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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Praça de Espanha e Parque Maria Luísa - Sevilha

Completamente apaixonado pela cidade e de me sentir rendido a todos os seus monumentos era mais que horas de rumar ao que será provavelmente o cartão postal da cidade, a sumptuosa Praça de Espanha! Esta maravilha escondida num frondoso parque encontra-se a uns meros 20 minutos de caminhada do centro da cidade e foi sem demoras que nos dirigimos para lá.

O caminho até ao parque é um verdadeiro festim para os sentidos, deambulamos pelas calles típicas da cidade onde a vida dos sevilhanos decorre sob o impiedoso sol de verão e descobrimos magníficos edifícios como o Palácio de San Telmo.  Este palácio é uma jóia do barroco espanhol de dimensões impressionantes cujos seus jardins formam hoje Parque María Luísa que foi doado à cidade no ano de 1893, infelizmente o palácio é hoje um edifício governamental e não podemos visitar o seu interior. Por mais incrível que o cenário fosse, o infernal calor das 2 da tarde tornava impossível ficar mais um segundo e tirar fotos dignas de registo futuro e por isso continuamos a dar corda aos sapatos até ao nosso destino.

Parque María Luísa

O pulmão verde da cidade é um verdadeiro oásis para enfrentar o calor que nos assola a todo o momento, é um convite ao relaxe e à contemplação da natureza nas suas seculares árvores e plantas exóticas espalhados por avenidas e alamedas, praças e lagos nos 40 hectares do parque. 

 Nem sempre o parque teve a dimensão e o aspecto que hoje se conhece, no ano de 1893 a Infanta María Luísa ofereceu o parque como jardim público à cidade de Sevilha mas foi só no inicio de século XX pelas mãos de Jean-Claude Nicolas Forestier que os jardins foram reorganizados e têm a aparência que hoje nos brindam. 


 O parque é um daqueles lugares que implora que a gente se perca nos seus recantos, por isso reservem uns momentos na vossa visita e deixem-se invadir por todo aquele ambiente, deixem-se sentar num banco e recuperar as forças de um dia cheio de visitas ou então uma dica daquelas, levem um lanche na mochila e aproveitem a sombra das suas árvores para um piquenique na relva ou até mesmo fazer um ligeira soneca. Quando as forças regressarem está então na hora de levantar, sacudir a poeira e seguir em frente porque o parque ainda tem muitos segredos para descobrir.


 Se pensam que por detrás dos portões só se esconde um esplendoroso jardim enganam-se, vários pavilhões foram sendo construídos numa outra reforma do parque e que deram hoje origem a museus e fundações. Munidos dos nossos preciosos Sevilha Card decidimos enfrentar dois dos museus com uma arquitectura fantástica! Separados por um lago e várias palmeiras encontram-se o Museu de Artes e Costumes Populares e o Museu de Arqueologia.

 Num esplendoroso edifício de estilo mudejar  encontra-se o Museu de Artes e Costumes Populares é não mais que um museu etnográfico em que nalgumas salas se expõe a maneira de viver dos andaluzes noutros tempos, os seus hábitos e costumes e objectos do quotidiano. Apesar de interessante não foi um dos melhores museus que visitámos muito em parte porque os hábitos e costumes espanhóis não serem assim tão diferentes dos portuguesas, mas para aqueles que querem conhecer mais sobre a vida dos ibéricos não percam esta oportunidade. 

Do outro lado do lago encontra-se o ligeiramente mais modesto edifício vizinho que alberga o Museu Arqueológico numa exposição bastante interessante que conta a história dos povos que habitaram o sul da Península Ibérica com achados desde o tempo pré-histórico até à ocupação romana com várias estátuas e mosaicos muito bem preservados. Dos dois museus este foi o que mais gostei e por onde me demorei mais tempo e olhem que não sou lá muito ligado a coisas de arqueologia!

 Praça de Espanha

Ainda sob o efeito das maravilhas do Parque María Luísa mal nos apercebemos que estamos de cara com o cenário mais grandioso de Sevilha. Ali bem diante dos nossos olhos, tal como um gigantesco abraço abre-se a majestosa Praça de Espanha, provavelmente a mais imponente de toda a Espanha. 
A Praça de Espanha foi construída por Aníbal González em ocasião da exposição Ibero-Americana de 1929 onde Sevilha protagonizou a fama com Barcelona. 

