos permitiu ter uma outra noção de como se vive por detrás da opulência e charme dos inúmeros palácios. Viena não desilude nem nas zonas menos turísticas, a cidade continua a apresentar-se elegante, organizada e limpa, com os jornais diários pendurados em sacos de plástico com umas caixinhas para deixar o dinheiro!!!
Encantados com essa novidade dos jornais ali mesmo à mão de semear andámos alguns minutos meio sem rumo pelas ruas até à evidencia matemática de que o tempo  flui e não havíamos dado com a casa e que efectivamente estávamos perdidos. O mapa não nos ajudara grande coisa pois não fazíamos ideia sequer de para onde ficava o norte e desta feita surgira a brilhante ideia de que os telemóveis têm GPS!! Copiada a morada que vinha no guia para o aparelho seguimos o caminho que a senhora que mora dentro do aparelho nos ia indicando, e andámos, andámos até nos fartar e tirar a conclusão de que efectivamente a Helena (nome com o qual foi baptizada a senhora) também não percebia nadinha daquelas bandas e andava tão ou mais perdida que nós os 2.
Os jornais mesmo ali à mão de semear!!
Estávamos a porta da igreja lotada num domingo de missa, perguntámos no nosso deutch recém adquirido onde ficava a dita casa, ninguém percebeu, mostrámos as fotos do guia e lá por gestos alguém nos indicou o caminho, bem pertinho por sinal como um atestado de incapacidade à nossa desorientação espacial. E finalmente a dita casa com o nome mais estranho estava mesmo ali ao virar da esquina!

Hundertwasserhaus



Este estranho bloco de apartamentos, que mais poderia ser uma obra de arte em si mesmo, é da autoria de Friedensreich Hundertwasser que viu a luz do dia em 1985 (ahh os ricos anos 80) com o intuito de contrariar a arquitectura moderna que o autor dizia não ter personalidade. Personalidade é coisa que não falta a esta estranha casa de formas irregulares em vários estilos, uso e abusa das cores primárias, árvores nas varandas, trepadeiras nas janelas, paredes tortas e varandins de várias nações.










Mesmo em frente desta magnifica obra encontra-se um mini centro comercial de lojas de recuerdos muito ao estilo desta tão excêntrica vizinha, era finalmente a hora ideal para trazer alguns presentes para a família e amigos, adiados até mesmo ao último dia, e claro, comprar os tão aclamados chocolates Mozart espalhados por toda a cidade. O pecado da gula invadiu-nos e aquelas bolinhas recheadas de chocolate que apesar de caras não chegaram a ver mais a luz do dia tendo sido devorados por nós os dois no decorrer desse dia. Bem a família viu as pratas que os envolvia, afinal conta mesmo é a intenção não é verdade??


Como se diz aqui por Portugal que "não há fome que não dê em fartura" e depois de tanto termos procurado pela primeira casa, já no regresso ao centro de Viena (a pé para manter a linha) fomos encontrando umas tantas casas esculturas pelo caminho, mostrando o empenho do autor em mostrar realmente a sua visão. a manhã desse dia acabava com um repasto já meio ressequido num magnifico parque da cidade, mas o último dia em Viena guardava ainda algumas surpresas.

Coordenadas:
Página oficial AQUI 
Como chegar: Metro: Landstrasse BUS: Hetzgasse. Nós fomos de metro contudo foi ligeiramente complicado encontrar a casa
Encerrado ao público
Vale a pena pelo contraste que faz com a cidade pela sua originalidade, é um edifício muito cénico ideal para fotografias. Existem muitas lojas de souvenirs na área que apesar de caros foi dos locais mais variados e com menos recuerdos standard  que encontrei. 

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

E à noite em Viena?

Passear por Viena é quase um desporto, tanto físico como mental, tanta é a variedade de atracções que se vão escondendo a cada esquina na sua enorme imponência. Nem sempre sobram forças para sair à noite e descobrir essa mesma "noite" dos locais que visitamos, o pôr do sol é o derradeiro ponto de  qualquer viajante que acordou bem cedo andou léguas a pé e só deseja um bom banho, um jantar mais ou menos comestível e dormir.

Na nossa visita por Viena também não escapamos a tal cansaço, e sair a noite foi sempre algo que fomos protelando com o passar dos dias, por tantas desculpas esfarrapadas como o está tanto frio ou simplesmente porque alguém adormeceu enquanto lia o guia para programar o dia seguinte. Contudo houve duas noites que vencendo a inércia de ficar na cama lá nos levantámos e fizemos-nos ao mundo, ou Viena à noite. 
Confesso que não tenho qualquer legitimidade para falar sobre o que fazer em Viena depois de escurecer, restaurantes não sei, os preços afixados ás portas repiliram-nos e aos nossos magrinhos orçamentos, alguns bares abertos que não nos atrevemos a entrar pois eram da mesma condição dos restaurantes. Restou-nos um jantar requintado numa cadeir internacional de fast-food onde tivemos a visão de uma "teen chinoca "que roçava para lá do feio, embrulhada na cintura numa toalha turca a fazer de saia e uma camisola 10 números acima do seu.  Com esta visão demoníaca decidimos andar a pé pela cidade, rever os monumentos mas desta feita iluminados, sermos só nós o frio e a cidade dos nossos encantos. É seguro andar pela cidade de noite, algumas lojas estão abertas até tarde e vê-se sempre alguém a a passar em qualquer lado, não nos pareceu que Viena fosse o centro da  noites loucas , mas também nem chagámos a procurar.  Para os mais afortunados uma ida à ópera ou aos inúmeros espectáculos de música clássica são um bom motivo para sair à noite, mas da ópera falarei noutro post com dicas fantásticas.

Já diz o povo que "à noite todos os gatos são pardos" e foi nessa mística de penumbra e monumentos iluminados que fomos totalmente rendidos a elegância da cidade mais musical do mundo, ficam algumas fotos para suscitar aquela curiosidadezinha.




Memomial a Strauss
Hofburg

Staatoper