É impossível não reparar nos milhares de pormenores de todo o complexo, o seu estilo vem como uma homenagem à cultura espanhola com referencia aos vários painéis de azulejos que representam as várias regiões de Espanha. É um prazer passear pelas arcadas e ver a praça de outros ângulos e acreditem que é impossível não ficar apaixonado pelo lugar. Afinal a Praça de Espanha não passa despercebida a ninguém e para os fãs de Guerra das Estrelas foi cenário no episódio II!!

Não bastasse tanta coisa para ver a praça ainda nos oferece um enorme lago que rodeia toda a praça com uns barcos a remos para uns momentos relaxantes. Confesso que nem tive coragem de por um pé dentro do barco tal é o meu eterno jeito para o remo e ainda acabava a tarde completamente ensopado!
Em redor da praça e do parque ainda hoje é possível encontrar os antigos pavilhões da exposição que nos leva numa viagem aos países latinos com edifícios impressionantes. 

 
Se ainda não conhecem este maravilhoso local bem perto do coração de Sevilha não deixem de reservar um tempinho na vossa agenda e depois venham aqui contar a vossa experiência.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Real Alcazar de Sevilha - Uma joia entre muralhas

Quase na sombra da gigantesca Catedral de Sevilha por detrás de antigas árvores e de seculares muralhas esconde-se, provavelmente, um dos locais mais surpreendentes da cidade. Muitos dos turistas que por ali passam descuram ou simplesmente desconhecem que ali mesmo fica a entrada do Real Alcazar de Sevilha!

Na realidade o que se esconde por detrás das antigas muralhas são os Reales Alcázares de Sevilla, um conjunto palaciano de diversas épocas e o seu majestoso jardim, hoje em dia o complexo ainda é utilizado pela família real espanhola e por esse motivo considerado um dos palácios em uso mais antigos da Europa. Apesar de tanta fama não encontramos nenhuma realeza por aquelas bandas a não ser uns quantos turistas como nós completamente pasmados com o local, que foi classificado pela UNESCO em 1987.

Entrada para o complexo na Praça da Catedral

A história do local confunde-se com a da própria cidade e ao longo dos séculos os vários monarcas que por lá passaram foram acrescentando a sua marca até ao que se conhece hoje em dia. Foi por volta do séc X que o conjunto começou a ser construído onde outrora houve um assentamento romano e posteriormente uma fortificação moura. Parte do complexo é da mesma altura do fabuloso Alhambra em Granada, o que nos leva em determinados momentos a fazer comparações mesmo que inocentes.

Com tantas culturas e gente nobre que viveu atrás daquelas paredes só chegou aos nossos dias de forma intacta o Pátio de Gesso da época mudejar. Foi após a conquista cristã que o complexo viu as suas maiores alterações e foi pelas mãos de Pedro I que se criou um dos mais belos conjuntos de arquitectura mudejar em Espanha. Como o Mundo é pequeno o Alcazar de Sevilha tem pedaços da sua história que tocam com a de Portugal, foi nele que Carlos I casou com Isabel de Portugal e o devastador terramoto de Lisboa de 1755 deixou marcas profundas no palácio levando à sua reconstrução.

Bem depois da entrada pelos seus portões e de passarmos por alguns jardins é que começamos a ter a real noção da imponência de todo aquele conjunto palaciano. São vários os salões que num labirinto se vão desvendando, quase todos desprovidos de qualquer mobília mas quando os olhos se fixam nos seus intrincados estuques e na beleza dos seus azulejos são um deleite para os sentidos!

Todo a obra que se espalha pelos seus salões é simplesmente fenomenal, muitas vezes demos por nós a voltar para traz e rever novamente aquele trabalhado e a fotografar os seus milhares de pormenores e com tanta sala é para lá de difícil escolher a que mais se gosta. Quando pensamos que mais nenhuma sala nos pode surpreender aparecem os seus refrescantes pátios, verdes com as suas típicas fontes dão uma alma especial ao local mas nenhum se assemelha à exuberância do Pátio das Donzelas.


O pátio é provavelmente o coração de todo o complexo e todos os caminhos vão parar até lá e acreditem que vão ser inúmeras as vezes que vamos dar connosco a apreciar o complexo trabalho das suas colunas e sentir toda a envolvencia daquele lugar, considerado o expoente máximo da arquitectura mudejar. Acreditem que o espaço é para lá de lindo e faz-nos viajar no tempo e nas culturas e acreditar que estamos dentro de uma história das mil e uma noites rodeados de odaliscas, riquezas e aromas de outras terras!

É em torno deste magnífico pátio que se encontram as mais belas e importantes salas do palácio tais como as Salas Reais e a Alcova. Contudo nada nos vai preparar para a mais bonita sala, sim, depois de tantas divisões parece impossível que mais alguma nos possa vir a surpreender e tirar o nosso fôlego, mas essa honra fica a cargo da Sala dos Embaixadores. Era neste salão que se realizavam as cerimónias oficiais da corte e as grandes recepções nesta sala de esplêndidos azulejos e um trabalho fantástico de estuque nas suas paredes, mas é a sua enorme cúpula de intrincados arabescos dourados que paira sobre as nossas cabeças que nos chega a tirar a respiração!

Com a alma completamente preenchida por tão belo espaço, lá nos fizemos ao caminho e continuamos a nossa visita àquele local que já tínhamos apelidado como o momento alto da viagem! Foram muitas mais salas e salões com todo o tipo de decoração de várias épocas, dignas de serem fotografados mas que não me atrevo a colocar aqui pois temo que haja servidor que aguente tanta fotografia. Já no final da visita ao interior do palácio passamos pela capela palatina e pelos salões góticos com espectaculares tapetes flamencos onde num dos quais figuram as armas de Portugal, por mais que tentasse não consegui saber a sua origem, ficando o mistério por revelar.

Para lá das salas e pátios internos abrem-se os imensos e refrescantes jardins do Alcazar. No calor implacável da cidade este enorme jardim é um verdadeiro oásis para descansar e retemperar forças. São vários os recantos que se escondem pelos terraços, avenidas de palmeiras que rodeiam pavilhões e fontes simplesmente maravilhosas.

Provavelmente um dos lugares mais bonito dos jardins é a enorme e cénica Fonte de Mercúrio com um tanque onde passeiam peixes que a dar pelo tamanho devem ter a mesma idade do fundador do palácio. Foi um deleite deambular por todos os cantos do jardim e explorar todos os segredos do lugar e não fossem os planos para o resto da viagem seguramente ficaria-mos por ali o resto do dia.

Para aqueles como nós que não querem deixar passar em branco todos os pormenores preparem as pernas e um bom calçado para palmilhar as alamedas daquele imenso jardim e acreditem quem quando menos esperamos acaba-se por encontrar esconderijos completamente surpreendentes como foi o caso da cisterna, um lugar fresco e sossegado digno de contemplação.

Logo logo a visita deu-se por acabada, mas ficou a sensação que foi um daqueles locais que jamais se esquece e que valeu completamente a pena conhecer. Para aqueles que querem conhecer a cidade se Sevilha creio que jamais podem deixar escapar esta visita completamente surpreendente e para aqueles que já conhecem é sempre bom revisitar.

Informações úteis:

  • O Real Alcazar de Sevilha encontra-se mesmo em frente da entrada da Catedral de Sevilha e o seu acesso é feito pela Porta do Leão.
  • O horário de funcionamento é das 09:30 às 17:00 que se alarga até às 19h no Verão.
  • O ingresso de entrada custa 9,50€ mas é sempre bom verificar sobre os descontos. Nós utilizamos o nosso amigo Sevilha Card o que ainda nos poupou tempo na fila.
  • O complexo é grande e pede uma visita de cerca de 2 horas pelo menos, por isso reservem esse tempo para poderem apreciar com calma.
  • Mais informações sobre o Real Alcazar de Sevilha clique AQUI   

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Catedral de Sevilha - Imponência de um símbolo!

Grandiosa, imponente, colossal entre outros superlativos, o grande símbolo da cidade rompe os céus e as vistas entre as ruas apertadas de Sevilha. Mas tanta magnitude teimava em não abrir as portas e deixar descobrir-se e só à terceira tentativa conseguimos visita-la no seu horário restrito.

Apesar do insucesso em tentar visitar a catedral pelas primeiras vezes, a deslocação até lá não foi de todo uma perca de tempo. Os arredores são um autentico museu ao ar livre, cheio de lugares espetaculares para conhecer, praças para desfrutar e beber um copo.
Torre da Giralda e Arquivo Geral das Índias
Paredes meias com o maior símbolo da cidade, rodeada de carruagens para umas voltas turísticas pelo centro histórico, encontra-se o Arquivo Geral das Índias. Património da UNESCO desde 1987 é um arquivo histórico onde se encontram documentos relativos às colónias espanholas no tempo das descobertas, entre elas o famoso Tratado de Tordesilhas que adoraria ter visto pois também é um documento importantíssimo para a história de Portugal. A visita ao Arquivo Geral das Índias é permitida e de especial interesse para aqueles interessados na história dos descobrimentos, mas por incrível que possa parecer encontramos as suas portas sempre fechadas!!

Pelas imediações o desfile de monumentos históricos é impressionante, e acreditem que vão ficar por aquelas bandas bastante tempo. Uma das praças mais bonitas é sem dúvida a Plaza del Triunfo onde se destaca o maravilhoso palácio rosa a Arquidiocese de Sevilha.









































Mas a visita era dirigida à catedral e uma pequena fila já se compunha aos seus portões mesmo debaixo daquele sol impiedoso. 


Considerado o 3ª maior templo da cristandade (a seguir à Basílica de S. Pedro e Catedral de S. Paulo) e património da UNESCO desde 1987, a Catedral de Santa Maria da Sede (ou para os amigos a Catedral de Sevilha) começou a ser construída no século XV sobre a antiga Mesquita Alfama de Sevilha, legado dos tempos da ocupação islâmica da Península Ibérica e é o local que não se pode mesmo perder na visita a Sevilha. A intenção de construir um edifício que conseguisse fazer admirar as gerações futuras foi conseguido e foi impossível fechar a boca perante a sumptuosidade deste monumento mesmo ainda sem transpor as suas portas. Todo o trabalho gótico é impressionante mas os olhos rapidamente se perdem nos céus onde domina a Torre da Giralda, antigo minarete da mesquita e hoje o símbolo de toda a catedral e inclusive da cidade. 

A entrada para a catedral faz-se por uma das portas laterais onde somos recebidos por uma réplica do gigantesco cata-vento, El Giraldillo, que coroa o topo da Torre da Giralda. Munidos do nosso Sevilha Card a entrada foi rápida e entramos numa zona museológica  com várias obras de arte, que apesar de interessantes não nos conseguiram deter a curiosidade e fomos directamente para o coração da catedral.

No interior nave de 42 metros de altura é simplesmente de cortar a respiração, e não fossem os espelhos colocados no chão a visita renderia uma enorme dor de pescoço! As suas paredes são adornadas com 80 capelas ricamente decoradas que noutros tempos se rezavam 500 missas diárias!

Altar Mor
Magnifico órgão






















São centenas de obras de arte espalhadas pelos recantos, demasiada arte para uma vista só que chega a atordoar os sentidos. Um órgão tão grande quanto a altura da nave é para lá de impressionante, não muito menos do que a custódia de prata nas suas traseiras de uma altura não menos impressionante.
No coração do templo repousa a obra provavelmente mais impressionante da catedral: o Altar Mor. É uma peça gigantesca de talha dourada que retrata a vida de Cristo, obra de uma do seu autor Pierre Dancart.
Por ali também se encontra o túmulo de Cristóvão Colombo cujas descobertas trouxeram a época de ouro à cidade. São incontáveis os altares, vitrais e obras a serem contemplados e uma manhã ou tarde é de todo insuficiente para explorar razoavelmente o monumento!
Túmulo de Cristóvão Colombo

A Sacristia Mor foi um dos locais que mais me agradou, expõe um conjunto de obras de arte sacra magnificas e por onde se tem acesso ao Tesouro! Muito ouro e quilates incalculáveis de pedras preciosas adornam peças de ourivesaria que captam a visão que nem um íman, são verdadeiras jóias da arte de criar jóias e um dos momentos mais altos da visita, pelo menos para mim!







































Bem perto da saída do tesouro encontra-se a entrada para subir à Torre da Giralda. São um sem número de rampas em pedra polida pelo tempo e pelos passos que nos fazem subir até ao topo dos seus 105 metros de altura. Diz-se que por lá as vistas são inesquecíveis e que se contempla a cidade de Sevilha como em nenhum outro lugar e ainda é o único local em que se pode apreciar toda a grandiosidade da catedral. Mas estes não foram argumentos suficientes para nos motivar à sua subida, o calor do meio dia era arrasador e as pernas já cansadas dos dias de passeio recusaram-se na escalada da torre. Hoje arrependo-me de morte de não ter feito mais um esforço e engrandecer ainda mais a minha visita, mas fica a promessa para a próxima vista. 










Rapidamente a visita vai-se aproximando do fim e deixamos o escuro e fresco interior da catedral e somos brindados com um pátio interior repleto de laranjeiras. Como não podia deixar de ser este era o Pátio das Laranjeiras um lugar que efectivamente nos remete aos antepassados da catedral como mesquita com a sua estrutura tipicamente islâmica e onde ainda se encontra a fonte de ablações para os actos de purificação. Uma das curiosidades deste pátio é que existe um sistema de calhas que percorre todo o pavimento e por onde flui a água da fonte central criando uma atmosfera mágica.
O Pátio ainda conserva 3 portas da mesquita original entre elas a Porta do Perdão, sendo esta a entrada principal em estilo completamente mourisco. 
Por estes motivos e muito mais a visita à Catedral de Sevilha é obrigatória a quem quer conhecer esta maravilhosa cidade e acreditem que não se vão arrepender!
Porta do Perdão
Informações úteis




domingo, 20 de outubro de 2013

O Elevador do Castelo - Lisboa na Vertical!


Lisboa, além de menina e moça de temperamento marcado como já dizia o fado de Amália é uma cidade ondulante! Para quem a conhece sabe que as suas 7 colinas não poupam as pernas daqueles que por ela se aventuram. É um sobe e desce constante de ruas íngremes e ladeiras que colocam à prova o abs dos sapatos dos pedestres e uma das provas de fogo é chegar ao Castelo!

O Castelo de S. Jorge é um daqueles locais que cortam a respiração, primeiro porque as vistas da cidade são magnificas pedindo horas de contemplação e em segundo lugar porque palmilhar as ruelas a subir até aos seus portões não é propriamente fácil, em especial naqueles dias que o calor decide apertar a sério. Antigamente só o mítico 28 nos levava de forma cómoda até às redondezas, levar o carro é uma prova de fogo para os nervos (odeio andar à procura de lugar para estacionar) depois restava o táxi ou ir a pé! Confesso de que todas as opções a de ir a pé ou no 28 são de longe as mais bonitas e nos proporcionam a descoberta de lugares e recantos de sonho.

Felizmente alguma alma iluminada decidiu construir um sistema de elevadores até quase às portas do Castelo. Sim isso mesmo um elevador que nos leva desde a baixa pombalina até ao topo da colina do castelo. Na Rua dos Fanqueiros (nº 170/178) foi recuperado um edifício histórico e implementados 3 elevadores GRATUITOS (até quando?) que abrem portas no Largo Adelino Amaro da Costa.


Diga-se de passagem que a obra minimalista é simplesmente genial, a recuperação do prédio está externamente impecável e o ar moderno dos elevadores não contrasta nem choca minimamente com a traça antiga da Baixa de Lisboa.


















Uns passos mais adiante "apanha-se" um segundo elevador, o do Mercado do Chão do Loureiro, que quase magicamente nos faz subir vários metros até à Costa do Castelo. Já lá no cimo há um restaurante panorâmico que já nos vai abrindo o apetite para as paisagens da cidade, daí ao castelo ainda se tem de subir uma ou duas ruas mas nada que chegue sequer a cansar as nossas pernas.

Mas se um dos encantos de Lisboa é andar perdidos nas suas seculares ruas para quê ir directo ao castelo? Não há nada melhor que vaguear pelos seus caminhos, descobrir miradouros como o das Portas do Sol, igrejas como a de Santiago e ficar a saber que os caminhos do santo começam por aquelas bandas...
 


















Mas o castelo espreita pelos becos e as centenas de turistas caminham na sua direcção, acabamos por não entrar, o dia era dedicado à contemplação da cidade e preferimos perder-nos literalmente pela Costa do Castelo. Depois disto como é impossível alguém não cair de amores arrebatadores pela cidade?!


Agora não há desculpa (para mim) e não rumar com mais frequência para aquelas bandas e começar a descobrir novos locais da cidade que tanto adoro mas que ao mesmo tempo ainda tem tantos segredos escondidos. Os elevadores funcionam todos os dias das 9h às 21h mas na hora do regresso o melhor mesmo è vir a pé, pelo menos para baixo todos os santos ajudam.

Miradouro Portas do Sol

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Pela Torre del Oro e águas do Guadalquivir


É impossível separar a imagem de Sevilha dos seus tempos em que era um domínio árabe e muito menos quando foi uma das portas do velho Mundo sobre as novidades e descobertas de um Mundo desconhecido, e essas duas realidades que a cidade viveu coexistiram sobre as águas calmas do Guadalquivir que rasga o coração da cidade. Foi para as margens desse secular rio que caminhamos no final de tarde quando a cidade retomava um novo sopro de vida depois da merecida siesta espanhola, pelas suas margens cobertas por um passeio repleto de palmeiras onde desfilam alguns dos melhores monumentos da cidade, entre eles um dos símbolos de Sevilha.

Torre del Oro

A Torre del Oro ou a Torre do Ouro para aqueles menos habituados ao espanhol =), de ouro só lhe restou o nome e os painéis dourados que revestiam as suas paredes noutras épocas há muito que se perderam.

Construída no ano de 1220 sob o Califado de Almoáda a torre era uma parte do sistema defensivo da cidade para evitar invasões provenientes do rio, diz-se que um dos métodos de defesa era uma enorme corrente sobre as águas que era elevada a fim de evitar a passagem de barcos indesejados, sendo verdade ou não o sistema até que parece bem credível!!

Quando Sevilha se tornou cristã e a Europa decidiu descobrir o Mundo e trazer as riquezas encontradas a torre serviu como depósito do ouro e de outros metais preciosos que as naus traziam das Índias Orientais e Ocidentais.

Todo o esplendor dessas épocas perdeu-se no tempo e hoje a torre é a casa do Museu Marítimo que guarda maquetas, objectos e mapas destes tempos de glória. Acabamos por não visitar o museu pois este já se encontrava encerrado mas os 2€ do preço da entrada valem bem a pena a visita. 

Mesmo sem a visita ao interior da torre o passeio valeu mais que a pena, apreciar a sua construção e o desenrolar da vida sevilhana ao longo do seu icónico rio são prazeres que só se obtêm quando viajamos e por vezes a vontade de ver e conhecer mais dos nossos destinos não nos deixa tempo para apreciar estes pequenos momentos e apreciar a alma dos seus povos. Nesse pequeno momento de desfrute da vida sevilhana mesmo em frente da torre começam a juntar-se várias pessoas de diversas idades, cada uma com o seu instrumento musical e em menos de nada um maestro comandava uma pequena banda que tocava fanfarras espanholas e tornou mágico aquele final de tarde.

Cruzeiro pelo rio Guadalquivir

















Em frente da torre encontram-se ancorados os tradicionais barcos turísticos que nos levam a navegar pelas águas daquele rio de caudal sereno. Como o ingresso estava incluído no Sevilha Card era a oportunidade para realizar este pequeno "cruzeiro". Como nas grandes cidades que têm este tipo de serviços, o cruzeiro pelo Guadalquivir não traz nada de extraordinário à nossa visita, um barco com algumas amenidades como um bar navega pelo rio e desbrava as paisagens e monumentos que se encontram nas suas margens com um guia que explica sucintamente o que vemos.
Palácio de S. Telmo
O passeio dura sensivelmente uma hora, que apesar de não ser essencial à viagem, foi um momento muito agradável. Como não podia deixar de ser, a cidade foi-se expandido pelas margens do rio e hoje magníficos edifícios repousam por lá e a perspectiva do rio é fantástica. Aqui e ali a vista foca monumentos de cores intensas e a me te viaja para os tempos em que o rio era navegável e as caravelas chegavam vindas do Atlântico com novidades de outras terras.
O barco vai passando por várias pontes de várias épocas e estilos, desde as clássicas às férreas fruto da revolução industrial até às magnificas e futuristicas pontes de arquitectos famosos como o espanhol Calatrava.

Na parte final do trajecto a embarcação aproxima-se da Ilha da Cartuja, ilha artificial construída para albergar a exposição universal de 1992 que veio modernizar a cidade com edifícios altamente futuristicos e lançar Sevilha nas bocas do Mundo. Hoje em dia pouco resta do frenesim que foram aqueles tempos na década de 90 a não ser alguns dos pavilhões dos países envolvidos e um parque temático que falarei noutro post. Nisto a navegação entra na sua recta final e o barco retorna ao cais de partida, agora com o sol a pôr-se e a cobrir a cidade com uma aura dourada.



Se quiserem conhecer a cidade e as suas vistas sobre as águas do Guadalquivir entrei na página dos Cruzeiros Torre do Ouro